Crivos e cravos
Escrever deveria ser escrito ex-cravar. Cravar possui várias conotações e uma delas é acertar com precisão (na verdade, o correto é acertar com exatidão, para ficarmos no conceito estatístico mais comezinho). Se o sentido é o de acertar, escrita é erro, daí ex-cravar, não cravar. Talvez tenha sido acerto em algum momento de sua elaboração, mas não é mais. Dos papiros fidedignos à falta de memória às escrevivências de Conceição Evaristo, o processo de registro de palavras e frases a partir do contato do grafite com a celulose é mentiroso. A testemunha ocular do fato é míope - se não cega -, uma vez que, se já é difícil registrar nos meios intestinos o que vai em curso no mundo, o que se dirá daquilo que é fruto de interpretação, da ação do intelecto? Melhor é manter o escrito no ex-crivo da falsidade e aceitar que a melhor literatura continua sendo o retrato da realidade porque ela, a dita realidade, só existe como conceito teórico. Em verdade, escrevemos o que lemos e por isso, em vári...