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Imagem da informação

O andamento da informação que nos chega é emblemático. Em um momento, o destaque foi quase exclusivo para a evolução da covid-19; logo depois, foram as enchentes e as mortes em Petrópolis. Quase ato contínuo, o seletor de notícias muda para falar da guerra na Ucrânia que já completa um mês. Aproximando o primeiro de abril do calendário eleitoral, o foco são as eleições, necessárias eleições, de daqui a seis meses. Mudaram os demais fatos? Não, apenas a decisão editorial de alguém que julga o que deve e o que não deve ir para as telas. Os profissionais da área se baseiam no que chama de interesse público do fato, mas há limites e situações de contorno que nem sempre são lógicos. O enunciado quase folclórico da busca pelos quinze minutos de fama extrapolou para a notícia em si. Notícia da manhã já é velha no almoço. Os diários pessoais - este espaço conhecido como blog - não ficam para trás, ainda mais quando postados com inexplicável atraso. Parafraseando Caetano, em meio à vida cheia d...

Volta presencial

Dois anos e nunca deixamos de trabalhar. Muitos deixaram de viver, resultado menor da biologia e maior da ideologia No âmbito acadêmico, nesse período realizamos todas nossas atividades didáticas de forma remota, exercemos a administração universitária e, com grandes restrições, fizemos pesquisa científica. Os laboratórios foram interditados na maior parte do tempo o que não impediu a revisão bibliográfica, a redação de artigos antes suspensos e a inserção por novas áreas e atividades, especialmente na divulgação científica e participação de comitês e grupos de avaliação e alerta quanto ao desenvolvimento da pandemia. A cautela universitária foi importante para sinalizar ao restante da população os perigos de minimizar os efeitos da covid-19. Não evitou o negacionismo crescente por questões políticas, mas contribuiu para que ficássemos mais seguros à espera da única proteção eficaz que foram as vacinas. E, mesmo assim, assistimos a descasos governamentais inéditos na história de nosso ...

Cinzas inférteis

A crise dos fertilizantes que afunda mais ainda o agronegócio brasileiro, paradoxalmente, trouxe o potássio à tona. Esse elemento químico metálico é abundante na crosta terrestre na forma de íons, que constituem os sais de potássio. É assim que ele é absorvido pelos seres vivos e integra vários sistemas de controle, especialmente os relacionados a equilíbrios iônicos celulares. Junto ao nitrogênio e fósforo forma a tríade mais usual de fertilizantes que são nominados pelos símbolos químicos N, P e K. O nome potássio vem de "cinzas em pote" e parece que é nisso que querem transformar a Amazônia. Pregam o pote de ouro, mas ficarão apenas as cinzas na terra. O símbolo K maiúsculo vem do latim kalium que significa exatamente isso, a potassa, um material alcalino obtido das cinzas. Faz parte da cultura secular o sabão de cinzas, por meio do qual misturam-se óleos e gorduras com cinzas que são cozidos lentamente sob o fogo. Uma reação de saponificação (nome pouco criativo, por cer...

Diplomacia

Em Lorena morei na rua Oswaldo Aranha, homenagem ao embaixador brasileiro na ONU que se destacou no pós-guerra pela defesa da criação do Estado de Israel, dentro do que foi chamado de solução ou divisão da região da Palestina (com w é o nome que vinha no iptu; com v parece ser o usado nas enciclopédias). Por isso o Brasil, como reconhecimento daquele organismo, passou a abrir todas as assembleias gerais. A diplomacia brasileira, mesmo em períodos de conturbação nacional e internacional, já foi muito melhor da que nos resta hoje. A solução de conflitos sempre foi a tônica da representação diplomática nacional, não a postura de colocar mais lenha na fogueira. Homenagem muito justa ao diplomata e vejo na internet que os israelenses também o homenageiam com ruas e praças. Poucos se importam com a origem dos nomes de logradouros por onde passam ou habitam. Algumas vezes discorri sobre tal assunto na coluna semanal que mantinha no Jornal Guaypacaré daquela cidade vale-paraibana, incluindo a ...

