Antes do fim
A finalidade de um blog são as ideias e a discussão. Um terreno quase sem censura, portanto. Diferente dos veículos tradicionais, como jornais e revistas, que ainda existem e resistem, com falhas, muitas falhas. Lá não há mais redatores que leem cartas e artigos de opinião para eventuais correções antes de publicar. Por isso que meus textos são placidamente publicados, ainda que discordantes da linha política da maioria desses veículos. Nos tempos do Guaypacaré, jornal semanal de Lorena, eu postava em meu blog um resumo crítico do que ali era noticiado. Um leitor disse que não mais assinaria o jornal, contentando-se com minhas postagens. Foi irônico, é claro, mas anteviu o problema atual: as fontes de informação deveriam ser múltiplas e a comparação analítica da leitura é o que faz - ou devia fazer - nós tomarmos posições. Não há opinião isenta, nem notícia sem alguma tendência. A própria escolha do que é noticiado contém uma posição. Jornalões da capital paulista não publicam meus artigos de opinião, mas fico contente que os veículos do interior o fazem. Surpreendem até, como foi o caso de "A ninfa e o ogro", minha mensagem de fim de ano publicada hoje no Correio Popular de Campinas.
Ao longo do tempo aprendemos que os limites entre o bem e o mal se tornaram tênues e a visão maniqueísta de pessoas e atitudes cai por terra. Nem tudo é totalmente bom ou ruim e isso faz parte da natureza das pessoas e das coisas. Sem angústias, amadurecemos com essa revelação. Mas, agora, tal limite é levado à comparação entre o fato e o boato, ou a verdade e a mentira, sendo que não há mais aquilo que seja totalmente verdadeiro ou totalmente falso. Depende não apenas da interpretação, da versão, mas também do interesse. A ilusão é o fim em si mesma. Não a realidade.
As futuras datas previstas de postagens coincidem com os próximos feriados de quarta-feira. Creio que atrasarei um pouco para refletir sobre os encontros familiares e o que sobreviveu do ano passado para agora. Não devo ter muitos leitores, ocupados que estarão com as festas, presentes e viagens. Ainda que não seja o fim do calendário, foi um ano muito tenso e triste, mas ao qual sobrevivemos. Porém destruímos nossa educação, nossa ciência, nossa cultura, nosso meio-ambiente, nossas relações internacionais. Terminamos o ano envergonhados.
Ao longo do tempo aprendemos que os limites entre o bem e o mal se tornaram tênues e a visão maniqueísta de pessoas e atitudes cai por terra. Nem tudo é totalmente bom ou ruim e isso faz parte da natureza das pessoas e das coisas. Sem angústias, amadurecemos com essa revelação. Mas, agora, tal limite é levado à comparação entre o fato e o boato, ou a verdade e a mentira, sendo que não há mais aquilo que seja totalmente verdadeiro ou totalmente falso. Depende não apenas da interpretação, da versão, mas também do interesse. A ilusão é o fim em si mesma. Não a realidade.
As futuras datas previstas de postagens coincidem com os próximos feriados de quarta-feira. Creio que atrasarei um pouco para refletir sobre os encontros familiares e o que sobreviveu do ano passado para agora. Não devo ter muitos leitores, ocupados que estarão com as festas, presentes e viagens. Ainda que não seja o fim do calendário, foi um ano muito tenso e triste, mas ao qual sobrevivemos. Porém destruímos nossa educação, nossa ciência, nossa cultura, nosso meio-ambiente, nossas relações internacionais. Terminamos o ano envergonhados.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirOra, nem tanto assim. Nossa educação está destruída há décadas ; Na Ciência, os institutos de pesquisas também estão destruídos já décadas; Nossa cultura está encefálica há décadas; quanto ao meio ambiente, nós podemos dar exemplos ao mundo, há décadas. Vamos acreditar em mais uma década!
ResponderExcluirBlogs são, no meu entender, uma espécie de resistência. De liberdade de pensar e opinar. De fato, o ano foi difícil. Mas o tirocínio ninguém nos tira. Mantenha o blog sempre lúcido, blogueiro! Bom 2020!
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