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Pressões culturais

Ao nível do mar a pressão atmosférica é maior. A água demora mais para ferver, logo gasta-se mais gás ou eletricidade para preparar alimentos. Pelas contas diretas, uma diferença entre 4% e 6% na energia, a depender da temperatura inicial em que a água está. O custo da comida no litoral é mais alto, conclusão físico-química primeira, já que quase tudo passa pelo cozimento com água e a dupla matéria-energia é que move o mundo econômico. Outra conclusão é que os humores internos são apaziguados pelos externos, mesmo tudo sendo sal dissolvido na água, eis a vantagem de estar no litoral. A perfeição é atingida com a interlocução dos silicatos, conhecidos também por areia, finamente espalhados na orla por ondas, e o sol se pondo por trás de montanhas ou mesmo do mar, dependendo do ângulo geográfico em que se está. Matéria e energia na melhor simbiose. Sim, uma semana de férias na praia é condição revigorante, necessária, quase uma prescrição médica, sem precisar do atestado oficial para cab...

Início quente

Uma das tarefas de início de ano em tempos cibernéticos é limpar a enxurrada de mensagens de boas festas recebidas, a maioria de caráter impessoal, réplicas de outras. Nos tempos dos cartões de Natal e Boas Festas em papel, o custo do material impresso e dos selos para remeter pelos Correios limitava - e muito - a seleção de destinatários. Selos e remessas que contam belas histórias, não nos esqueçamos, como bem nos lembra o confrade José Antônio Bittencourt Ferraz em seu blog ( https://lorenafilatelia.blogspot.com/ ). Hoje enviamos mensagens a quem não conhecemos e, da mesma forma, recebemos respostas. As dos amigos e conhecidos são mantidas, claro, criando um histórico digital de como caminhamos ao longo do tempo em termos de desejos e aspirações. A saúde e a paz continuam no topo da lista, ainda que uma dependa muito de nós, a outra, dos nós a serem desatados internacionalmente. A prosperidade passou a figurar em mensagens, influenciada pela plutoteocracia, provavelmente. Religiosos...

Quase ano novo

Ainda não ganhei um livro de amigo secreto neste fim de ano, mas comprei outros muito bons. Como entretenimento, adentrei a leitura do mundo de Tom Ripley, o conjunto de cinco livros de Patricia Highsmith, comentado em artigo para o jornal A Tribuna Piracicabana do dia 20/12 ( https://www.atribunapiracicabana.com.br/edicao-pdf-virtual-piracicaba/ ). A editora da Unesp havia lançado em 2024 "Its All True: A odisseia pan-americana de Orson Welles", de Catherine L. Benamou com tradução de Fernando Santos que somente agora adquiri e me pus a ler ( https://www.livrariaunesp.com.br/its-all-true-a-odisseia-panamericana-de-orson-welles-catherine-l-benamou-editora-unesp-9786557111482/p#sinopse-completa ). Sempre me intrigou o filme inacabado de Welles no Brasil e em outros países latino-americanos. O livro adentra, como pesquisa acadêmica e boa narrativa, nas condicionantes que levaram a essa incompletude. A obra contém um bom sumário do roteiro, o que dá uma ampla visão do que poderi...

Então ainda não é Natal

Ainda não é Natal, mas quase. Revisões, balanços e retrospectivas já eram comuns no jornal, na televisão, nas nossas vidas, e, agora, invadem as redes sociais e toda e qualquer mídia que se apresenta. As telas nos transportam para um mundo que parece não existir de verdade e que nos surpreende a cada clicada. Daqui a dez dias, tudo será diferente, pois nos banharemos nas águas da folhinha nova, em restauro de mentes, corações e intenções (precisaria levantar uma plaquinha de sarcasmo nesta hora...). A contagem do tempo, junto com o seu passar marcado pelos astros, era para ser algo natural, benéfico, prazeroso, não para impor uma característica pouco festiva que nos atormenta e consome as energias: o prazo. O tempo é misericordioso e o prazo é implacável. Aquele, tempera nosso saber, este ignora nosso sabor. Não é Natal, ainda, mas as ruas dizem que o fim está próximo, como se o período concomitante ao infanticídio promovido por Herodes tivesse sido substituído pelo Armagedon apocalípt...

