Responsável ascensão
As poetas, escritoras e leitoras deste blog Maria Felim (https://www.instagram.com/mariaafelim/), Maria Cristina de Oliveira (https://mkolliver.blogspot.com/) e Júlia Heimann (https://www.instagram.com/juliafheimann/) muito me honraram com seus comentários acerca da importância - e responsabilidade - das academias literárias e culturais. Outros comentários são anônimos, agradecidos da mesma forma. Um grande desafio moderno é levar essa importância a todos, não apenas àqueles que já são familiarizados com a vida e apresentações culturais. Há uma indevida aura de distanciamento, parecendo que a academia vive em mundo distinto, como se fosse constituída por nobres conhecedores do idioma que estão a cultivá-lo e que os demais, não acadêmicos, apenas aceitem. Assim não é e não pode ser. Semelhante a outras academias, estamos ali para exercitar a cultura. Sim, grande distinção deve ser feita, tanto é que aqui fiz a opção por usar minúsculas, ainda que alertado para a possível confusão entre academias. Mas temos de exercitar a literatura, clamando pela presença da população, como é feito, e que todos participem do processo pela produção de literatura, qualquer que seja a definição que dela se faça. Sigamos, ao menos, pela leitura de poemas e outros textos para que todos conheçam. Ler e reler é a vida plena.
O aniversário de Lima Barreto foi em 13 de maio. Ele, que não conseguiu adentrar a Academia Brasileira de Letras, mesmo depois de três tentativas, relatou que assistiu às festividades pela assinatura da Lei Áurea quando tinha sete anos, lembrando-se de detalhes, fato que o marcou. Neste ano, a data transcorreu no país de forma morna, em função do friozinho que se avizinha, mas, principalmente, pela quentura de outros assuntos, que começam com as revelações em nível master de falcatruas para realizar filmes de propaganda de políticos presos ou ficção sobre uma mula sem cabeça, passando por protestos universitários dos mais distintos matizes - justos, em sua maioria -, notadamente em nosso estado de São Paulo. É a mesma unidade da federação em que houve uma explosão causada por empresa privatizada de serviços e que, até o momento, levou à morte de duas pessoas e ferimentos graves em outras três. Vemos que as decisões do passado levam a suas consequências presentes, quaisquer que sejam. Por isso, responsabilidade não é condição apenas do acadêmico.
Esporte também é cultura, mas os sentimentos exacerbados por algumas torcidas fogem do racional. Se soltam fogos na convocação do time duvidoso, o que será de euforia ou decepção quando for logo eliminado nas partidas, haja vista a falta de conjunto que claramente possui? Poderiam ser responsabilizados pelo que não fazem, mas, ao que tudo indica, não é mais condição de ascensão social ou econômica ser selecionado para esse grupo. E não é de academias de que se trata. Se a tradição cultural leva ao resgate do papel como uma das formas importantes de registro, as bancas de jornais voltam a ter importância nos próximos dois meses para a bissexta troca de figurinhas que estampam os jogadores de futebol, participantes ou não do evento que logo se inicia. Isso faz voltar a ler Lima Barreto, peremptório ao ser contra o futebol. Busquem as várias crônicas que escreveu condenando o esporte por motivos distintos dos que temos hoje. Uma delas, curta, está aqui (https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/15981/o-football), mas o universo textual é grande, ampliado com os estudos dos que analisaram a condição social da época que levou Lima Barreto a criar ojeriza ao ludopédio, diferente da simples apatia dos que têm sono quando veem, hoje, uma dessas partidas.
A Academia pode oferecer muitos momentos prazerosos para leitores e interessados. Debates, rodas de discussão etc
ResponderExcluirFazer do lugar um espaço acolhedor, escapando da idéia de um Olimpo para deuses(imagem calcada muitas vezes na imponência do prédio,pode ser um interessante desafio