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Mostrando postagens de novembro, 2024

Escondidos e explícitos

O blog é exclusivo da palavra e as imagens ficam relegadas às redes sociais, álbuns, nuvens e outros locais. Assim, não foram postadas fotos da viagem a Praga. De qualquer forma, é cidade indicada para eventos, incluindo aquele do qual o meu colega Acadêmico Paulo Viana pretende participar. Um congresso de Esperanto em Praga será uma combinação de duas linguagens universais: a língua e a arte. Outra informação importante: o blog não é moderado para aceitar comentários e a maioria dos leitores entra como usuário anônimo, o que não me permite identificar a autoria. Alguns colocam o próprio nome ao final do comentário para se fazer conhecer, outros não. Agradeço pelos elogios que aqui são postados, as críticas até que são raras, mas os pedidos de envio de livros e outras informações ficam prejudicados por não conterem o remetente. Aproveitem a promoção do breque à fraude e enviem e-mail para mim se o objetivo for esse, tornando o desejo explícito. Se quiser continuar escondido, o segredo ...

É Praga!

A capital da República Tcheca é a mais barata para se viajar e fazer turismo, segundo avaliações seguras. Acabei de voltar de lá, participando de um congresso científico na área de química de polissacarídeos. Vida de cientista é assim: consegue turistar um pouco quando concilia o passeio com atividades profissionais. Sem mala despachada, devido ao preço, dormi em quarto que não era hotel, confortável, sentindo-me quase o mochileiro de décadas atrás. Quatro dias, suficientes para conhecer um pouco mais da ciência mundo afora, levantar ideias e comentários para minhas colunas nos jornais e adquirir cultura, a mais nobre das criações humanas. A gota não me permitiu desfrutar das excelentes cervejas locais. O alupurinol que combate o ácido úrico causa alergia, então resta-me o consolo do vinho. Muito bom vinho. O caminhar pela cidade é o melhor passeio, com ruas em arquitetura centenária e milenar formando um museu de coloridas paredes, janelas, portais, decorações, histórias. A cidade se ...

Observações

A motorista do Uber reclamou dos buracos de meu bairro. Uma região com altíssimo valor de IPTU, mas desprezada pela administração municipal. Dizem que é devido ao esclarecimento político dos moradores, que não compactuam com favoritismos ou fisiologismo dos mandatários e, não por menos, a região carrega o adjetivo universitária em seu nome. Eu duvido um pouco, ainda que nas últimas eleições os vencedores das urnas daqui se distinguiram dos que foram eleitos no município. A motorista foi categórica ao dizer que precisamos de um vereador, que brigará por recursos para melhorar a condição urbana do bairro. Afinal das contas, essa é a única utilidade do vereador, segundo a autônoma. Talvez por estarmos habituados ao favoritismo político, normalizando-o, esquecemos que a sociedade em harmonia é muito mais do que isso. Os recursos públicos deveriam ser aplicados em função do interesse coletivo e melhoria da urbanidade para todos, e não para os grupos que consigam impor sua influência por mei...

Cultura na lei e na prática

Em inglês, o verbo maquiar está relacionado a complementar - make up . O termo é usado em química quando há um componente que é adicionado a outro para completar um volume, por exemplo. Chamamos esse complemento de make up. O maquiar em nosso idioma está mais para disfarçar, em vários âmbitos da vida, incluindo as leis maquiadas. Difícil encontrar uma lei que não contenha um jabuti ou jabuticaba, com artigos ou outras partes estranhos ao objeto principal. Até uma singela lei que estabelece o Dia Nacional da Cultura, a 5 de novembro, em homenagem ao nascimento de Rui Barbosa (Lei 5.579/1970), contém um elemento intrigante, pois é para comemorar qualquer um que tenha nascido nessa data, não apenas Rui Barbosa. Somente no Facebook, tenho uma dezena de conexões que poderia avocar a homenagem. Na mesma data é o Dia Nacional da Língua Portuguesa, estabelecida por outro dispositivo legal (Lei 11.310/2006). Nacional porque há o dia mundial, a 5 de maio, e o dia da língua em Portugal, a 10 de j...

Saci daqui

O colonialismo cultural é importante para o estabelecimento de mercados, ideais, crenças e ideologias. Começa com a língua. Quantos no Brasil falam tupi ou o guarani? Um dia, a língua importante foi o grego, depois o latim, passou pelo francês e desembarcou no inglês. Mas se falar também o mandarim, terá o mundo a seus pés. Se por um lado não sabemos a principal produção literária de Burundi, país africano, por outro, não temos dúvidas em conhecer e enaltecer os clássicos gregos. Junto à cultura, vêm os preconceitos, pois uma das formas de impor visões de mundo é destruir outras. Certa vez em uma escola em que trabalhei, o professor de História disse que os "índios" (era esse o termo usado) não têm cultura... Devorar saberes, digeri-los e produzir outros seria um caminho mais palatável, menos beligerante. Porém, nem a dieta do Mediterrâneo é adequada para os trópicos, faltando juntar com os pães, vinhos e queijos, a baixa temperatura ambiente e o esforço físico na lavoura. Se...