Oitos idos de dezembro

A data marca a morte de Tom Jobim em 1994 e a de John Lennon em 1980. Em diferentes décadas, perdemos ícones da música mundial, sabendo que muito mais ainda tinham para alegrar a nossa existência. Jobim viveu quase 68 anos e Lennon apenas 40. Pelo que os oitentões estão produzindo do bom e do melhor na música e em outras artes, podemos imaginar o que esses dois ainda fariam com seus acordes e letras. Restou que no mesmo dia aconteceu a indicação de Wagner Moura e do filme "O Agente Secreto" para o Globo de Ouro, superando, até, as indicações do ano passado de Fernanda Torres e "Ainda Estou Aqui". Também integram a lista de pré-selecionados ao Oscar e já antevemos um início de ano de torcida e angústias, sem esquecer que a própria indicação já é uma conquista. Ao menos nas artes superamos os desvarios da política. Clarice Lispector foi a efeméride da semana porque conseguiu nascer e morrer praticamente no mesmo dia. Certo que a escritora ucraniana, naturalizada brasi...

Coloridos e desbotados

Dezembro já vai em curso, o mês mais curto do ano. Todos querem resolver em 31 dias aquilo que não concluíram ao longo do ano. Na verdade são 20, 22 dias; depois disso resta apenas o Natal e as bem aventuranças escondidas em algum remoto canto que se revelam em sorrisos amarelos, decorações vermelhas, outros coloridos alimentares, e, ao que tudo indica, uma imprensa continuamente marrom. O mês que parecia frio quanto às notícias políticas, acabou por se aquecer com movimentações entre os poderes. O indicado ao STF ganhou tempo para se articular, o Senado não gosta das decisões do STF, a economia vai muito bem, e o Parlamento continua atuando contra o Executivo. Já alertaram para desvincular o blog da política, como se fosse possível pensar a consciência sem um corpo. Fato é que não gosto de dezembro que carrega o único consolo de anteceder o janeiro de férias. A publicação em sexta-feira faz voltar a periodicidade do blog, véspera do aniversário de minha professora Sandra Franchetti. R...

Somos selvagens

O feriado prolongado passou e, mesmo ausente de manifestações e celebrações, houve o acompanhamento de acontecimentos ao toque do teclado. Algumas simbologias marcam, tal qual a escolha de mais um ministro branco para o STF, o incêndio na COP-30 - muito provavelmente os combustíveis queimados são de fonte fóssil - em momento em que se caminhava para o sucesso relativo desse tipo de evento, e a retirada de mais um pacote de taxas de importação de produtos brasileiros por parte do governo norte-americano. Parecem todos acontecimentos pretéritos. E são. Mas é no entendimento do passado que tentamos viver o presente. Ao menos alguma ciência adentrou a discussão política e mandatários entendem, um pouco tardiamente, que o aquecimento global e o aumento da incidência de eventos climáticos extremos levarão à morte muitos de nós. Países insulares poderão ser extintos, e outros com extenso litoral, como o Brasil, já vivenciam o avanço do mar e a destruição de construções à beira da praia. Mais ...

Ambiente da arte

Se fizeram a COP-30 coincidir com os dias próximos ao do aniversário da República ou com o impacto devastador do tornado em nosso país, não sei. Encontros humanos podemos marcar no calendário e receber as visitas com o toque da campainha. Os eventos naturais, não. Fenômenos climáticos extremos seriam combatidos com ações políticas complexas, para usar chavões em voga. A natureza não se vinga, lembremos, ela apenas responde termodinamicamente às ininterruptas interferências aos sistemas que, redundantemente por natureza, buscam o equilíbrio, seja como for. A escala é que muda e torna-se significativa. Para o universo, o aquecimento global em curso na Terra absolutamente nada representa; para a microflora de vários ecossistemas, já foi causa da extinção. Para nós, ditos humanos e sábios, o impacto já se faz notar e o vento que venta aqui não é mais o mesmo que venta lá, distorcendo a canção de João Mulato e Douradinho, que escutei bastante na voz de Elis Regina. A arte segue em alta, com...

