Escondidos e explícitos
O blog é exclusivo da palavra e as imagens ficam relegadas às redes sociais, álbuns, nuvens e outros locais. Assim, não foram postadas fotos da viagem a Praga. De qualquer forma, é cidade indicada para eventos, incluindo aquele do qual o meu colega Acadêmico Paulo Viana pretende participar. Um congresso de Esperanto em Praga será uma combinação de duas linguagens universais: a língua e a arte. Outra informação importante: o blog não é moderado para aceitar comentários e a maioria dos leitores entra como usuário anônimo, o que não me permite identificar a autoria. Alguns colocam o próprio nome ao final do comentário para se fazer conhecer, outros não. Agradeço pelos elogios que aqui são postados, as críticas até que são raras, mas os pedidos de envio de livros e outras informações ficam prejudicados por não conterem o remetente. Aproveitem a promoção do breque à fraude e enviem e-mail para mim se o objetivo for esse, tornando o desejo explícito. Se quiser continuar escondido, o segredo se mantém.
Diz o calendário que ontem foi aniversário de Stefan Zweig e o blog Lorena Filatelia, do também colega Acadêmico José Antonio Bittencourt Ferraz, lembrou da efeméride (https://lorenafilatelia.blogspot.com/2024/11/stefan-zweig.html). Quando morei na Alemanha, ganhei de presente o Brasilien: Ein Land der Zukunft (Brasil, um país do futuro), em que o autor de origem austríaca e judaica discorre sobre suas impressões de nosso país, onde viveu e viria a morrer. Explicitar a natureza judaica de um autor parece importante, por carregar muitos simbolismos, talvez nem tanto a influência de sua crença na escrita, mas as circunstâncias que o lavaram a ser o que é dentro de um mundo com fortes e constantes questionamentos do que um judeu representa. Deixo bem claro que não quero ferir a fé de ninguém, mesmo porque poucos, ainda, são os que concordam comigo nessa seara. Vejam que tentam explicar o atual conflito judeu-palestino e o advogado Carlos Marun foi um deles em artigo na Folha de S. Paulo ("O começo, há quatro [sic] décadas"). O elementar erro de conta no título pode esconder outros equívocos históricos, ainda mais em se tratando de um dos capítulos mais controversos da guerra por espaço e poder da atualidade. As três - e não quatro - décadas de parte do conflito judeu-palestino, marcado pelo assassinato de Yitzhak Rabin, escondem a forçação de barra para a criação de um Estado por decreto e os preconceitos, escravização, morticínio, dinheiros e mais dinheiros envolvidos desde então. Mas o artigo é um bom arrazoado de considerações e espero que estimule argumentos de mesmo naipe do outro lado.
Praga foi a terra de Kafka, outro judeu, outro escritor de língua alemã. As fronteiras dos países não eram as mesmas de hoje, é bom lembrar. Quando eu visitei a cidade pela primeira vez, 30 anos atrás, a República Tcheca e a Eslováquia eram um único país. Kafka chegou a estudar Química, uma nobreza adicional. Sim, faço um arquivo contendo artistas, escritores, políticos e outros famosos que, em algum momento, abraçaram a mais bela das ciências. Ele foi ser advogado como primeira formação completa, o que não o impediu de produzir belezas das angústias da existência como O Processo e A Metamorfose. Parte de seus escritos somente chegou até nós porque não atenderam seu desejo de queimar tudo o que estava nas gavetas. Penso no que anda hoje por gavetas virtuais em nuvens cibernéticas, drives não compartilhados, mensagens criptografadas. Uma história escondida que pode ser esquecida se faltar a eletricidade que alimenta bits e bytes da informação. Dizem que tudo é virtual, mas o chip que armazena os zeros e uns é bem físico, por mais que queira ficar escondido.
C9mo sepre um bom texto
ResponderExcluirExcelente!
ResponderExcluirSempre aprendo e me divirto, parabéns Adilson. Kátia Sentinaro
ResponderExcluirComo sempre, Adilson sempre nos brindando com assuntos diversos resumidos em três parágrafos. Quem foi a Praga sabe bem que praga é viver em terra Brazilis. Inflação galopante, seleção em baixa com risco de ficar fora a primeira vez. Ser judeu não é fácil. Imagine não ser aceito em lugar nenhum, mesmo movendo a economia mundial. Os grandes querem o seu exterminio para dar lugar a povos sem este viés, fáceis de serem manipulados, tipo bucha de canhão.
ResponderExcluirDeve haver uma solução para acabar estas guerras, e que não seja solução química como fartamente utilizada no passado pelos comunas do Oriente.
Ótimo texto e sempre trazendo um pouco mais de conhecimento para mim. Parabéns Adilson pelo talento na escrita! Ler o que uma pessoa culta escreve é sempre prazeroso.
ResponderExcluirMaria Felim
Luiz Cláudio Cerqueira, visitando e gostando. Um abraço, Adilson, voltarei mais.
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