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Mostrando postagens de julho, 2026

Encontros e circunstâncias

Os acontecimentos corriqueiros formam a base para boas crônicas, para quem as sabe fazer (alguns cronistas aqui: https://adilson3paragrafos.blogspot.com/2026/07/cronistas.html ). Alguns são simples relatos cotidianos, outros, inverossímeis, inacreditáveis ou mesmo engraçados. Contar o bom conto é que aumenta a conta do contista, caso ele seja remunerado para tanto. Consideremos, no entanto, que o preço cobrado seja apenas o da satisfação do binômio escrita-leitura, nada mais. Contar sempre a mesma anedota torna o comediante previsível; os causos repetidos perdem a aura; o pitoresco pode virar lugar-comum. As efemérides que sustentam vários desses relatos também podem irritar o leitor e, por isso, é melhor deixá-las com quem sabe tratar de vinculá-las a algo mais permanente que o relato raso do fato. É o que faz, dito e repito, o confrade da Academia de Letras de Lorena, José Antônio Bittencourt Ferraz, em seu blog que combina a arte do colecionismo de selos, cédulas e moedas com os aco...

A plástica poética do vôlei

O voleibol é um dos poucos esportes coletivos por cujas equipes ainda ainda vale a pena torcer. Assistir a uma partida é emocionante, mesmo a de campeonatos de menor expressão e com equipes de nível fora da excelência internacional. Simultaneamente, começaram as finais da Liga da Nações de Voleibol Feminina (VNL) e a Copa Sul-Americana de Voleibol Feminina. Já que os meninos decepcionaram e sequer se classificaram na VNL, a torcida ficou exclusiva para o outro naipe. O primeiro jogo das meninas contra o Japão foi vencido com alguma apreensão. Segue a semifinal da equipe contra a Itália neste sábado, 25/7, para, com uma pitada de sorte, encarar a Turquia ou a China no domingo, já que os Estados Unidos surpreenderam e perderam o jogo contra as donas da casa. Bem, donas hoje, pois Macau, local das partidas dessa reta final, já foi colônia portuguesa um dia, até quase o final do século passado. As ruas de lá ainda mantêm a dupla indicação, em mandarim e na língua de Camões. Sei disso porqu...

Medos oníricos

O psicólogo vai ler e reler as anotações do paciente e não entender a recorrência daquele sonho. A casa dos pais, da forma como a memória de quatro, cinco décadas atrás registrou, se apresentou em vários enredos inusitados no mundo onírico. Lembrar da cor do portão antigo, das duas floreiras não mais existentes e compor o cenário com uma horda de mulheres tentando entrar na casa, dizendo que haviam sido convidadas para um evento qualquer, não tem explicação. O exercício da crônica bem feita foi objeto de reflexões neste espaço ( https://adilson3paragrafos.blogspot.com/2026/07/cronistas.html ), com inúmeras fontes de alimentação da imaginação e não vou insistir naquilo que muito aprecio, mas não domino. Vou também me furtar a emitir opinião sobre o que representam a psiquiatria e a psicanálise nesses casos, mantendo em casa tanto a obra completa de Sigmund Freud como os livros sobre pseudociência de Carlos Orsi e Natália Pasternak. Se sonhar custa algo, que preserve a liberdade do pensa...

Guilherme de Almeida

A cerimônia mesclava a natureza cívica da Revolução Constitucionalista de 1932 com a forte presença de militares e membros da polícia estadual e da guarda municipal. Não me incomodava, ciente que já não vivíamos há cinquenta anos e, esperamos, não mais viveremos aqueles plúmbeos tempos. Autores e autoridades circulavam pela praça, alegres e comunicativos. A bela fotógrafa da Força Aérea Brasileira registrava os momentos da solenidade, sem esquecer que ali estava em designação de uma força para atuar em outra, pois nem vento havia para esvoaçar cabelos, muito menos para levar aos céus - de um azul de brigadeiro, com óbvio trocadilho - objetos que devessem ser interditados por caças supersônicos, fossem identificados ou não, pilotados, talvez, por seres nem cinzas, nem verdes. Ela sorria. E o sorriso na pele amorenada cintilava e cativava. Não se esquecia que tinha de acompanhar o senhor alto, esguio, de alta patente e farda quase sem espaço para tantas insígnias. Localizei-a, depois, ao...

Cronistas

A crônica possui definições distintas a depender do analista ou leitor. O registro do dia-a-dia que a etimologia dá a entender é simplificar escritos profundos que atravessam as épocas e, portanto, rompem a barreira temporal. A arte é a de brincar com palavras, sempre, e aqui a vontade é a de reproduzir exemplos crônicos e agudos da imprensa corrente, sem medo da repetição de trocadilhos, nem de cometer justiças e injustiças. Começo por Antonio Contente, Acadêmico de várias instituições, é cronista frequente dos jornais e espaços cibernéticos. Encontramos seus doces e muito bem compostos relatos de suas reminiscências e retratos pitorescos, paisagísticos e urbanos no Correio Popular de Campinas e no Chumbo Gordo (aqui sua mais recente crônica: https://www.chumbogordo.com.br/o-crime-mais-que-perfeito-por-antonio-contente/ ). Ao menos uma vez por semana somos brindados com os escritos, replicados em seu perfil no Facebook ( https://www.facebook.com/antonio.contente.942 ). Dos chamados jo...