Memórias Acadêmicas

As lágrimas escondiam a alegria de todos nós estarmos referenciando Marina Becker. Que tarde poética, saudosa e saudável na Academia Campinense de Letras (ACL). Memorável. Marina Becker foi devidamente lembrada, homenageada e poetada. As Acadêmicas Margareth Park, Ana Maria Negrão e minha irmã gêmea Cristina Oliveira se desdobraram na excelente organização e condução do evento. Todos puderam partilhar suas emoções, todos puderam poetar com Marina, e Marina estava lá com todos. Para os que não puderam comparecer, restam as imagens e confissões do evento, espalhadas pelas redes "ainda" sociais (https://www.instagram.com/margareth.park/). Precisamos mudar isso, acostumamo-nos a referenciar as pessoas queridas na morte e não encontramos tempo para as vivenciarmos em vida. No último velório de parente, a mesma sensação se impôs: cancelei a ida à palestra sobre o Hino Nacional do Jorge Alves de Lima no início da semana, ex-presidente da ACL, para prestar a última homenagem à prima querida. Mas, quando é para combinar um café ou um bate-papo, os compromissos se impõem. E não é apenas em relação à cultura, à poesia. É em relação à vida, simplesmente, a mais complexa de nossas sensações, talvez apenas superada pelo amor. Equação social a ser mudada, não resolvida.

O blog aceita todos os comentários e muitos são anônimos, sem eu saber quem os fez, caso o autor ou autora não se identifique. Um deles foi da escritora, poeta e trovadora Júlia Heimann, de Jundiaí, que comentou sobre o Acadêmico João Ribeiro Júnior, antigo membro da ACL que eu não conheci. Ele ocupou a cadeira nr. 4 que tem como patrono o médico e escritor Afrânio Peixoto, e, por outra coincidência, é nobremente ocupada hoje pela Margareth Park. Eu havia pensado em pleitear essa cadeira, após a primeira vez que ousei me inscrever para uma vaga, em tempos pré-pandêmicos. Desisti, deixando a empreitada para o futuro, hoje um passado a se rememorar. Afrânio Peixoto escreveu, dentre outros livros, "A Esfinge", relatando sua visita de mais de um século atrás ao Egito e foi bem aceito como obra ficcional à época. Sucedeu a Euclydes da Cunha na Academia Brasileira de Letras, esse sim com direta ligação comigo, pois é o patrono da cadeira nr. 7 na ACL que agora ocupo. Entre os cientistas, Afrânio não faz boa figura, pois foi um dos que se movimentaram contrariamente à possibilidade de um prêmio Nobel a Carlos Chagas, seu desafeto. Ciência e cultura possuem forte carga humana, portanto.

Humanos somos, e como somos! Das muitas datas de abril, hoje é dia do livro infantil, em homenagem ao nascimento do controverso, polêmico e necessário Monteiro Lobato, e amanhã será o dia antes chamado do "índio" e, hoje, entendido como dos povos indígenas originários. Na sequência teremos o feriado de Tiradentes e o dia da chegada dos portugueses em Pindorama. Se não tenho lugar de fala para falar do tupi-guarani e seus correlatos, Daniel Munduruku tem. Membro da Academia Paulista de Letras e meu confrade na Academia de Letras de Lorena, Daniel estará no centro do Roda Viva, programa de entrevistas da TV Cultura, que vai ao ar nesta segunda-feira, 20 de abril, às 22 h (https://cultura.uol.com.br/noticias/74288_roda-viva-entrevista-daniel-munduruku-em-edicao-especial-sobre-os-povos-indigenas.html). Mas, de Monteiro Lobato, há de se reconhecer seu caráter eugênico, revelado posteriormente a sua profícua atuação literária, editorial e nacionalista. E também não posso negar minha história, pois foi por meio das obras infantis dele que adentrei a leitura de livros. E gostei muito.

Comentários

  1. Foi um momento maravilhoso. Um “privilégio de viver”Seu poema em homenagem a Marina foi tocante! Viva a vida em sua plenitude!

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  2. Miriane de Almeida Fernandes19 de abril de 2026 às 12:18

    Maravilhoso momento.

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  3. Sim, dia do povos indígenas originários. Antes todo dia era dia deles... Dia 21 também é aniver de Brasília. Conheci só outro dia, fiquei admirado. Relatei aqui: https://brittadeira.blogspot.com/2026/04/lances-urbanos-107.html

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