Números no mundo

O 8 em pé é o cubo de 2 e é um número que contém várias datas emblemáticas, desde o da luta feminina de março até o da luta revolucionária de outubro, sem contar o do criminoso ato de janeiro. Paroquialmente, o de dezembro é feriado em Campinas. Deitado, será o símbolo do infinito. Os números governam o mundo, enunciado atribuído a Pitágoras, anúncio pretensioso, mas reflexo de que a matemática está presente antes de a estudarmos. A expressão foi usada também como título de um das dezenas de livros de Malba Tahan, pseudônimo - na verdade, um heterônimo - de Júlio César de Mello e Souza, professor de matemática que buscou popularizar a ciência por meio de suas maravilhosas obras. Mas não foi somente a literatura seu destaque. A história dele, natural de Queluz, e de seu irmão João Baptista, também escritor, é muito rica e meus colegas do IEV - Instituto de Estudos Valeparaibanos - estudam ambos a fundo e com muita propriedade. A internet está recheada de informação sobre ambos, mas podemos começar com o blog Escritores Valeparaibanos, de José Antônio Bittencourt Ferraz (https://escritoresvaleparaibanos.blogspot.com/2022/05/julio-cesar-de-mello-e-souza.html). Ficando dentro da matemática, esta publicação era para ter saído em mais uma sexta-feira, 13, mais foi ficando para o dia seguinte, em comemoração ao número pi (π), que tem o valor aproximado de 3,14, isso porque em inglês é assim que se menciona a data: 3/14.

Da matemática para o funcionamento do cérebro, um longo caminho é percorrido, começando pelos impulsos elétricos que lá chegam. A imagem vivida e retida daí resultante é falha e, por isso, creio, a psicanálise é contestada como ciência. A solução ou procedimento que venha a servir para a cura de um indivíduo, exclusivamente, já tendo como prerrogativa que não servirá para os demais, faz com que deixe de ser ciência. O assunto é complexo e controverso, haja vista o que Natália Pasternak e Carlos Orsi suscitaram com seu livro "Que bobagem!". Atenho-me ao caso particular de uma palavra ou número que fica registrado na memória. O registro não é, necessariamente, reflexo real e completo da situação que foi vivida para produzir aquela informação. O conceito de testemunha ocular funciona bem em enredos ficcionais, uma vez que a ciência forense - a de verdade - pouco nele se atém. Os fatos, provas e evidências são os instrumentos utilizados para determinar a autoria de um crime, por exemplo. Durante a investigação podem até usar os testemunhos pessoais como complementares, tal qual ocorre com as colaborações premiadas (ou delações, na linguagem popular) de criminosos a delatar outros criminosos. Ainda na questão forense, um exemplo é o "testemunho" de assalto: o impacto do ato leva a uma explosão de adrenalina e nosso cérebro registrará o que julgou importante naquele instante ou, para se defender, pode não registrar muita coisa.

O registro de memórias é importante para, no conjunto, resgatar nossa história, para dar números vivos sobre a quantidade de saberes e dissabores pelos quais passamos. Um desses memorialistas da palavra foi Manoel Bastos Tigre, que teve importância na profissão de organização de livros e em sua escrita de muita coisa, jornalista e poeta que era (https://pt.wikipedia.org/wiki/Bastos_Tigre). A data de seu nascimento, 12 de março, foi adotada como a do dia da Bibliotecária e do Bibliotecário. Ou melhor, da pessoa Bibliotecária, tentando moldar o termo para novos modelos de comunicação existentes, ainda que, legalmente, vivemos buscando um futuro anacronicamente. Meus parabéns a todas as pessoas que cuidam e nos guiam pelo prazeroso mundo dos livros. Ou melhor, dos mundos dos livros, virtuais, eletrônicos, pensados, impressos e imperfeitos. A concordância gramatical em gênero e número nem sempre é respeitada, ou melhor, ela evolui para outras dissonâncias. A evolução da palavra é dada por quem a usa e não por quem a regula, mas um mínimo de regras precisa ser definido e mantido. Caso contrário, estaremos todos a falar uma babel de termos sem saber se concordamos ou discordamos. Alguns usam a confusão como método para conquista do poder; porém, fiquemos com o comezinho de apenas usar a língua para uma comunicação pacífica (podemos usá-la também para deleites corpóreos outros, impublicáveis neste pudico espaço).

Comentários

  1. Puro deleite ler seu blog! Parabéns.

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  2. Cada parágrafo tem um grande valor!!! Gratidão!

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  3. Amei a referência ao dia do Bibliotecário! 🥹👏👏👏👏

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