Poesia e memória
O que é poesia senão subversão? O que é poesia senão toda sorte e azar de sentimentos? O que é poesia senão aquilo que o poeta, ingênua ou sublimemente, quis dizer? Poesia, como nos revelou Raul Seixas junto com o imortal Paulo Coelho (sim, podemos dele não mais gostar, mas é imortal canônico), é o tudo e o nada. A poesia preenche as frestas inconclusas da existência. Nem precisa de Ferreira Gullar para saber que, mesmo com ela, a vida não se basta. Toda forma de poesia é bem-vinda, a clássica, a moderna, a concreta, a fluida e até a ectoplasmática. A poesia sem forma e a disforme, a poesia ruidosa e a silenciosa, a poesia rimada e a desritmada, a poesia movida a cânones e a levada à cana. Rio ao pensar no chamado verso livre, como se algum verso pudesse ser preso. E o poeta? Apenas um transgressor, um mensageiro, um ser irrequieto que ama em desamor, que sofre em alegrias, que cria por mais descriador que o mundo tenha se tornado, mesmo que o tornado seja um turbilhão de transformaçõe...