Manga e topázio

Talvez o conteúdo do blog tenha mudado a fim de acomodar o ritmo acelerado do momento, o que também compensa atrasos e frustrações. Como dizem os "coaches" charlatães, vamos trazer o positivo e expulsar o negativo, como se a natureza assim o permitisse. De qualquer forma, devemos falar mais de vida do que de morte, ainda que uma seja consequência da outra. Ao nos posicionarmos no mundo, física e politicamente, engolimos muita coisa, de sapos a microplásticos, de alimentos a venenos, mas uma joia guardada em estômago seria mais nociva de que a chance de contrabando, pergunta que faço. Já engoli uma bolinha de gude, que, lisa e placidamente, saiu por onde tinha de sair, sem necessidade de intervenção interna. A mãe dirá que rezou, mas, mesmo que assim fosse, não foi ajuda interna. A intervenção do além não conta. Alguns alimentos podem ter sido ingeridos para facilitar a movimentação. Isso já não lembro. Mas saiu. O vidro esférico não era um topázio, ou qualquer outra pedra val...

E novembro começa

Dia dos mortos, de santos, de fadas, de bruxas e de sacis. Cosmicamente, estamos aproximadamente entre o equinócio da primavera e o solstício de verão, talvez por isso os ancestrais tenham dedicado o período à interlocução mística e mítica com o mundo real. Sim, quase tudo o que rege as crenças e religiões modernas possui uma raiz em um passado não muito distante. Cada crença, da mesma forma que cada conhecimento, é construída sobre algo que já estava ali, aprimorando-o ou deturpando-o. Isso serve para mundos reais e imaginários. A Idade Média - retrógrada em termos religiosos, por exemplo - foi profícua no desenvolvimento científico em outras partes do mundo que não a Europa central. Hoje o retrocesso religioso parece mais amplo e intenso, penetrando de forma explícita na vida cotidiana de todos. Nunca antes foi disseminado tanto ódio por meio de instrumentos tidos como do amor. E o conhecimento tem sido outra vítima, além dos que vestem peles escuras e moram em periferias, levando a ...

Guerra e paz

A obra "Guerra e paz", de Leon (ou Liev) Tolstói, é um catatau de mais de 1500 páginas, considerando uma edição mais recente de capa dura. Foi lido há um bom tempo e não está na lista para releitura, por enquanto. Concluído em 1869, conta a história das guerras europeias do início do século XIX, tendo Napoleão Bonaparte como um dos personagens, mas não é sobre ele o enredo, mas, sim, de famílias aristocráticas e suas incursões bélicas, com as inúmeras consequências. Uma obra desse porte possui várias versões e parece que o autor manteve os originais com outro final que foi publicado bem recentemente, além da primeira versão, que começou a sair em fascículos em jornal, como era comum na época. O filme, baseado no livro, em intermináveis três horas e meia, é outra obra prima. Feito em 1956, com Audrey Hepburn, Henry Fonda e grande - no duplo sentido - elenco, foi dirigido por King Vidor e creio que passou na televisão na forma de capítulos, como uma minissérie. Também tenho mem...

No ritmo do algoritmo

A liberdade é determinada pelo algoritmo, eis o resultado de nossas escolhas modernas. Na minha time line aparecem sites de literatura, de escrita criativa, de matemática, de curiosidades científicas e dos meus amigos mesmo, ou, ao menos, conhecidos ao longo da vida. Mas quando aparece algo inusitado, como uma propaganda da extrema direita ou um site de pseudociência vendendo cura quântica, eu fico preocupado se o algoritmo encontrou em algum clique meu aquela tendência. Sim, somos produtos de nossas buscas frenéticas pelo mundo cibernético, queiramos ou não. Quando fiz a especialização em Jornalismo Científico, há oito anos, foi a primeira vez que fui apresentado ao poder computacional de ler nossas mentes e lábios. Se conversamos sobre um assunto próximo a uma dessas máquinas, não tarda para que apareçam propagandas com alguma referência ao que falamos. Se comenta-se que hoje pode estar chovendo e que não tem guarda-chuva, nem capa plástica de proteção, em alguns minutos aparecerá u...