Explorando domínios alheios

Estou revendo os episódios da consagrada série COSMOS, a original de 1980, apresentada por Carl Sagan. A exploração espacial é um dos temas e são traçados paralelos com a expansão marítima do século XV. Nossa espécie tem necessidades de ampliar o território em que vive, talvez por um impulso natural de sobrevivência, ou pela criação de medos e circunstâncias que nos levem a outros domínios. No popular dizemos que o olho do caipira é grande quando se coloca uma pessoa frente a possibilidades de possuir terras para viver e plantar. A posse e o uso da terra são fundamentos de sistemas econômicos e foco de conflitos de várias naturezas. Sempre se dirá que há um dono do espaço e um invasor. A definição de quem é quem fica sempre por conta da história e de quem a conta, quase sempre depois de vencer uma guerra. Ao menos no espaço sideral ainda não nos deparamos com proprietários alienígenas, bastando-nos os que por aqui existem. #IniCiencias Nessa toada de domínios e territórios, o centenári...

Dimensões

James Webb, o telescópio, começa seu trabalho. A primeira imagem feita foi a reprodução da mesma estrela tirada pelos diferentes espelhos que o compõem, além de um auto-retrato (ou selfie, na linguagem moderno-colonializada) de uma parte de si. Fotografias em várias dimensões, umas borradas, outras pouco intensas, todas servindo para calibrar o instrumento para perscrutar o mais longe do universo, no tempo e no espaço, um consequência direta do outro, nessa escala de bilhões de anos. Na coluna que mantenho no Jornal Cidade de Rio Claro, o foco é principalmente nas questões científicas e o importante artefato astronômico não ficaria de fora. Sobre ele discorri no início do ano, quando de seu lançamento ("Visão espacial", 5/1, que pode ser encontrado na minha página no Facebook https://www.facebook.com/adilson.goncalves.9847/ ). Vejam que mesmo com dezenas de obstáculos e detalhes que poderiam levar ao fracasso da missão, até agora, tudo caminha bem, dentro das perspectivas mai...

Reflexivos

A sensação de leitura é diferente para cada um e é isso que torna o enfrentamento de textos uma experiência única. Tenho me acostumado à leitura em formato digital, na tela do computador. Não agrada tanto, mas há situações sem outra alternativa, tal como os artigos científicos. Livros clássicos estão disponíveis nesse formato, muitos de acesso gratuito por terem vencido os prazos legais de direito autoral. Oportunidade que se aproveita, portanto. Mas deparei com uma interessante análise de Carlos Eduardo Lins da Silva, professor especialista na área de comunicação, que aponta, junto à sabida decadência da circulação de jornais impressos, estudos recentes que mostram a maior eficiência da leitura em papel do que a realizada em meio digital. Vale a leitura e audição de sua entrevista no site do Jornal da USP: https://jornal.usp.br/radio-usp/a-decadencia-na-circulacao-do-jornal-impresso/ . Assim, no conflito/atrito entre o grafite e a celulose, como já ousei descrever em poema, fico com a...

O tempo de James Joyce

Mais um centenário está em curso. A primeira edição de Ulisses , de James Joyce coincidiu com o aniversário de 40 anos do escritor em 2 de fevereiro de 1922. A semana de arte moderna estava sendo aqui planejada e um dos romances clássicos da literatura estava sendo fornecido ao público na forma de livro. Tal qual inúmeros outros autores, a obra já havia sido publicada fragmentada como folhetim ao longo de dois anos, com os devidos elogios e críticas. E escândalos. Aqui já confessei minha tentativa infrutífera de enfrentar Ulisses . Voltei a ele por esses dias, apenas para acariciarmo-nos mutuamente, pois ainda continuo na deglutição e digestão de "Em busca do tempo perdido". O primeiro volume já vai a termo, mas faltam os outros seis para completar esse também ícone do romance moderno. Meu Lima Barreto não ficará de fora dessas considerações porque leio na biografia de Joyce que ele teve problemas na escola Berlitz, que é o nome do método de aprendizado de línguas muito difun...

