Acadêmicos e cardíacos
A ansiedade foi substituída pela emoção. Participei de várias posses de Acadêmicos nas mais distintas instituições, ouvindo atentamente suas orações em homenagem aos antecessores e patronos, admirando-me com suas histórias de vida e analisando posturas, gestos, tamanho dos discursos para saber o que fazer quando chegasse a minha hora. Ela chegou. Na noite de 5 de dezembro, tomei posse da cadeira número 7 na Academia Campinense de Letras (ACL), juntamente com Ademir José da Silva, Maria Cristina de Oliveira e Marino Di Tella Ferreira. O patrono da cadeira é Euclydes da Cunha, o que é muito honroso, significativo e aumenta a responsabilidade por ser ele também o patrono da Academia de Letras de Lorena e objeto de estudos curiosos de minha parte, ao lado de Lima Barreto. Por ser uma cerimônia conjunta, o discurso de cada um foi abreviado, mas consegui fazer meus agradecimentos e homenagens aos que me antecederam nas duas páginas escritas. O site da ACL (https://academiacampinensedeletras.org/) deve contemplar em breve seus novos membros e todos já podem admirar a riqueza da história dessa instituição que completou 68 anos.
Dezembro é o mais curto dos meses do ano. As pessoas querem resolver os insolvíveis de onze meses atrás em apenas 31 dias. Ou melhor, em menos de 20 dias, pois nas antevésperas do Natal o fluxo de realizações é substituído pelo de festas, movimentação do comércio na busca de regalos, presentes e lembranças e na sensação de que tudo será diferente daí a dez dias, quando novo calendário adentrar a cozinha e a mesa da sala. Nesta semana, apresentações artísticas e culturais se sobrepõem e não pude ver tudo o que queria. A posse na ACL coincidiu com filme no Centro de Ciências, Letras e Artes (CCLA) e com o lançamento de livro na Biblioteca Municipal. Detalhes podem ser vistos nas redes sociais, esse espaço nebuloso que por vezes guarda memórias importantes. Mas poderemos ouvir canto lírico da ABAL (Associação Brasileira "Carlos Gomes" de Artistas Líricos), neste dia 6, de volta à sede da ACL, espaço de múltiplas frequências. E ainda há os que dizem não haver nada para se fazer culturalmente em Campinas. Sem atropelos para não aumentar a angústia, há também espaço para assistir a "Ainda estou aqui", filme fundamental para entender - e, quiçá, evitar que se repita - um dos períodos mais tristes e sangrentos de nossa história recente.
Não foi essa ansiedade que levou aos exames cardiológicos. A genética e o metabolismo não dão trégua. Vamos ver o que esse mapa coronariano revelará sobre o tráfego sanguíneo e se obstruções e desvios estão na conta do plano de saúde. O coração é o órgão que bombeia sangue pelo corpo e precisa também ser irrigado, músculo robusto e ininterrupto que é. Involuntariamente ele está se exercitando - é o que pensamos - mas a academia (a árdua de musculação, não a amável de letras) estimula o músculo cardíaco por meio dos demais esforços. Mas tudo tem um limite, e forçar passagem em rodovia ou veia congestionada resulta em acidente. Que desse agito médico-cultural reste a emoção, tal qual a que sentimos na apresentação do Coral Afro Kumbayah, sob a regência do maestro Kauê Braga, que encerrou a cerimônia de posse na Academia Campinense de Letras. Músicas africanas e brasileiras com forte voz que ecoaram pelo salão, não apenas em acordes, mas também em denúncias e alertas em relação ao que fazemos com nossa sociedade e população fortemente miscigenada que é. O coral foi aplaudido de pé.
Adilson, meus parabéns pela sua Posse na Academia Campinense de Letras . Uma grande alegria !
ResponderExcluirVocê é merecedor!
Desejo muito sucesso e realizações.
Um grande abraço.
Magda Helena G.Teixeira.
Adilson: PARABÉNS pelos parágrafos e pela posse na Academia Campinense de Letras, onde seu valor se agregará a tantos outros Acadêmicos. Não descuide do coração! Abraços
ResponderExcluirMaria Felim