Pedaços de jornais

Missivista contumaz, fiquei angustiado com o fim da seção de cartas do leitor em veículos impressos de comunicação. A Veja é uma revista que pouco me apetece, com reportagens sem aprofundamento e um ou outro articulista que passa alguma mensagem de saber do que fala. Já fui dela assinante, confesso, mas restringi-me à leitura superficial, quase obrigatória, exclusiva da versão on-line. Mas arriscava uma ou outra cartinha lá para a redação e até publicaram um par delas. Porém, na virada do ano, a seção deixou de existir, sem aviso. A carta ao leitor que publicam, com alguma pretensa mensagem de otimismo e resumo do que vai na edição, nada falou da mudança. O índice também foi excluído; talvez o espaço seja mais nobre para outros remuneradores ou direito de resposta, como a que a revista foi obrigada a dar para a empresa Huawei. Intrigas. A muito mais palatável CartaCapital também deu sua bola fora ao prestigiar a reprodução dos comentários de redes sociais - que já estão de alguma forma publicados - em detrimento dos e-mails a ela enviados. Reflexo, talvez, da constatação de que as mensagens trocadas hoje têm em média 33 caracteres! Sim 4-5 palavras. Lamúrias, lamúrias de um refém de suas próprias palavras que busca alhures espaços para lançá-las.

Já que comecei na seara da imprensa, registro as leituras que faço: diariamente Correio Popular de Campinas, Jornal Cidade de Rio Claro, Jornal Cidade Bauru, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, todos nas versões digitais, on-line de acesso mais ou menos restrito, dependendo do algoritmo aceitar ou não minhas credenciais. Semanalmente degusto a mencionada CartaCapital e leio a versão digital do jornal O Regional de São Pedro. Mensalmente, o maior deleite é com a piauí (sim, com minúsculas), da qual participei de concurso literário e tenho publicado lá carta todo mês, apesar da ausência desde dezembro. A revista Pesquisa Fapesp é de divulgação científica, a CULT meu oráculo para entender o humano e seus pensamentos e inter-relações, com a Quatro Cinco Um acompanho o mercado editorial e os lançamentos de bons livros. Os veículos trazem em si o inexorável da periodicidade, pela própria definição. Efemérides são parte de seu alimento, que pode ser sem gosto se não trabalhado. Assim, a sexta-feira, dia 19 de fevereiro, coincidirá com o centenário da Folha de S. Paulo, que não publicará carta minha, prevejo, mas deve fazer uma edição comemorativa. Sim, muito importante a leitura dos jornais e da imprensa de vários matizes, em oposição ao que oficial e criminalmente querem nos impor como pensamento único.

Olhando para o mundinho citadino onde moro, o jornal local continua, em conjunto com as controvérsias (veja o início da questão no último parágrafo de http://adilson3paragrafos.blogspot.com/2021/02/escrevo-e-nao-me-canso-de-ler.html). Um artigo lá estagnado foi publicado. Mudaram os editores, mudou a diagramação, o tom e o viés das reportagens também revelam as alterações. Se antes eu tinha de escolher bem as palavras para não ferir sentimentos bovinos e ter meus textos publicados, hoje o cuidado é para não ficar no lugar comum e crer que tudo pode ser levianamente questionado e achincalhado. Não. É preciso saber dosar a angústia do dissabor com a benesse do espaço franqueado. O curioso é que aqueles que antes se esbaldavam na autodestruição da imprensa, vociferam agora por não verem seus escritos estampados nos pedaços do jornal. Antes não os lia por desagradáveis e mentirosos, agora porque nem os vejo mais.

Comentários

  1. Há uma certa angústia em tentar compreender o mundo à nossa volta através dos periódicos e diários. Tenho sempre a sensação de palpar um elefante, como na parábola oriental. Hoje em dia, pacifiquei-me com a ideia de que não sei o mundo. E que, em contrapartida - obviamente - o mundo não me sabe. Leio os jornais para não saber. Um bom modo de atenuar essa angústia é ler uns versos de Cecília Meirelles.

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  2. parabéns pela postagem!! Olha que está difícil acreditar nos periódicos hoje..eas colunas dos leitores sempre foram as mais lidas!! infelizmente tudo vai se acabando..Parabenizo sempre você nobre confrade, pelas brilhantes postagens !!

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  3. A Incerteza.

    O pai da ciência política, Maquiavel, ensina em seu livro, O Príncipe, que o soberano deve simular a loucura para o povo não saber como ele pensa. Mas não é o caso do presidente Bolsonaro, pessoa que não gosta de ler, de pouca cultura e inteligência. O caso do presidente Bolsonaro é de loucura mesmo.

    O comportamento de todo louco é incerto e imprevisível. Bolsonaro começou a carreira política com um discurso conservador e nacionalista. Para chegar a Presidência da República se aliou aos Liberais. Colocou no Ministério da Economia o Bandido de Chicago, representante dos Banqueiros Apátridas.

    Tenta conquistar o povo pobre com um discurso conservador nos costumes mas é liberal na economia, permitindo aos ricos explorarem os pobres.

    Faz propaganda de ser uma pessoa simples e humilde mas gosta de dinheiro, vida boa e mulher nova.

    O Brasil para ele é a família dele. Demonstra humor instável. Não aceita ser contrariado. Pessoa de atitudes groceiras. Psicopatologia. Sofre de transtorno de personalidade. Não precisa ser psiquiatra para ver que Bolsonaro é louco.

    Um dia ele está a serviço dos Banqueiros Apátridas e do Deus Mercado, diz que vai privatizar tudo. No dia seguinte intervém na Petrobrás, colocando um general desenvolvimentista, para abaixar os preços dos combustíveis para agradar o povo.

    A única certeza que se tem dos loucos e a de que são seres de comportamento imprevisível e devem ser recolhidos num hospício.

    Francisco Anéas


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