Mundo mais leve

O blog não é um obituário. Algumas mortes e aniversários são apresentados como fio condutor para encadear os assuntos pelos parágrafos. Sim, o mundo amanheceu mais leve, o que não significa alteração de sua gravidade, trocadilho devidamente posto. A discussão em torno do uso de palavras escorregadias pode adentrar alguma suposta base filosófica. Isso foi visto nas chamadas redes (anti)sociais e entendi que os limites do luto não são tão claros, que pode chegar ao júbilo em certas - e devidas - situações. Tenho desconforto para lidar com conhecimentos na área de Humanidades devido a minha formação precária. Contorno a lacuna, como já afirmei aqui e alhures, por meio de leituras selecionadas, o que me fez leitor contumaz da revista CULT. Neste mês, parecendo presságio, foi publicada edição especial sobre Donald W. Winnicott, psicanalista e pediatra, estudioso das  questões mentais especialmente das crianças. A revista traz, com profundidade e assinatura de especialistas em várias áre...

Forte social e cultural

Euclydes da Cunha faz aniversário. A Casa Euclidiana, em São José do Rio Pardo o homenageia. O Projeto de Extensão Fórum Euclides, coordenado por Anabelle Loivos Considera, professora da UFRJ, continua ativo e todo ano comemora a efeméride com inauguração de um novo fórum e várias atividades, tal como a divulgação do Movimento Euclidiano de Cantagalo no dia de hoje ( https://www.instagram.com/encontroseuclidianos/ ). José Antonio Bittencourt Ferraz, da Academia de Letras de Lorena, que tem Euclydes da Cunha por patrono, fez postagem comemorativa à efeméride ( http://escritoresvaleparaibanos.blogspot.com/2022/01/euclides-da-cunha.html ). São exemplos daquilo que está próximo a mim. E fico me perguntando: o que Euclydes estaria escrevendo sobre o momento político e social atual? Com certeza não seria negacionista, engenheiro que foi, nem tampouco estaria contra a população, denunciante que foi das mazelas que viu em Canudos. Tinha seu gênio forte, foi negligente quanto ao próprio relacio...

O certo e as incertezas

Li estudiosos da comunicação discorrendo sobre o corte de adjetivos, advérbios e palavras supostamente desnecessárias de textos para torná-los mais objetivos. Por outro lado, artigo recente no Correio Popular, de Campinas, discorre sobre a questão em outra direção, a da necessidade de deixar claro qual o lado que se está tomando ao fazer um relato. Eu acho que empobrece muito fazer a auto censura de algumas classes gramaticais em detrimento de outras. Por que somente o substantivo carrega a objetividade? Um feliz colocado ao lado de um coração dirá muito mais do que apenas afirmar que a bomba de sangue está funcionando. E se for um muito feliz, então, aqueles analistas vão entrar em colapso, um advérbio de intensidade junto ao adjetivo! Particularmente pouco atentei, até agora, para o resultado final dos meus escritos, se carrega muita ou pouca dessa subjetividade. Nos artigos científicos é outra história, pois o objetivo da comunicação é distinto. Mesmo lá aparecem um bom ou ruim junt...

Exemplos

Livros são meus exemplos primeiros, sem contra-indicações, mas com aprazíveis efeitos colaterais. O que de ruim um livro carrega? O que ganhei na virada do ano, A bailarina da morte , de Lilia Schwarcz e Heloisa Starling, fala sobre a gripe espanhola no Brasil. Foi um trabalho de pesquisa realizado durante a pandemia do novo coronavírus e as famosas autoras de outras abordagens históricas e literárias aproveitaram o período para esse importante paralelo que também nos afligiu drasticamente. Outras biografias que estavam na minha lista de desejos já foram encomendadas. A de Ruth de Souza foi relatada em postagem anterior ( http://adilson3paragrafos.blogspot.com/2021/09/vagalumes.html ); a da Angela Maria chama a atenção pela dimensão, mais de 800 páginas. Livros gratuitos em formato digital abundam na internet, muitos são formas piratas de acesso ao conteúdo. Evitem-nos. Porém, na área científica, está muito comum o acesso legal a tais livros e um deles foi lançado recentemente sobre go...

