Postagens

Parados e pirados

Sexta-feira, 19 de julho, houve falha global de computadores, impedindo parte do tráfego aéreo, operações financeiras e bancárias e surgiram muitas telas azuis enlouquecedoras. Raul Seixas e Robert Wise foram lembrados na semana passada, o dia em que a Terra parou . Um, pela linda e provocante música, o outro, pela direção do filme de 1951. Há outra película mais moderna, sempre há uma versão mais nova. Prefiro o filme original, baseado no conto Farewell to the Master , de Harry Bates. A parada computacional global, no entanto, não teve um apelo para o fim das guerras, como foi o filme, um protesto contra a Guerra Fria em curso na época. Um pouco diferente do conto, que foi publicado em 1940 quando era a Segunda Guerra que afligia os povos. Alguns cogitaram a parada atual ser o bug do milênio com 24 anos de atraso e lembro que tal alerta - ou alarme - foi uma grande falácia, pois não haveria a catástrofe apenas porque a data registrada nos computadores iria zerar com a virada para ...

O 14 de Julho

No 14 de julho os franceses fizeram uma festa para aproveitar a proximidade de vários eventos, desde as celebrações da tomada da Bastilha, que está muito próxima ao início dos Jogos Olímpicos em Paris, daqui a dez dias, e a derrocada, ainda que momentânea, da extrema direita nas eleições havidas na última semana. Um ufa! global foi dado. Do outro lado do Atlântico, porém, as coisas estão ruins, com mais um atentado a político norte-americano. No Brasil, em 2018, a facada elegeu Bolsonaro. Nos Estados Unidos, ainda não está claro como o tiro de raspão em Donald Trump interferirá na eleição. A violência típica da extrema direita pode ser um tiro no pé, com o perdão do trocadilho. Os que estavam indecisos podem ver na volta do ex-presidente o açodamento dessa violência. Mas também, a elite masculina e branca pode ver na imagem do candidato sangrando a consolidação da hegemonia da força. Do outro lado, continua a candidatura cambaleante de Joe Biden que poderia usar o atentado em seu benef...

Condutores

Virgílio conduziu Dante pelo inferno até o paraíso. Viagens profundas e um bom livro ficam melhores com um guia. Leandro Karnal fez isso com Hamlet, de William Shakespeare, em sua obra "O que aprendi com Hamlet", de 2018. A história do príncipe dinamarquês como um todo sabemos, mas ela continua a nos intrigar e instigar a novas leituras e interpretações. Em duas viagens de ônibus e mais uma espera no dentista e outra no shopping consegui concluir o livro que não estava na minha lista principal de leituras. Karnal foi meu Virgílio sem saber na busca pelo autoconhecimento e felicidade, seja lá o que isso signifique. A química aparece em três momentos significativos nessas obras. Sim, são duas obras em uma, o texto do Bardo e o de Leandro. Ele detalha a esponja orgânica de antigamente, de baixa durabilidade que era usada praticamente uma única vez, tal qual o papel higiênico de hoje. E cita a mudança que houve com a introdução de esponjas feitas de material plástico, muito mais ...

Heróis humanos e falhos

Meus heróis são professores. Ao contrário do que a música diz, os que morreram não deve ter sido de overdose, mas de vida já vivida. Nem todos encerraram suas atividades mundanas, pois convivi com mestres com duas décadas a mais de idade - o que não é muito - e que estão por aí curtindo suas aposentadorias ou atuando no que gostam ou deveriam gostar: viver. Com eles soube que o aprendizado se faz por exemplos e contraexemplos, assim creio que pregava Piaget, e com muita repetição. De preferência, repetimos os exemplos e os escrevemos em folhas físicas ou mentais, sempre com a intenção de absorver e transformar a informação. A insistência nos erros tem nos tornado menos humanos e tristemente mais iguais uns aos outros. Se assim não fosse, não haveria tantas guerras insanas e por interesses exclusivamente econômicos de alguns grupos que permanecem na surdina. Dizem que é defesa de princípios democráticos, liberdade de expressão, religiosidade, etc. Enganai-vos uns aos outros, eis a mensa...

Nas alturas

Temos medo de altura, de elevador, de escada rolante, do sobe e desce na vida. Tenho minhas apreensões quando os pés ficam distantes do solo, mas a diversão é garantida em montanhas-russas, salto de paraquedas, viajar de avião e outras estripulias aladas para quem não possui asas. No trabalho, a plataforma elevatória levou mais de cinco anos para funcionar e, ainda assim, sem a porta interna. Vê-se a parede passar ao alcance das mãos entre um andar e outro. Aproximar-se da saída com o elevador em movimento faz com ele pare - ao menos um sensor de segurança existe. Minha avó tinha pânico dessas criações mecânicas e, se precisasse ser levada a uma consulta médica, já passava mal ao entrar no carro. Para ir a um local que tivesse elevador ou escada rolante, então, dizia ser melhor deixar ela morrer sem atendimento, que seria mais tranquila a passagem para o outro mundo. Coisas inexplicáveis de nossa mente, tanto os medos quanto as crenças. Vejo que alguns jovens possuem tais fobias, desen...

