Um mês a menos
Gostei de rever anotações sobre a obra de Euclydes da Cunha para compor a apresentação na Academia Campinense de Letras. Além de Os Sertões, ele escreveu o que viu no país - e também fora dele - com uma estética particular, mesclando a precisão do engenheiro com a dura poesia de sua natureza. Natureza de Euclydes e do Brasil. Talvez tenha adoecido antes de completar a outra obra magnânima, que versaria provavelmente sobre a Amazônia, isso porque alguma doença pulmonar já o teria abatido, segundo alguns relatos de biógrafos. A fragilidade do corpo junto à mente inquieta talvez o tenham levado ao distanciamento familiar e, com isso, a provocar a própria morte nas mãos do amante da esposa. Especulações que beiram a fofoca e se distanciam da importância literária dos fatos. Buscamos detalhes ao redor do escritor para melhor estabelecer as circunstâncias de sua escrita e entender a escolha de temas, abordagens e até de vocabulário. No caso de Euclydes da Cunha, a maior parte de possíveis inéditos de sua escrita está em cartas que sabemos enviadas, mas desconhecemos o teor. Os pesquisadores continuam seu trabalho, portanto.
Fevereiro sem carnaval se inicia. Fevereiro sem férias. Fevereiro com expectativas, com a promessa de continuar muita chuva, muito trabalho, e muitos reinícios. Mês 10% mais curto, mas intenso pelo início de novas presidências no Parlamento brasileiro e articulações nos Três Poderes para saber o que é mais importante para o país. Ou para os que comandam politicamente o país. Pelo que entendi, as eleições de 2026 começam agora, mesmo a população não tendo assimilado integralmente os resultados da eleição de 2024. Sim, uma foi local e a próxima é nacional. Mas os buracos da minha rua são gerais. Com a chuva que, repito, continua, parte significativa do asfalto se mostra com maior afinidade pela água do que pelo solo e, feito a fábula, o buraco só aumenta em tamanho, em profundidade e nos estragos que causa aos veículos e transeuntes. Sei que não falo pelo buraco específico em frente de casa, carinhosamente chamado de "Sádico", mas por todos os buracos dos municípios. Que são locais, lembremos, mesmo antes das eleições.
Fica para trás um mês inaugural em que houve mais um acidente aéreo nos Estados Unidos. Lamentamos e sabemos que muita investigação será feita. No transporte aéreo, muito diferente do terrestre, todo incidente e acidente é devidamente analisado e avaliado para imputar responsabilidades, mas também - talvez o mais importante - tornar a aviação ainda mais segura por meio da determinação das causas. A cada acidente, novos procedimentos ou equipamentos são adotados e, por isso, continua muito seguro voar. Novamente repito que há a impressão de insegurança devido ao número grande de vítimas quando uma tragédia acontece, mas é muito inferior às vidas que são encerradas nas estradas. Longe de mim alimentar teorias de conspiração e crenças míticas na aleatoriedade, mas há um fato curioso: pode-se traçar uma linha reta perfeita com três locais de acidentes: Washington, da semana passada; o da Filadélfia, de dias atrás; e o do atentado às Torres Gêmeas em Nova York, em 2001. Apenas coincidência.
Falar sobre Euclides da Cunha é falar sobre o Brasil !
ResponderExcluirAté hoje lamentamos sua trágica morte, que colocou fim a uma vida com brilhante carreira literária.
Magda Helena.G.Teixeira.
Ano esquisito este 2025! Guerra comercial, deportações, desumanidades. Até fevereiro sem Carnaval! E Carnaval de mistura com o Oscar! Os acidentes aéreos chamam mais atenção que os buracos nas ruas, mas estes também causam acidentes. Até esqueci do Euclydes, veja que heresia! Gostei muito de ler seu blog, como sempre.
ResponderExcluirMês 10% mais curto. Interessante. Quanto à impressão de insegurança, mais do que nunca estamos sendo massacrados por notícias trágicas, todo o tempo. Já não bastassem os sórdidos programas do Datena e afins, que dizimaram o mental de muita gente insuflando violências em sucessivos replays tardes afora e adentro, já não bastasse esse lixo, agora tem as redes sociais, agora tem os canais abertos e fechados de notícias, todos em cópia carbono nos massacrando com notícias de todo tipo de tragédias, naturais e sociais, locais e internacionais. Dureza.
ResponderExcluirEu lamento não ter podido assistir à sua palestra na Academia. Sei o quanto você admira Euclides da Cunha, razão pela qual deve saber muito sobre ele e sua obra. Os buracos, acidentes e incidentes infelizmente continuam a acontecer. Teriam, como "pano de fundo", sempre as falhas humanas previstas e/ou imprevistas?
ResponderExcluirMaria Felim