Acabando com filmes e livros

Encerro o ano finalizando o primeiro volume da trilogia Escravidão , de Laurentino Gomes. Leitura retardada, não sei o motivo. O segundo volume já está à espera há um bom tempo. Será aberto na semana que vem. Aprender um pouco mais sobre o que somos como sociedade é muito bom para entender as lutas que aqui são travadas e as dívidas históricas, difíceis de serem pagas. Uma lacuna nas minhas leituras é de alguns clássicos. Em busca do tempo perdido já foi iniciada em algum momento e retomei, mais firme e convicto agora, já devorando o maravilhoso primeiro volume, No caminho de Swann , na tradução de Mário Quintana. Não sou leitor fluente de francês para arriscar o enfrentamento do original. Estou fazendo alguma comparação com trechos da tradução mais recente de Fernando Py. Tais leituras seguem a termo para darem espaço para livros que provavelmente ganharei de amigo secreto familiar. Sim, nós nos presenteamos alegremente com a base do conhecimento e já é um alívio saber que não houve ...

Para um Feliz 2023

No início da pandemia em março de 2020 imaginávamos uma quarentena de duração próxima à etimologia da palavra. Mais de 40 dias de reclusão se passaram e a gravidade da situação se mostrou dura e triste. Seria, então, o equivalente ao tempo de uma gestação? Nove meses e registrávamos um total de quase 200 mil mortos naquele final de ano. Entre inação governamental e cientistas, entre negacionistas e vacinas, enfim, conseguimos esboçar um controle da situação. Superamos, porém, a gestação da elefanta, de 22 meses. Talvez a próxima marca seja análoga à da salamandra alpina que leva 38 meses para o completo desenvolvimento de seus filhotes, dentro do oviduto do animal. Por ser um anfíbio, não consideraremos a hipótese, além de ser uma curiosidade retirada da enciclopédia, mas com possibilidade assustadora para nós reles humanos. A evolução da pandemia que continua pode ser acompanhada pelo livro "Linha de fundo: um giro de divulgação científica sobre a COVID-19 no blogs Unicamp",...

Saberes em construção

Em obras, a casa está se reformando para acomodar um poste de eletricidade novo. O medidor antigo virou abrigo de formigas, habitantes originárias do espaço - os invasores somos nós. Na retirada da caixa que acomodava o dispositivo, ecossistemas múltiplos, incluindo fungos nas partes de madeira, várias versões de insetos, além de um caramujo de jardim. Pedreiro e eletricista se desdobram para atender ao reparo, sem pisotear muito a grama e plantas ali colocadas para alegrar olhos e o ambiente. A palavra de um deles foi primordial: fazer direito para não deixar rebarba para o próximo que vier a mexer aqui, pois pode ser eu mesmo. A propriedade não é dos trabalhadores, mas eles dela dependem para seu sustento. É uma concepção diferente da coisa pública que é de todos e não pode ser considerada como não sendo de ninguém. Operários na casa souberam o que fazer. Os que operam o poder público no momento parecem se esquecer de que a tarefa bem executada trará benefícios para todos. Um breve p...

Sustos e contratempos documentais

Semana passada o blog ficou fora do ar por pouco mais de cinco horas. Foi excluído pelos administradores, sem qualquer explicação. Na sexta-feira, dia 3, por volta de 19h, recebi uma comunicação de que teria havido uma tentativa de invasão de minha conta e, com isso, ela fora desativada. Realizei o procedimento de recuperação da conta, com confirmação por código enviado ao celular e, aparentemente estava tudo certo de novo. No acesso ao blog, a mensagem era de remoção sumária e definitiva, sem qualquer possibilidade de recuperação. A sensação de perda, mesmo de coisas imateriais e de cunho intelectual, foi grande. Enviei e-mail questionando a exclusão e adentrei um forum online em que partilham problemas deste blogger. No mais, pensei que poderia estar sendo vítima de fraude maior e resolvi fazer um boletim de ocorrência eletrônico, ferramenta que funciona muito bem. Ao iniciar o preenchimento, ia fazer uma cópia da mensagem que recebi pela exclusão do blog e qual não foi a grata surpr...

