A ficção do amor

Tudo começa com a escolha de um livro para ler. Se histórico ou não, meloso ou criminoso, é a mão que o acolhe que também determinará o destino da leitura. Dos vários tipos de literatura, vamos ao cronista, que revela seus amores pela ficção, vivida ou inventada. Tom Jobim dizia que cada mulher que ele cantou - e foram muitas - foi uma que o desencantou amorosamente. E haja libido e inspiração para nosso deleite musical. Antonio Prata é filho de Mário Prata. Cronista de mão cheia, revela que a genética é também hereditária. Seu pai é brilhante no domínio da escrita do cotidiano. Filho é bom mas dura muito é uma das tiradas prediletas do Prata Pai. Pratinha, como calorosa ou jocosamente chamam o Antonio, segue os passos paternos, escreve na Folha de S. Paulo, e revelou, recentemente, uma das decepções amorosas da adolescência - a Luana. Pergunto-me se a Julia Duailibi sabe da história. A jornalista é sua esposa e mãe dos dois filhos do casal e, por coincidência, prima em terceiro grau do escritor Roberto Duailibi, que ocupou a cadeira nr 21 da Academia Paulista de Letras, a qual passou a ser de Daniel Munduruku recentemente. O mundo é pequeno, mesmo para quem é grande nas ideias e ações. A questão dos encontros tem base estatística, sabemos, pois, no universo atômico, os elétrons sempre estão por perto, mesmo que negativos sejam.

A literatura parece não ter limites, tanto para o aprendizado quanto para o entretenimento. Não cairei no lugar-comum de dizer que os livros mudam pessoas, pois, em casa, eles apenas mudam de lugar. Os melhores pouco ficam nas estantes e prateleiras - e elas são muitas - espalhando-se por mesas, cadeiras, sofás, banheiros, e, principalmente, pelo chão. Livros mudam de espaço e, pelo jeito, levam consigo a matéria do saber, a energia da leitura e o tempo do prazer. Os livros eletrônicos já são mais comportados, uma vez que, no computador, a noção espacial é limitada, parecendo até que são adimensionais. Ledo engado. Os datacenters espalhados por aí revelam o quanto de espaço, energia e água o acúmulo de informação digital consome para guardar nossos segredos mais íntimos, desde a declaração do imposto de renda, até as mensagens que trocamos com amores&amantes. Ficção por ficção, prefiro a literária que é explícita, sem medos ou disfarces, não aquele de programas televisivos de confinamento humano chamados de entretenimento, sendo que tais programas são apenas símbolo de voyerismo artificial que resulta em bons investimentos comerciais, a Globo que o diga e o saiba.

Como brincaria o poeta, não sei se vou te amar ou se vou amar-te ou se ficarei na Terra mesmo, a mando. A colocação pronominal, tal qual o restante das regras gramaticais, nos coloca à frente, atrás e no meio das interlocuções com a paixão, com o amor. Combinando com a mescla melosa e indecorosa que fazemos entre o você e o tu, fica o filólogo de cabelo em pé, ainda que outros pelos eriçados sejam mais interessantes para se dizer aquilo que dizem que não pode ser dito. Ah, amar é lançar-se ao mar sem nau... Ah, a nau é lançada a amar, ao oceano... Ah, oceano, é ocê ano após ano a-mar. Com o sentimento da poesia do amor, faremos homenagem a Marina Becker na Academia Campinense de Letras nesta quinta-feira, 16/4, às 17h30. A doce poeta nos deixou e precisamos dizer de seu amor pelo viver, de sua alegria na poesia. A iniciativa partiu da escritora e Acadêmica Margareth Park. Teci alguns versos para ela e os mostrarei no evento gratuito, aberto a todos na sede da ACL (vejam no instagram: https://www.instagram.com/p/DW4udKXCRhW/). 

Comentários

  1. Eu encerrei minhas escritas.28 romances e alguns esparsos já está bom

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