Punição terapêutica

Uma multa de trânsito, uma confissão. Na intenção de colaborar com a melhor informação para os demais usuários, tive o que se chama de acesso de fúria. Sim, reconheço o destempero, passado alguns meses e comprovada a punição monetária. A avenida em Nova Odessa estava interditada para a construção de uma lombada e o desvio indicava virar à direita e, no quarteirão seguinte, a placa confusa colocada na paralela à avenida mostrava que se devia seguir por ela, quando o pretendido era continuar na perpendicular. Depois de seguir pelo caminho errado e tendo de voltar ao ponto de partida, desci do carro e coloquei as placas onde deveriam estar. O agente de trânsito jamais reconheceria ter colocado essas placas indicadoras de desvio em local que gerou confusão, mesmo com vários outros veículos recebendo a mesma mensagem que eu recebi. Ele se limitou a punir-me com duas multas simultâneas o que, per se, seria motivo de nulidade, mas a justiça brasileira não é feita por lógica ou leis, mas por juízes. Se no âmbito federal vemos a promiscuidade, leviandade e corrupção de integrantes do poder judiciário - pretéritos e presentes - o que dirá de um juiz de comarca do interior paulista.

Reconhecer o erro é o primeiro passo para corrigi-lo ou ao menos, superá-lo. Assim, uso o espaço para minha terapia gratuita, ainda que não haja quem me ouça ou leia. Tudo bem, pois a mente se alimenta de muitas ilusões, bem o sabemos. As noites perdidas com tratamento de saúde na família anos atrás não se comparam a esse mero detalhe de desequilíbrio emocional. Foi isso que gerou a fúria, também reconheço. Melhorar o equilíbrio mental, mesmo que a intenção tenha sido a de colaborar com os demais motoristas, em ato cívico e de cidadania, é o caminho a seguir. Omisso, mas saudável. A insanidade é instrumento oficial de poder, travestida de inexperiência ou nova política. Falso. A prática corrente é apenas uma nova forma de poder.

O fim de ano vai chegando e os leitores, rareando. Comprimir os cumprimentos de um ano em um mês e, na verdade, as atividades de um mês em menos de vinte dias. Assim é dezembro, o triste mês de correrias. O blog não para, mesmo quando recebe multas por excesso de verdade.

Comentários

  1. Me faz lembrar aquele adesivo no vidro de trás de um carro: "Não me siga, eu também estou perdido." Bom senso e justiça andam rareando...

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  2. O preço foi pouco pela consciência da sombra que todos temos. O fato de vc estar certo e ser penalizado gerou a fúria, que estava em alguma parte de vc. É bonito perceber como se desencadeia está fúria. E é bom perceber o que a gerou. Você não tem autoridade para mudar uma placa, certa a ou errada. A sua intenção podia ser as melhores. Quando discutiu com a "autoridade'" responsável por isso, talvez mal treinado na sua função e nostrou o absurdo da situação talvez vc tenha tido um pouco de arrogância, pois o nosso ego espera um momento de discussão, quando temos certeza de estarmos certos para subir no palco. A "autoridade" se viu inferiorizada discutindo com alguem de maior diserdimento e usou do seu poder de multa e mostrar que quem manda era ela. Assim acontecem as tragédias, por isso, quando nossa raiva se aflora, o melhor é observá-la, será que vale a pena tanto gasto de energia, eu fiz alguma coisa errada também? A raiva é boa quando não temos outra forma de corrigir uma injustiça, mas na realidade, o que estava acontecendo ali?

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  3. É algo como o que acontece comigo, que estou aprendendo a segurar a raiva na maioria dos casos, pois nos faz perder a racionalidade e a inteligência estratégica. Mas acontece que eu nasci e cresci na Argentina, onde é bem mais comum se manifestar assim. Então, vou aprendendo, década após década, a ser brasileiro, não tomem a mal a expressão, que é ser mais contemplativo e tolerante, para entender até melhor, como o Levy colocou muito bem. Mas não até o ponto de me calar na injustiça. Há situações onde ao surgir-me a raiva, passo a racionalizar e, se notar que é preciso, a coloco, mas não sem perder, no fundo, o controle. Na situação descrita, a primeira coisa teria sido olhar se tinha algum responsável por perto, e reclamar a ele. Vivendo e aprendendo.

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