Repetindo o aprendizado

No rememorar de vivências e convivências, lembrei-me de um gerente de uma importante indústria química com o qual tive contato por um bom tempo para desenvolver projetos conjuntos de pesquisa científica. Fizemos um treinamento para escolher estudantes de engenharia que trabalhariam conosco. Num desses encontros, ele discorreu sobre a necessidade de aprimoramento e mudança de abordagens frente a inovações e novos desafios que se apresentam, pois o risco de ficar obsoleto - tanto o processo quanto a pessoa - é muito grande. Falou que começou a trabalhar em um escritório e lá aprendeu a tirar cópias xerox. Com o tempo, ficou craque na tarefa e ninguém tirava cópias melhor do que ele. Sabia ajustar as dimensões para ampliações e reduções, posicionava corretamente os originais, serviço perfeito. E depois disse que aquela prática nada mais valia: não se tiram mais xerox. Na época dei crédito às considerações, mas hoje entendo a questão de forma diferente. Aquela experiência foi importante pa...

Fortes mulheres

A foto postada no Facebook mostrava a mãe com suas quatro filhas. Por trás dos cinco pares de óculos, olhares serenos e faces tranquilas direcionadas a mim. A memória já vai longe para resgatar a jovem vida ao lado delas. Parte da família ainda mora na casa em frente à da minha mãe, isso já há mais de meio século. Com uma aprendi datilografia, vejam só! Usando minha Olivetti que tenho até hoje, já encostada dentro de um armário, resgatada apenas para matar a saudade e para provar que eu sabia acionar suas teclas e converter força mecânica em palavras. As experiências daquelas mulheres foram múltiplas e moldaram muito do que eu estabeleci como perdas, ganhos, vitórias e derrotas. Antes disso, na infância de que ainda me lembro, as brincadeiras de escolinha com as meninas me fizeram saber o alfabeto antes da escola formal. Aos seis anos e pouco quando adentrei o grupo escolar Felipe Cantúsio já tinha os rudimentos da escrita e da leitura, prazeres que nunca mais me abandonaram. Bem, conf...

Séculos literários

Estes meados de novembro contêm vários aniversários e efemérides, restando trabalhoso o relato de todos. José Saramago completaria 99 anos e a data marca o início das comemorações de seu centenário. Padre Mário Bonatti, membro fundador da Academia de Letras de Lorena, intera nove décadas no mesmo dia. Se o signo do zoodíaco tivesse um átimo de significado não conseguiria explicar duas personalidades tão distintas e a ambas tenho profunda admiração. Dirão que é devido aos hemisférios antípodas de nascimento. Padre Mário, salesiano, constrói sua obra baseada na fé e é especialmente voltada ao jovens. O ateu Saramago, o mago das palavras, brilhantemente subverteu o evangelho para falar do bem e do mal que caminham juntos. Do escritor português pude um dia traçar um paralelo com o Dia do Químico, que coincide com seu falecimento ( http://unespciencia.com.br/2017/10/01/ex-homenagem-90/ ). A colega Acadêmica Regina Rousseau já escreveu sobre o Padre Mário ( http://unisal.br/hotsite/prasempre...

Incertezas científicas

Tudo está à distância de um apertar de botões. Na verdade, do toque na tela. Onde ficou o prazer da descoberta? Trinta anos atrás, quando saí do Brasil pela primeira vez para ficar dois anos na Alemanha fazendo parte de meu doutorado, quase nada sabia do local onde moraria, qual a aparência e a dinâmica das coisas. Hoje já é possível ver os detalhes das ruas por onde andar e a paisagem em várias dimensões e por todos os ângulos. Em breve, poderemos sentir o cheiro e a temperatura dos lugares a serem visitados. O estresse dessas viagens era muito grande, mas temo que a ansiedade dos que trilham tais caminhos hoje não tenha diminuído. Ela foi substituída por um outro tipo de cobrança ou ilusão. Havia planejamento com os projetos de pesquisa que queríamos conduzir. Os obstáculos e adversidades eram tantos que tínhamos de mudar muita coisa. No meu caso, voltei com um tese diferente da que havia planejado. Melhor, creio eu, que resultou em publicações posteriores . Sublinho o posteriores po...