Segredos que fazem água
A semana iniciou com a ansiedade pelo levantamento do sigilo de documentos referentes ao assassinato de JFK. Parece que nada de novo dali aflorará, mas a expectativa era de que, enfim, esclareceriam o trajeto da bala mágica que matou John F. Kennedy, ou que a CIA, KGB e não sem mais o quê poderiam estar envolvidas em seu assassinato e no assassinato do assassino dias depois. Um prato cheio para teorias da conspiração e adorei assistir ao filme de Oliver Stone JFK - A pergunta que não quer calar, de 1991, que trata de outras versões do crime, além do mostrar o assédio a Abraham Zapruder e seu filme caseiro, considerado o único registro detalhado dos tiros na comitiva em Dallas, naquele 22 de novembro de 1963. Outro filme, Parkland, de 2013 dirigido por Peter Landesman, realça as inconsistências na autópsia do presidente morto. Os mais de 2 mil documentos, com 60 mil páginas, agora liberados, podem ser consultados aqui: https://www.archives.gov/research/jfk/release-2025. Vou aguardar historiadores e outros especialistas fazerem a devida análise para dizer se há algo de novo ou apenas esclarecimentos pontuais de trechos antes censurados. A título de curiosidade, o primeiro documento mais extenso diz respeito ao monitoramento de Lee Oswald, o assassino de JFK, quando de sua estadia em Helsinki.
Por aqui, temos a morte de Juscelino Kubitschek, com iniciais semelhantes, igualmente intrigante, ainda mais que o regime era ditatorial quando ele morreu. A investigação sobre sua morte também será retomada. JK era um desafeto dos milicos que comandavam o país em 1976 à base de sangue, suor e lágrimas. Sangue das vítimas que lutaram pela democracia para reestabelecer a ordem constitucional golpeada em 1964, suor dos trabalhadores que continuaram a sustentá-los - e continuam até hoje para pagar soldos, pensões a suas filhas, além dos polpudos auxílio-pijamas a militares que insistem em conspirar golpes de Estado -, e lágrimas, muitas lágrimas de todos os brasileiros que viram seus filhos serem torturados, mortos ou, com sorte, apenas exilados. Muito dessa história ainda está para ser contada. Não por menos, foram marcantes as celebrações pelos 40 anos da volta da democracia, com a posse de José Sarney na Presidência do país em 1985, ainda precária, pois sua eleição fora indireta pelo colégio eleitoral e ele era o vice na chapa com Tancredo Neves, que viria a falecer menos de um mês depois.
Cláudio Lembo morreu. Era o governador de São Paulo em 2006 quando houve um forte levante do PCC pelo estado. Marcou-me porque naquele ano houve a extinção da Faculdade de Engenharia Química de Lorena (Faenquil), transformando-se em um campus da Universidade de São Paulo, hoje chamada Escola de Engenharia de Lorena. O decreto fora assinado por Lembo e não por Geraldo Alckmin, filho da região, mas que renunciara ao cargo para concorrer à Presidência da República e perder a eleição para Lula, de quem é o vice hoje (essa será sempre uma boa história política). Junto com um colega, havíamos sido convidados para escrever um artigo para a Folha de S. Paulo sobre nossa pesquisa com aproveitamento do bagaço de cana-de-açúcar e outros subprodutos agrícolas, assunto que estava em destaque, mas ele foi preterido porque a 'pauta caiu' devido aos ataques do PCC, segundo nos respondeu o contato com o jornal. O artigo fez água pois outra musa se alevantou, pedindo perdão a Camões. Água por água, resta lembrar e tentar comemorar o Dia Mundial da Água neste sábado, 22 de março, mesmo com grande secura e agruras, precedido, como sempre, pelo tradicional equinócio de outono e Dia Mundial da Poesia (como se todos não fossem).
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