Semana do solstício

Efemérides são o que acontecem com destaque ou são consideradas importantes, às vezes de forma rara, outras, totalmente previstas. Aniversário é uma delas, um evento anual que se repete na mesma data, monotonamente para muitos. Quando a quantidade de anos acumulada é redonda, lembramos mais facilmente e deixa uma marca a ser comemorada. Nestes meados de junho temos muitas efemérides dignas de nota. Legais, eu diria. O aniversário do Chico Buarque de Hollanda, 80 anos, com lançamento de vários livros, foi uma delas. O livro do André Simões foi um desses. Estive lá, apreciando e tietando o autor de "Chico Buarque em 80 canções" e o Fernando de Barros e Silva, apresentador do Foro de Teresina e repórter da revista piauí , que participou da conversa com o autor. Tasquei-lhe o registro de uma foto e pedi autógrafo no livro comprado, uma vez que o Fernando também assinou a orelha da obra. ( https://cultura.uol.com.br/radio/programas/vozes-do-brasil/2024/06/21/88_chico-buarque-em-80...

Paixão química

Amar é verbo corrosivo, transformador. Daí, talvez, venha a química associada ao amor, uma ciência que transforma a matéria, animando corações e intelectos afetivos. Na troca de elétrons, o equilíbrio é alcançado, mas há sempre quem perde e quem ganha. Partículas em movimento são o que nos define, portanto. Antes de ser uma exclusiva declaração de amor, pois é Dia dos Namorados, lembro que o dia dos profissionais da Química se aproxima e é comemorado em 18 de junho, quando outras efemérides serão conjuntamente festejadas. Já fiz algumas ponderações quanto ao que considero equívoco em atrelar a química exclusivamente à atração, uma vez que é a repulsão entre partículas que propicia a existência da matéria. Somos o que somos porque cargas com sinais iguais se repelem. Se tudo fosse atração, o colapso aconteceria e todo o universo voltaria a se resumir ao que foi na origem: um ponto. Nos primórdios deste blog, a falácia foi objeto de considerações ( https://adilson3paragrafos.blogspot.com...

Novela e futebol

Novela e futebol, quando eles são interrompidos é porque a coisa é séria. No apagão de 2001, o capítulo da novela foi repetido no dia seguinte, tamanha a abrangência do descaso energético em todo o país e a importância daquele pedaço de entretenimento. Agora, nas cheias do Rio Grande do Sul, o campeonato de futebol foi interrompido por duas semanas. São as medidas da gravidade de um país que ainda depende do circo para combater a fome do pão. Mesmo ficando sem novela e sem futebol, não aprendemos a cuidar melhor do ambiente e das formas de obter e distribuir energia elétrica para que todos possam se divertir um pouco. Os colapsos energéticos em menor extensão continuaram, pois sempre tem uma turbina falhando e uma torre de alta tensão caindo. As chuvas serão cada vez piores, ou melhor, cada vez mais drasticamente intercaladas com períodos de seca, o que caracteriza o antropoceno em que vivemos com eventos climáticos extremos. Mas tudo parece letra morta e palavra surda, pois ninguém lê...

Acalentando opiniões

Ufa! Foi o imposto de renda, de novo, em meio de feriado. Mais uma vez, aconteceu nos últimos momentos o apertar das teclas certas, com a desconfiança de que algo deu errado. Fosse eu um bilionário, não teria esse problema, pois eles não saberiam da minha riqueza. Não que tenha feito um voto de pobreza, mas minha não-riqueza é muito bem conhecida por eles, melhor até do que eu conheço, tanto é que a declaração já vem preenchida! Por isso colocam as armadilhas para ver se nelas caímos, pois há que se confirmar os centavos auferidos na caderneta de poupança e se o empregador não enviou informação distinta para você e para eles. Enfim, um bom tempo mal gasto. Seriam essas as fortes desculpas para o blog atrasar, mas a franqueza não deixa. Atrasou por pura procrastinação, já que o momento é de franquia da franqueza. Em feriados há a ilusão de que o tempo se dilata, cabendo neles tudo o que não é resolvido em dias comuns. É o que penso, mas errei. Desta vez, errei já envolto em cobertores. ...

