Doce e amargo
Insisto em minha existência e, por isso, antecipo a escrita para não sofrer em demasia, pois em algumas horas teremos decidido a próxima década. É muita responsabilidade. E dela não me furto, pois sabemos o que está em escrutínio e ficar do lado certo não é suficiente. Os instrumentos de resistência são muitos, mas deveríamos viver mais para o amor do que sucumbir ao ódio. No Chumbo Gordo da semana, mantido pela querida Marli Gonçalves, já foram externadas algumas das apreensões e também das esperanças. Terceirizo a leitura (https://www.chumbogordo.com.br/esperancar-por-todos-os-espacos-por-adilson-roberto-goncalves/). Nas redes sociais vemos a movimentação orgânica de sentimentos e desejos que revelam que há outros caminhos para a comunicação, caminhos esses que podem também conduzir para abismos incontornáveis. O doce e o amargo deveriam conviver à vontade do degustador, complementares que são.
Com tanta turbulência, as efemérides frequentes neste espaço deixaram de ser mencionadas. Passamos pelo Dia das Professoras e dos Professores, sem sequer uma palavrinha de agradecimento aos responsáveis por minha formação. Vai na forma de uma trova lida na reunião bimestral da UBT-Campinas: Aos Professores eu devo /minha inteira formação, / para eles, com enlevo, / toda minha gratidão! Na sequência veio o Dia do Médico, e tomo o Paulo Sérgio Viana, confrade da Academia de Letras de Lorena, como exemplo do mediscritor - neologismo, talvez, para emparelhar com o quimiscritor que Primo Levi é e já foi objeto de concordância em tempos igualmente intranquilos (https://adilson3paragrafos.blogspot.com/2019/08/quimico-leve-primo-levi.html), cada um trazendo suas vivências para compor as escrevivências. Paulo Viana mantém um blog com a rica arte de escrever em esperanto, a língua universal (https://blogdopaulosergioviana.blogspot.com/). Desconheço a língua, mas a poesia que ele nos presenteia é digna do silêncio necessário para sua compreensão (sim, repito incursões da semana passada). Leituras são sempre agridoces experiências.
Café deve ser tomado sem açúcar para que o sabor da bebida seja sentido, não o gosto doce, falseado. O paladar treinado desde criança sentirá o amargor dessa experiência como obstáculo para sorver o líquido energético e gerará caretas, repulsa e até virada de estômago se o condicionamento desde a infância tiver sido eficiente. Aprendi a gostar do verdadeiro café na metade da minha vida, e foi fruto de treinamento, não de forma espontânea. Passei por todas as reações relatadas e, hoje, a presença do açúcar já dissolvido no café pode ser sentida apenas pelo olfato. O amargor do café é um desafio importante para a descoberta de sua realidade. Outros amargores na vida são indevidos, ainda que nos sejam apresentados como necessários. O convite é para que leiamos mais para descobrir o que está em jogo quando o fel social nos é servido sem qualquer compensação de sabor&saber. Domingo, dia 25 de outubro, será o Dia Nacional de Defesa da Democracia. Que bela - assim espero - coincidência! O projeto de lei 6.103/2023, que prevê a instituição da data, foi apresentado pela senadora Eliziane Gama (PSD-MA), aprovado, e aguarda análise pela Câmara dos Deputados. Independente do formalismo, a data é uma homenagem a Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura nos porões do Doi-Codi nessa data em 1975. Que não precisemos de outras tragédias amargas para nos lembrar da necessidade da liberdade e da democracia.
Parabéns!!!
ResponderExcluirProcede seus comentários meu caro Presidente do IHGGC. Parabéns!
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