Ponto no conto
Quem conta um conto, perde o ponto. As proezas de um operário sonhador no coletivo opressor que se atrapalha e não consegue descer onde devia foram enredo de um escrito antigo, já quase esquecido no ambiente eletrônico do computador. Assuntos não faltam para contar boas histórias - ou estórias, deixo para os etimologistas discutirem. Em tempos nos quais juntar palavras parece tarefa fácil que até uma inteligência dita artificial consegue fazer, o desestímulo à escrita só não é maior que o da leitura. Já me questionei quanto os escritores de hoje estão lendo para compor suas obras ou apenas solicitando ajuda alheia para entregar páginas e páginas. No âmbito jornalístico, já houve quem reconhecesse que o texto por ele assinado era de autoria da tal IA. O leitor pagou por algo que é quase gratuito por aí. Digo quase porque Milton Friedman popularizou o conceito de não haver almoço grátis, presente na obra de ficção científica de Robert Heinlein, e aplicado a quase tudo nesta vida material...