Figurinha carimbada

As figuras de linguagem são ferramentas para aprimorar a comunicação. Dizer sem ser explícito facilita o entendimento, pois o sarcasmo, o exagero, a comparação, a ironia, etc., darão o tom do que verdadeiramente está sendo dito. A fria letra impressa possui pouca importância se não for lida com um mínimo de conhecimento das regras não escritas nesse tipo de interlocução. O leitor deverá conhecer um pouco do escritor para saber o que ele diz, e o escritor precisa dar pistas para que o leitor o descubra. Na ausência desses fatores, restará apena o império da ignorância. Algumas figuras são por demais carimbadas e viram lugares-comuns - os clichês que devem ser evitados. Muita repetição faz perder a ênfase e torna o recurso enfadonho, daí a condenação. Fácil falar, difícil fazer, porque ninguém anda com o ibope de cada palavra ou expressão para saber se a frequência de seu uso é tão grande que grudou feito chiclete (ou clichê, sempre confundi as duas palavras). Parece uma coleção de vocáb...

Letras em movimento

A USP - Universidade de São Paulo - completa 90 anos e, no campus de Lorena, escritores do Vale do Paraíba falaram um pouco de seus escritos, sentimentos, valorização e perspectivas para a universidade aniversariante ( https://www.eel.usp.br/eventos/usp-90-anos-eel-promove-mesa-redonda-com-escritores-do-vale-do-paraiba ). Reproduzo algumas palavras trocadas no grupo de WhatsApp com meus confrades e confreiras Acadêmicos: foi uma noite memorável, com vários encontros, belas palavras e agradável música. Voltei à instituição em que consolidei minha carreira científica e foram muitos abraços apertados. Nossa Academia de Letras de Lorena mostra sua importância e precisa consolidar essa parceria com a USP. A Profa. Dra. Neide Aparecida Arruda de Oliveira, nossa presidente, muito sábia e versátil, já está trabalhando para isso. Parabéns a ela e ao professor Sérgio Cobianchi pela brilhante organização do evento. É um movimento para lá e para cá para participar dos acontecimentos, mas não me in...

30 anos

Universitário, eu tinha um terço da idade atual. Um dos lemas preferidos, cantado em músicas, era para não confiar em ninguém com mais de 30 anos ( https://www.letras.mus.br/marcos-valle/1364186/ ). Hoje com muito mais cabelos brancos - e quilos&dores - inverto a equação/citação para não confiar em ninguém com menos de 30... Já me olham torto aqui do lado. O conflito geracional existe apenas há uns 200 mil anos, coincidente com o nosso surgimento como espécie. Sabemos e não admitimos: os jovens de hoje são sempre piores que os de ontem. Nosso pais falavam isso de nós e por aí vai em sequência ininterrupta. Ela terá um fim, com certeza, pois um dia deixaremos de existir, tanto por uma questão lógica da evolução, quanto pelo que fazemos com nossas vidas e nossa casa. A tragédia no Sul do país é, infelizmente, apenas uma das nefastas faces de nosso descaso ambiental e adesão a um negacionismo sem precedentes. Mas continuemos a alimentar estudos sociológicos que tentam explicar os novo...

Escolhas e exclusões

Não gosto de curtir postagens com crianças. Nunca se sabe se é de quem realmente diz ser ou se é algum caça cliques para apenas angariar dinheiro. Fotos em poses engraçadinhas, associadas ou não a dizeres poéticos, com um apelo aos rostinhos bonitos. Pode ainda envolver pedofilia. Muitos dos exercícios de internet são apenas desvios para algoritmos coletarem dados e preferências e alimentar um bilionário mercado de informação. Não curto postagens religiosas pelo óbvio: é algo sagrado e íntimo e não deveria ser público. Sim, também não respondo quando me tratam como crente - penso que se eu chamasse crentes de blasfemos, ele ou ela não gostaria. Seria o mesmo sentimento que eu tenho quando assim me tratam. Na questão política, tenho minha evidente e clara posição. Há algum tempo criei o hábito de cumprimentar todos os amigos do Facebook na data natalícia, indicando a leitura deste blog como presente. Isso porque o malfadado algoritmo indica o aniversariante, não vem da minha memória. É ...

