Frio enamorado

Frio são duas sílabas na trova: fri/o. A pronúncia corrente como um som apenas não é aceita na nobre arte poética de trovar. Ao contrário dos sonetos, em que há liberdade para moldar sílabas conforme a construção das catorze linhas e dezena de sons, a mensagem em quatro versos heptassilábicos é restrita. Detratores dirão que a trova é chata... Qual nada, detratores tratoristas! Ao digitar no celular, trova vira diretamente troca, pois, se há alguma inteligência ali, poética ela não é. Na troca de sentimentos surgem possibilidades infinitas e nada mais romântico do que emoldurar dizeres em versos que versam aquilo que, por vezes, a inibição não deixa aflorar. Já disse coisas em lápis e papel que não sairiam pelas cordas vocais. A expressão humana pela palavra parece que nos diferencia dos animais, mas, ao que tudo indica, não serve para nos distinguir da nova espécie digital que surge. Se até estudiosos renomados da língua estão se maravilhando com a IDA - inteligência dita artificial - o que se pode esperar de nós, reles mensageiros de sentimentos?

A temperatura baixou, agasalhos foram retirados dos armários, mas o ânimo esportivo esquentou ao ver o Brasil vencer a Itália na Liga das Nações de Voleibol Feminina, quebrando a invencibilidade daquele time há 40 jogos. Tudo bem, o jogo foi em Brasília e a torcida a favor é a sétima jogadora em quadra. Agora começa a Liga Masculina e seguiremos assim em mês intenso esportivo para bolas rápidas e cativantes, alternando mulheres e homens na disputa. Os meninos já venceram a Sérvia, o Irã e a Bélgica, enfrentando a Argentina no fim de semana em jogo de cinco sets, cheio de emoções. Resultado? Convido a consultarem os espaços cibernéticos especializados porque não será nos jornais tradicionais que encontrarão a resposta. Caderno de esportes, no plural, é propaganda enganosa. As emoções esportivas são múltiplas e variadas, com bolas de diversos diâmetros rolando para lá e para cá; no entanto, não há previsão para suspensão do expediente de trabalho para tal deleite, na sequência das partidas de voleibol, como conseguem os que vão ver jogos cujo objetivo é fazer a trionda adentrar as redes.

O pé frio debaixo da coberta pode ser aquecido pelo análogo de outrem. Assim se explica por que o ser humano inventou de precisar de um sexo masculino em sua evolução. Vão dizer que é cópia do que outras espécies fazem, especialmente as de vertebrados, mamíferos aí incluídos. Discordo, pois a mulher é autossuficiente em termos fisiológicos e genéticos, sem contar a obviedade de que a procriação lhe é exclusiva. Homem per se não gera. A clonagem e o DNA mitocondrial revelam tal primazia feminina. Minha amiga bibliotecária assim tentou me convencer, ou seja, explicou que as trocas calóricas, eróticas, líquidas e viscosas superam a lógica da falta de necessidade de um outro sexo nessa história. Puristas irão me desconjurar, disso tenho certeza, mas certo é que neste Dia dos Namorados apenas um olhar de compromisso foi trocado, suficiente para dizer tudo o que é necessário, ainda que insuficiente. E, enamorados que somos, mas sem querer ser um blog de fofocas, uma retificação se faz necessária. A jornalista Júlia Duailibi já não está mais com o escritor Antônio Prata desde a metade do ano passado. Na postagem de abril deste ano (https://adilson3paragrafos.blogspot.com/2026/04/a-ficcao-do-amor.html) eu disse que ambos ainda eram casados. Foi eterno enquanto durou, espero.

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