Exercícios históricos e retóricos
Viramos o mês. Faltam apenas mais 16 deles, no máximo, para terminar a travessia das trevas. Setembro inicia com o Dia do Educador Físico. Parabéns a todos e em especial à irmã pela profissão escolhida. A movimentação do corpo não é matéria de meu domínio, mas a admiração pelos atletas em seu melhor desempenho é muito prazerosa. Sei que esporte de alto rendimento não combina com todas as correntes da educação física, perdoem-me os envolvidos, mas em qualquer ramo do conhecimento é assim e não pensem que na química seja diferente. A alegoria é importante, ainda mais agora com os Jogos Paraolímpicos caminhando para o final e com desafios superados e recordes alcançados. A minha querida química foi citada porque fiquei instigado com as três cordinhas que arrebentaram nas provas de corrida com deficientes visuais brasileiros. Os comentaristas avocaram a necessidade de instrumentos maiores para se adaptar melhor às mãos dos guias, mas creio que a resistência mecânica desses materiais precisa sem mais estudada. Ou seja, química das macromoléculas! Foram menos madrugadas insones, reconheço, uma vez que a disponibilidade de canais televisivos também foi menor. Algo dessa questão de interesse reduzido foi avaliado pela Folha de S. Paulo e pude lá tecer alguns comentários, ampliados na edição de hoje do Boletim Anti-Covid (https://sites.google.com/unesp.br/boletim-anti-covid-19/).
Os fatos internacionais além do esporte levam a buscar informações variadas para entender o que está acontecendo ou o que aconteceu na Ásia. Ou melhor, tentar entender, pelas múltiplas facetas que a região possui, desde a cultura, a economia e - talvez a mais evidente - a religião. A acepção de ligação com o místico que a palavra possui não condiz com armas, as reais e as feitas com os dedos e as mãos em alegoria política. Infelizmente, os maus exemplos do que está acontecendo no Afeganistão não são suficientes para nos alertar que caminhamos em direção semelhante, quando a exigência primeira que se faz para um ocupante da Suprema Corte é que ele reze ou que a crença religiosa passa a ser instrumento de ataques à democracia. Enfim, templo é dinheiro, eles bem o sabem e o usam. A defesa do Estado Democrático de Direito não pode ser apenas uma teoria e sim uma prática que passa pela necessária e simultânea defesa do estado laico. Quando vivi na Alemanha, quase trinta anos atrás, argumentava-se que o norte do país era mais desenvolvido em relação ao sul devido à predominância lá de protestantes. Controverso, concordo, haja vista a recente conversão massiva dos brasileiros ao neopentecostalismo.
Atenção à palavra, à retórica e ao uso que delas fazemos. Paulo Viana, em seu blog de poesias, contos e reflexões, em postagens bilíngues esperanto-português, trouxe uma questão importante sobre a qualidade do falante, que o fez refletir sobre a mensagem falada. (http://blogdopaulosergioviana.blogspot.com/2021/08/discernimento.html). Colocando-se no lugar do crítico, podemos mudar a percepção de ideias e opiniões, não necessariamente para concordar ou discordar, mas, sim, para analisar de forma ampla e detalhada. Devo usar esse texto e sua argumentação como modelo para tentar explicar aos meus interlocutores que eles podem, com certeza, discordar destes singelos três parágrafos, mas não deveriam ficar inertes a eles. Se o deboche por vezes escapa é para esconder a angústia do fato narrado ou da opinião emitida. Nem sempre nossa autocensura permite dizer o indizível em todas as letras, cores e sabores. Resta sempre um pouco de amargor e acinzentado para consumo próprio e solitário.
Religião pertence ao foro íntimo. O estado deve ficar fora disso. Já basta o crucifixo na sala do supremo!
ResponderExcluirIncrível sua capacidade em mudar repentinamente o assunto, sem dele perder-se. Aprecio, também, suas posições políticas, que sempre nos apresenta um lance de reflexão crítica.
ResponderExcluirIncrível a sua capacidade de transitar de um assunto a outro sem se perder. Tão fabulosa quanto a de manter o leitor agarrado ao texto. Aprecio também seus posicionamentos políticos, que nos fazem refletir e questionar a ordem social que estamos envolvidos.
ResponderExcluirGosto demais desse seu blog, que sempre me faz refletir. Hoje lembrei-me de algo que li num dos livros de Pearl S. Buck. Ela dizia não entender como os ocidentais não percebiam as sementes de ódio que estavam plantando ao querer impor sua religião e cultura como as “únicas verdadeiras” a um país de cultura e religião milenares. E já previa o mau resultado futuro.
ResponderExcluirRelevantes suas posições. Gostei muito dos comentários das paraolimpíadas. Muito ainda que inovar. Sobre religião e guerras, extremamente triste o cenário que se apresenta.
ResponderExcluirParabéns novamente por mais essa publicação no blog. Sempre quando o leio percebo o quanto está contribuindo para a nossa reflexão nos mais diversos assuntos. São geniais suas abordagens.
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