Mundo da Lua
Olhe ao redor e se espante ao saber que um em cada três indivíduos que compartilham o espaço com você não acredita que o homem já esteve na Lua. Isso se não for você um desses três. Aí terá de parar a leitura e ir se deleitar com os tios e tias dos grupos de WhatsApp que propagam fakenews de toda espécie ou assistir aos vídeos do Brasil Paralelo. Mas, se fizer parte dos dois terços lúcidos, deve ter se deleitado com o lançamento da missão Artemis II que fará um sobrevoo em nosso satélite natural por estes dias. Sim, o custo é alto, mas necessário. A empreitada está repleta de simbolismos, desde o nome ser o da deusa grega irmã gêmea de Apollo, que nomeou as missões lunares meio século atrás, até ter uma tripulação composta pela primeira mulher e pelo primeiro negro que verão o lado oculto da Lua. A data escolhida é que causou certo desconforto, pois o primeiro de abril é tido como um dia de mentiras verdadeiras, não as falsas que assumem como redentoras do país e da humanidade. Antes, os jornais publicavam uma capa falsa ou uma notícia alarmante nesse dia para brincar com seus leitores. Hoje, é difícil saber o que não é mentira no noticiário, de power points retratáveis a pesquisa de opinião de instituto que só pergunta a gente abastada e abestada.
Os 33% que negam as viagens lunares não se distinguem significativamente entre homens ou mulheres, faixas etárias ou mesmo entre pessoas com diferentes graus de escolaridade. De qualquer forma, os mais velhos e mais escolarizados compreendem melhor a realidade, um pouco acima do erro da amostragem da pesquisa. Os números não assustam, pois as porcentagens são semelhantes aos que têm outras crenças ou descrenças, tão estapafúrdias quanto acreditar que a conquista da Lua foi simulada. O problema é que o número de negacionistas e contrários à ciência tem aumentado na última década. Cabe, assim, uma resposta ao leitor anônimo de meu blog do início da semana, o autor do terceiro comentário (https://adilson3paragrafos.blogspot.com/2026/03/aguas-clonadas.html). Não deixei Copérnico de fora ou quis contestá-lo, apenas fiz alusão à imagem primeira que temos de um fato astronômico - o geocentrismo - para depois, com elementos comprobatórios, entendermos que são os planetas que giram ao redor do Sol. Apenas a ciência experimental é capaz de dar contornos lógicos e verdadeiros à natureza.
Quem sabe retornando ao espaço reencontramos nossa natureza humana. Assisti ao lançamento da cápsula Orion, levada pelo foguete SLS (Space Launch System, em português Sistema de Lançamento Espacial), colocando Sinatra para ouvir - Fly me to the moon. A chegada da nave ao outro lado da Lua poderá ser acompanhada com um bom Pink Floyd, The dark side of the moon, outro clássico. O título faz alusão a um conceito equivocado, pois o outro lado da Lua não é escuro. Ele recebe luz do Sol da mesma forma que o "lado de cá", aquele que fica voltado para nós. Apenas não nos é visível. Esse evento astronáutico e científico é um encontro perfeito em véspera de feriado prolongado. Se sou fiel? Sim, a meus princípios, mantendo os pés no chão, sem deixar de admirar a tecnologia e a poesia. E tentando consolidar a trova como poesia majoritária, teci estes versos para este fim de semana: Dentro do supermercado, / o povo agora debate / como sobe no feriado / o preço do chocolate.
Oi Adilson, aqui é a Kátia, melhor me identificar, rsrs. Adorei. Excelente, como sempre, e a trova é perfeita para fechar sua reflexão. Feliz Páscoa!
ResponderExcluirOi Adilson, vou imitar a Kátia e me identificar, eu sou a Júlia Heimann, de Jundiaí, se for dar bronca, virá endereçada kk. Quando um leitor faz alguma observação é sinal positivo, mostra que leu com atenção o texto. Quando eu lecionava, incluía algo errado para saber se estavam prestando atenção ou repetindo como papagaios.estrategia que deu certo kkk abraço
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