Obeidoso propaganda

Houve um tempo em que se convenciam eleitores da mesma forma que se vendia sabão em pó. Produtos seguros, funcionais, baratos. O serviço de atendimento ao consumidor permite reclamação, troca do produto. Pelo voto, a devolução é um pouco mais complicada, efetivada quatro anos depois, caso a memória do consumidor, ou melhor, do eleitor não tenha virado espuma. Hoje a propaganda eleitoral é mais comparada ao charlatanismo, uma vez que a mentira deslavada convence mais do que a dura verdade comprovada. Não adianta falar que aquela obscenidade é inventada, que a foto foi forjada ou a imagem é de muito tempo atrás, de outra ocasião. Crônicas e contos confundidos e a confundir o e-leitor. E não são mesclas ardilosas estilo Lima Barreto ou Machado de Assis para ludibriar o pesquisador jornalístico ou amante da literatura que não conseguem distinguir essas modalidades de escrita uma da outra. Cultura é ausente desses cândidos personagens da democracia. Fiz um levantamento da frequência da palavra cultura nas propostas de governo dos candidatos a prefeito de Campinas e o resultado mostra uma dicotomia entre os que levam a área a sério - ao menos na palavra escrita e registrada no TSE - e os que a desprezam categoricamente. Veremos se o Correio Popular um dia publica essa minha ousadia.

O neologismo no topo da página está eivado de autopreconceito, eu sei. Juntar o aumento dos diâmetros do corpo com o correspondente número de voltas ao redor do sol não é a melhor alternativa para se escolher um título. Nunca fui bom em dar o remate no texto, ou seja, encontrar a titulografia adequada, mesmo tendo feito a especialização em jornalismo científico. Faltam-me palavras ou sobram contrapontos e lugares-comuns. Restou esse horror de combinação, pois não queria usar garoto-propaganda, mais um jargão. Perdoem, leitores, mas não voltarei atrás na tentativa de chamar atenção para o engodo deste mundo virtual, mais real agora com pandemia isoladora. A internet virou paradoxalmente um universo paralelo e perpendicular, ambiente dos encontros possíveis e das dissoluções existenciais. Estou parodiando o autor de um dos textos selecionados pela revista piauí deste mês, derradeira oportunidade de participar de seu concurso literário. Meu texto "Fumos e voltamos" também está lá como um dos finalistas. Aproveito para fazer propaganda, indicando o acesso pelo link: https://piaui.folha.uol.com.br/materia/meu-master-chefe/

Para o prêmio Abrafati de Ciência em Tintas 2020, gravei um vídeo falando de sua importância e conclamando pesquisadores a dele participarem. Ganhei o prêmio duas vezes, uma em 2008 e outra em 2013, sempre em conjunto com colegas pesquisadores e alunos. Já que não estou falando da mais nobre das profissões, sistematicamente desprezada pelos que estão ocupando o poder, falo de um prêmio científico que é voltado também àquele Professor - sim, com a devida maiúscula - que realiza pesquisa na área. O vídeo com o gordinho já passado da meia idade pode ser visto no canal do Youtube: https://www.youtube.com/embed/UWsJJbT-ajY . Fiz o relato espontaneamente, atendendo a um pedido dos organizadores. #IniCiencias

Comentários

  1. A mentira, de braço dado com a corrupção, são dois vampiros a corroer a alma do povo brasileiro. E olhe que vêm de "cima". Mas o blogueiro resiste bravamente.

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  2. Não duvido da boa intenção dos candidatos a eleição, mas ao serem eleitos algo acontece e a personalidade muda e não haverá autor que explique a mudanca e a compra de cuecas novas

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  3. Pela propaganda eleitoral as opinioes São todas desfavoráveis

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