Guardando segredos

Creio que o dia da secretária é pouco lembrado. Comemorado a 30 de setembro, era a ocasião em que se dava um cumprimento especial àquelas - sim, eram quase todas mulheres - que faziam funcionar os escritórios e departamentos, por meio de sua organização e atendimentos. Não chegava a lhes dar flores, mas deixava uma frase para registrar a data. Portadoras dos segredos, segundo a etimologia, partilhavam os anseios para que a burocracia funcionasse, ainda mais no tempo em que o papel era o elemento crucial de despachos, memorandos, processos e que tais. Hoje é o dedo trêmulo sobre o teclado, mouses e telas que decide para onde vai o documento, também virtualmente escrito, quiçá por alguma ferramenta da inteligência dita artificial. Os verbos estão no passado porque não acompanhei a modernização de secretarias na última década e talvez faça injustiças. Ser injusto é condição humana piorada quando resultado da falta de conhecimento.  Elas e todos nós realizamos funções nem sempre valori...

Te amo

É primavera e Tim Maia perfuma o ambiente com seus graves sons coloridos. A mudança de estação faz agitar as árvores, os pássaros e nós humanos em nossos ninhos e nichos, exacerbando os fluidos naturais que carregam o amor que nunca nos abandona. Falar-te-ia amo-me, caso a mesóclise fosse algo palatável para a egoísta relação. Mas vamos usar outras relações gramaticais, com orações mais coordenadas e menos subordinadas. E mais simples. Nossa língua é saborosa, soube-me muito bem com as inserções que se mesclam por glotes e glandes. O corpo fala, e fala mais na estação das flores, e paro aqui os trocadilhos para não ser censurado com rótulo de 18+ nos escritos do blog. Não é necessária a pornografia para a plena grafia. No âmbito acadêmico e literário, registro a felicidade de ver o Daniel Munduruku eleito para a Academia Paulista de Letras, o primeiro indígena a adentrar a agremiação ( https://www.academiapaulistadeletras.org.br/noticias.asp?temp=10&materia=5857 ). Meu colega da Ac...

O motor e o som

Todos os homens do ex-presidente tramaram ao longo da semana e o filme que consagrou os bastidores que levaram ao escândalo de Watergate foi relembrado devido à morte de Robert Redford, um dos protagonistas. Foi no mesmo dia em que lembramos os 129 anos de morte do campineiro Antônio Carlos Gomes, o maior compositor das Américas, em 16 de setembro. O carro na oficina, de novo, impediu a ida à bela cerimônia no monumento-túmulo e a outras apresentações musicais na cidade, que respira um mês destinado à memória do maestro. Ainda há eventos acontecendo nesta última semana, cuja programação pode ser conferida aqui: https://campinas.sp.gov.br/noticias/mes-carlos-gomes-2025-tem-programacao-especial-em-campinas-confira-as-atividades-128547 . De certa forma, a resignação doméstica foi injustificável, pois transporte não falta. O resguardo vai além de uma falha mecânica automotiva, uma vez que são outras as disfunções. Estou doente, uma tosse tratada a xarope, que deve ser consequência de algo ...

Placares

O gol é o objetivo do futebol. Um jogo que termina em zero a zero deveria, da mesma forma, não dar ponto nenhum aos dois times. Se não deram alegria ao jogo, por que obter alguma premiação? Dirão que, mesmo com o placar imaculado, um time atacou mais e o outro conseguiu se defender bem e, por isso, não houve gols. Sim, mas outros jogos são mais francos e os gols aparecem. Na minha ingenuidade futebolística, isso estimularia o time a sair para o ataque, pois perder o jogo teria o mesmo peso de empatar em zero a zero. Mas parece que os torcedores, os cartolas, os comentaristas e os patrocinadores somente estão preocupados com a ficha policial de cada um, envolvidos que estão com brigas, desvios de dinheiro, bilionários contratos publicitários e de transmissão, corrupção e uso de sistemas ilegais de apostas. Continuo preferindo as bolas mais rápidas do vôlei e do tênis, não que sejam isentas das brigas e fluxos financeiros. Elas não me dão sono. Saindo do esporte e indo para uma palestra ...

