Cronistas

A crônica possui definições distintas a depender do analista ou leitor. O registro do dia-a-dia que a etimologia dá a entender é simplificar escritos profundos que atravessam as épocas e, portanto, rompem a barreira temporal. A arte é a de brincar com palavras, sempre, e aqui a vontade é a de reproduzir exemplos crônicos e agudos da imprensa corrente, sem medo da repetição de trocadilhos, nem de cometer justiças e injustiças. Começo por Antonio Contente, Acadêmico de várias instituições, é cronista frequente dos jornais e espaços cibernéticos. Encontramos seus doces e muito bem compostos relatos de suas reminiscências e retratos pitorescos, paisagísticos e urbanos no Correio Popular de Campinas e no Chumbo Gordo (aqui sua mais recente crônica: https://www.chumbogordo.com.br/o-crime-mais-que-perfeito-por-antonio-contente/). Ao menos uma vez por semana somos brindados com os escritos, replicados em seu perfil no Facebook (https://www.facebook.com/antonio.contente.942).

Dos chamados jornalões, leio os dois da cidade paulistana que é a capital do estado para testar a capacidade de produção de bile. O fígado segue em atividade, mesmo com a esteatose em curso e sem a vesícula para armazená-la. Bile é o fel que não pode ser azedo, segundo alguns poetas. Mas usamos a impossibilidade como licença poética assim mesmo. Ruy Castro, outro dia, por volta da Páscoa, invocou de reclamar que não mais se usam as formas pronominais de muitos verbos. Rebuscado tema para preencher sua coluna. Penso que o desuso vai além, pois próclise, ênclise e mesóclise não são mais cogitadas nem como nome dos trigêmeos dos criativos pais que entopem de y, ph e outras atrocidades gráficas os nomes dos filhos. Daria certinho, pois um nasce antes, o outro, no meio e, ao final, vem o último. Assim, Ruy Castro, com o perdão de algum atentado gramatical, às tuas palavras escrever-te-ia doutos elogios a fim de exprimir o agradecimento que eles trar-te-iam, não fosse a falta de vernáculo. Resigna-te, pois, a ouvir, dize-mo o sábio poeta.

Outros cronistas, no entanto, arriscam em espaços mais amplos e tropeçam. Que falem de política é fato, pois nossa evolução levou-nos a sermos seres sociais. Se sociais, também políticos todos somos, queiramos ou não. Mário Prata, como articulista político, é um exímio cronista de ficção. Ele já lançou pérolas imortais em páginas impressas e virtuais: "Filho é bom, mas dura muito" é um de seus títulos que ironicamente reflete o que passamos com os rebentos cuja adolescência avança para além dos 30 anos de idade. Prata pai resolveu lançar Cármen Lúcia, do STF, como candidata à presidência da República, avocando uma suposta polarização política, a qual a ministra teria o poder de romper, pairando acima do bem e do mal. Mas que os cronistas e magistrados continuem todos em seus papéis, dignos até então, ou seja, Cármen Lúcia na defesa da Suprema Corte, o cronista incentivando seu filho no mister herdado, e o povo brasileiro se defendendo cronicamente dos que tentam convencê-lo de que se vive numa polarização que não existe. O que há é um grupo que atenta contra a democracia, e outro que quer construir um país para todos.

Comentários

  1. Que presente belo!!! Como um colar de contas esparramado brilhando com o feixe de luz de um
    Pôr-do- sol esplêndido!

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