Uivam todos
As bolas rápidas do tênis finalizaram três campeonatos importantes no fim de semana passado e passaram ao largo. Se o João Fonseca não conseguiu avançar muito no Rio Open na chave de simples, no jogo de duplas o jovem e promissor tenista brasileiro obteve o inédito título, conquistando a taça junto com o veterano Marcelo Melo. A Luísa Stefani, também jogando duplas ao lado da canadense Gabriela Strabrowski, faturou um WTA 1000, em Dubai, o segundo maior em pontuação, depois dos grandes slams (Australian Open, USOpen, Rolland Garros e Wimbledon). A imprensa, de certa forma, valorizou a conquista masculina e ignorou a feminina, mesmo sendo marcas históricas para todos eles. Coisas de um tradicional país machista e misógino. Por fim, o ainda garoto Carlos Alcaraz ganhou mais um torneio, o aberto de Doha. Torço para o espanhol porque vejo muita versatilidade, graça e consistência em seu jogo. Torço por ele, é claro, quando não joga contra brasileiro. Aí o ufanismo bairrista fala mais alto, como sói acontecer com qualquer torcedor, creio eu, tirando os de futebol, em que dá mais prazer ver o time adversário perder do que o próprio ganhar, mesmo em campeonatos internacionais. Não, não acompanho o futebol, todos sabem. Dá-me sono.
Raquetadas nas bolas as fazem zunir como moscas. Os insetos, no entanto, são impertinentes e complicam o bem estar caseiro. Sabemos de sua importância para o equilíbrio do ecossistema global, mas moscas nos atormentam. E fãs que são de Raul Seixas, têm seus suplentes atentos e atuantes para ocupar o lugar quando dele são expulsas ou mortas por falta de espaço ou traumatismo craniano. Essas possibilidades discorri em crônica do tempo da pandemia, "Mosca morta", texto finalista no concurso da revista piauí (sim, com minúsculas). Pode ser lido aqui, junto ao vencedor: https://piaui.uol.com.br/materia/oportunidades-e-visoes/. Os dípteros carregam alguma confusão cultural com os mosquitos, insetos alados que todos são, mas se males distintos, aquelas por contato, estes, por penetração. As campanhas para combater a dengue têm por alvo o mosquito, ou melhor, evitar seus criadouros, aplicando na prática o melhor conceito biológico. Curioso que essa forma de aborto racional é pouco relacionada com o aborto legal que clamamos em outra esfera da existência. Os dois seriam casos de saúde pública, mas o zunzunzum que geram informa que mosquito não é gente.
Uivam os ventos no cinema, com nova produção sobre o famoso livro. A versão deste ano de "O Morro dos Ventos Uivantes", baseada no livro de Emily Brontë, foi dirigida por Emerald Fennell e é estrelada por Margot Robbie e Jacob Elordi nos papéis principais. Estou lendo ou relendo o livro (não me lembro de o ter lido na juventude) para entender o filme que ainda não vi, uma tradução de Oscar Mendes. Tornou-se importante destacar quem foi o tradutor para saber se o que vier a ser debatido estava mesmo na obra original, à qual poucos leitores têm acesso ou interesse. Ler em inglês clássico é para especialistas, como o confrade da Academia Campinense de Letras, Walter Vieira (https://academiacampinensedeletras.org/academicos/). O exemplar que possuo da obra literária é de uma edição de 1980, da série Grande Sucessos da Abril Cultural, livros de capa branca vendidos em bancas de jornais. Sim, da mesma forma que orelhões, livrarias e pontos de jogo do bicho, havia bancas que vendiam jornais e revistas amplamente espalhadas pelas ruas das cidades. A escrita é miúda para caber em 311 páginas. Uma edição mais recente e com acabamento melhor saiu com 100 páginas a mais. Mas a história está lá devidamente contada para lembrar do senhor Heathcliff ainda que servir-lhe uma cachaça para tomar na Inglaterra de 1800 não parece muito verossímil.
Curioso, amei O Morro quando o li pouco mais que adolescente. Agora, já um varão maduro, peguei para ler novamente e... nada! Não me pegou, achei uma complicação os sobrenomes dos familiares, não engrenou mesmo. Por uns momentos me perguntei por que, mas logo desisti de entender, e pulei para outro romance, a vida é curta para insistir com leitura engasgada.
ResponderExcluir