Cartas

É um pleonasmo redundante a cotidiana missiva diária do dia-a-dia que me faz interagir com o mundo frio ao redor. Se não aquece a inexistente alma, esquenta o teclado derivado da máquina de escrever, lembrando o tempo das aulas de datilografia. A Folha de S. Paulo me presenteou com a dedicação, abrindo espaço para publicar "Missivista contumaz" por ocasião de seu aniversário deste ano ( https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/02/missivista-contumaz.shtml ). Não que o jornal publique tudo o que lá chega, mas alguma coisa fica estampada naquelas páginas. Chamamos de cartas, mas estão longe daqueles papéis pautados ou não, com letra cursiva em que o pensamento vinha antes da expressão, pois não se admitiam rasuras. Algumas eram perfumadas, como as que recebia naquele longínquo mês de março de 1994 quando estava ainda só na Europa. As missivas podem render prêmios inusitados. Já ganhei dois anos de assinatura da revista CartaCapital pela seleção de cartinhas lá publicadas, ain...

Não tenho roupa para a festa

Nos tempos de Faenquil, a Faculdade de Engenharia Química de Lorena, antecessora da Escola de Engenharia de Lorena, hoje um campus da USP naquela prestigiosa cidade vale-paraibana, estudamos os resíduos agroindustriais de várias maneiras. Certa vez fomos procurados por uma jornalista voluntariosa que queria investigar a possibilidade das fibras de bagaço de cana comporem tecidos finos a serem usados em desfile de modas. Ela tinha contatos e a ideia de compor uma bandeira - um pedaço de tecido que seria usado para costurar um vestido, por exemplo. Conseguimos um financiamento para bancar um pré-estudo que incluiu alunos de graduação. Batizamos a empreitada de "bagaço-fashion", não sem a devida ironia. Usando a semelhança fonética, dizia-se que eu era fashion: fechem os olhos para o que visto. O que de mim é visto não é o que visto. Nunca tive preocupação ou interesse para o vestir. Meus dois ternos são os mesmos comprados e usados pela primeira vez no casamento de meu irmão, ...

Narrando o imaginário

No final de semana foi a festa de aniversário dos 16 anos da Academia de Letras de Lorena (ALL), com excelentes palestras, bolo e o lançamento da coletânea contendo a produção de todos os integrantes de nossa entidade. Sumários acerca do acontecimento pipocam por aí e o caminho primeiro para ver as fotos e ler comentários é o Instagram ( https://www.instagram.com/academiadeletrasdelorena/ ). A parte musical ficou por conta dos Acadêmicos Guto Domingues e Joffre Capucho, que fizeram duetos e apresentaram o Hino da ALL, composto pelo Joffre e pelo também Acadêmico Luís Otávio Cardoso; vejam só, temos um hino! Meu artigo na coletânea relata a história deste jovem Blog dos Três Parágrafos, com seus frutos, acidentes, agruras e a conclusão de que é meu principal lugar de fala e de refúgio. A narrativa que empreguei foi a mais próxima da realidade, mas, escritor que todos somos, o imaginário adentra toda e qualquer página escrita. Por isso preciso atualizar o Blog, pois quero ficar pronto pa...

Escolha de palavras

Cada palavra possui um significado único. Mesmo no caso de sinônimos, a escolha entre um e outro leva em consideração uma série de vontades e verdades pessoais, fato que os dicionários escondem. Há vocábulos efêmeros, que simbolizam acontecimentos momentâneos que o tempo apaga. E existe o que é sem ter um rótulo específico. O que há algum tempo tem sido denunciado pelo mau uso das redes sociais envolvendo crianças, ressurge com o nome de adultização, termo que aparece já no final dos anos 1960, sendo mais frequente nos anos 1980, mas sem constar dos dicionários até hoje. Curioso que o verbo do qual é originário não aparece em consulta à hemeroteca digital da Biblioteca Nacional. Ou seja, Aurélio e Houaiss não se interessaram por aquilo que representava a supressão criminosa da infância de crianças. Sérgio Rodrigues, na Folha de S. Paulo, é quem está atento ao jogo de palavras no qual estamos inseridos, mesmo sem o querer. Além da adultização, dia desses ele falou da origem da traição, ...