Dores e alegrias
Um argumento histriônico leva a imposição da opinião, não a sua aceitação ou compreensão. O atropelo argumentativo se repete, ou quando é iniciado com falsas premissas - os famosos sofismas -, ou com pressupostos frágeis e aceitáveis apenas dentro de condições limitadas. Por exemplo, o colega começou uma discussão supostamente cultural com a expressão "a alma pertence a Deus". Sim, uso a maiúscula, pois assim regula a norma culta por se referir a nome próprio, não porque coloco um deus acima de outro, inexistentes que todos são. Daí a primeira barreira da conversa, ou melhor, a primeira e a segunda, uma vez que a expressão pressupõe a existência de duas coisas, um deus e uma alma, que sabemos serem criações humanas. Belas e intrincadas, mas puras criações de nossas mentes. A discussão poderia enveredar pelas premissas existenciais, mas, com a imposição da frase inicial, afirmativa, fica impossível a continuidade à luz da filosofia, não da religião. Somos o que sabemos, por is...