Educação e aprendizado, sempre

Um dos motivos para a postagem tardia era a expectativa da óbvia demissão do Ministro da Educação, o que não aconteceu. Parece que a fritura com óleo quente foi adaptada para abafadinho sem sal. Após a redemocratização do país, tivemos projetos educacionais de vários impactos e dimensões. Mas sempre tivemos projetos. Pela primeira vez, não há qualquer projeto para a educação brasileira, a não ser o desmonte do que vinha sendo construído até aqui e a inclusão de pautas de costumes - na maioria de importância exclusivamente pessoal - em assuntos que dizem respeito à formação de crianças e jovens. Houve projetos educacionais ruins, outros que alimentavam apenas a excelência e o utilitarismo do ensino e, uns poucos, que trouxeram inclusão na educação pública. Críticas de parte a parte puderam ser formuladas, projetos foram melhorados, outros substituídos e os mais recentes criaram uma prática de resgate de dívidas sociais históricas, com o devido sucesso. O apagão governamental, no entanto, levou à ausência de ações e de discussão. A titubeante presença do colombiano Ministro em audiência no Parlamento é o reflexo da forma indecente e inconsequente com que o Brasil está sendo mal-tratado por seus governantes.

O ataque às instituições educacionais públicas faz parte desse anti-projeto, assim o chamemos. As universidades se defendem a todo instante e sabem que o bom entendimento por parte da população do que as instituições são e sua importância para a sociedade passa pelo aprimoramento da comunicação institucional. O jornalismo científico é uma dessas formas de interlocução, fortemente defendida pelos grupos que o estudam, especialmente frente à proliferação de crendices e desprestígio da ciência em tempos correntes. Assim, não basta ter a certeza de que a Terra é redonda, pois temos de afirmar isso constantemente, já que o conceito de terra plana deixou de ser apenas uma anedota da internet. As pessoas que o defendem são também as que proliferam as fake news e que estão corroendo o pouco de civilidade que foi construído no mundo. A lista é grande: movimento anti-vacina, criacionistas, curas místicas, pseudo-ciência, além dos terraplanistas.

Como cientista, sei da responsabilidade de não ter feito tudo o que devia para contribuir com o esclarecimento de fatos e experimentações, base da ciência moderna. O conhecimento é uma construção e não está pronto. Na maior parte das vezes, buscá-lo é tarefa árdua e nem sempre conclusiva. Daí a crença ser mais fácil. Da mesma forma, procurar o material ainda escondido de Lima Barreto torna-se quase uma obsessão. O que no início era um escape, está virando um trabalho acurado. Junto com meu amigo Felipe Rissato descobrimos inéditos em revista de um século atrás e, agora, até em revista publicada no Sul do país (longe do Rio de Janeiro de Lima de Barreto) aparece uma crônica que fora negociada e prometida aos editores. Uma bela história para contar, caso haja os que se habilitem a bancar a empreitada. Estimamos que já são perto de uma centena os "novos" texto não divulgados até agora. #IniCiencias


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