Flor literária

A professora é vice-reitora e nem por isso tem o completo domínio da fala, da retórica, para cativar a audiência. Ela fala mal. Travada para ler a nominata, com aqueles títulos e instituições todos, disse que um professor é da universidade A enquanto ele é da B e, no meio de profissionais e especialistas em bioenergia, afirmou que a agência é do "gás nacional", sendo que é em gás natural que todos ali estavam interessados. Nacional também pode ser, mas a natureza geológica do produto supera a geográfica. O plural também lhe é difícil - que dor nos ouvidos. Os "bios produtos" entram no lugar de bioprodutos, sem dar azo a um preconceito linguístico de minha parte, apenas se esperava mais da alta dignidade acadêmica. Nervosa? Talvez. Quem sabe a norma culta deve cultivá-la e saber que há outras formas de falar e nunca, nunca se impor. O "errado" de ontem é o "certo" de hoje. A fala é um cartão de visitas, no tempo em que havia cartões e visitas eram...

História de descobertas

A poeta e professora Maria Cristina de Oliveira fala de gratidão em seu blog, que, sempre que visitado, nos retribui com agradáveis reflexões ( https://mkolliver.blogspot.com/2024/04/a-gratidao.html ). A postagem dela foi na semana em que comecei uma "amizade" virtual com Fernando Venâncio, que está escrevendo sobre origem de palavras e expressões. Segundo ele, o "obrigado!", com a interjeição, somente veio a ser publicado em 6 de agosto de 1822, em "O Espelho", mesmo jornal em que a pesquisadora Maria de Fátima Fontes Piazza descobriu um esboço biográfico de D. Pedro II feito por Machado de Assis sob pseudônimo. É uma tese à qual preciso retornar, pois vi que, além do que a pesquisadora encontrou, há outros textos de conteúdo semelhante, provavelmente também do Bruxo do Cosme Velho. Menos anônimos e mais animados, os trovadores de Campinas se encontram neste sábado, a partir das 10h, na Biblioteca Municipal e, no Vale do Paraíba, acontece a Festa Literári...

Dias correntes

A semana que vai se encerrando acomodou um dia dedicado aos jornalistas e aos profissionais da saúde, sendo que o sete, nesse caso, é resultado de conta verdadeira. Aproveitamos para lembrar os perrengues de quatro anos atrás com a pandemia e a importância tanto da notícia confiável quanto dos médicos, enfermeiros e demais profissionais da saúde. Dizem que, com a internet, a notícia chega livremente, sem intermediários. Pela qualidade da desinformação que os grupos de que participo divulga, entendo o quanto retrocedemos. Antes, cobrávamos a falta de contrapontos nas opiniões, hoje, a mentira corre solta sem ninguém para segurá-la. Fui comprar o jornal de Rio Claro em que publico crônicas quinzenais e perguntei à dona da banca se o preço se mantinha em 3 reais. Ela, indignada, disse que sim, mesmo porque, com aquela "finura" de edição, não poderiam sonhar em aumentar o preço. "Eu aqui dou muito mais notícia do que este jornal", afirmou, fazendo-me imaginar a confiabi...

Diplomacia no exército fantasma

A tela em branco contrasta com o papel escuro e repete a ausência de ideias. Um fantasma que paira ao lado de quem retrata em palavras o que pensa. Dizem - e eu já disse também - que copiar trechos antigos pode ajudar nesse processo de travamento. Os meus cadernos de capa dura, no entanto, ficam cada vez mais vazios. O tempo passa carregando inusitados e pitorescos aspectos e fatos cotidianos que deveriam ser lá registrados. Quanto mais tempo presente, mais passivo nos cadernos. Ou seja, o exército de procrastinação batalha junto à cegueira branca, abusando do contraste com Saramago. Este blog contribui para o atraso, retirando tempo precioso da escrita à mão e roubando assuntos que poderiam estar lá escondidos. Ninguém lerá os cadernos, e o blog tem sua centena cativa de leitores. Minha indecifrável letra não será traduzida por especialistas, pois não haverá interesse em garranchos deixados por um incógnito. Não é um Lima Barreto ou Euclydes da Cunha dos quais todos rabiscos deixados ...

Coelhos mágicos

A impunidade tem preço. Seis anos de demora em alguns casos, um milhão de euros em outros. Descubro que é possível viajar para outros países fora do Mercosul sem passaporte. Sem visto eu sei que é possível. Mas é preciso ter contatos criminosos adequados, o que dispenso. A Justiça vai aos poucos mostrando que pode funcionar, mas o tempo ainda é sócio da impunidade. O poder econômico continua a mostrar seu peso, em reais, dólares ou outras moedas, pois a conversão de prisão em multas dá o direito de delinquir e praticar crimes e contravenções. Convém citar um trecho da crônica de Lima Barreto "O único assassinato de Cazuza", de 1922, que pode ser lida no site 'domínio público' ( http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ua000169.pdf ), em que o personagem afirma que a fortuna dos políticos "se alicerça no crime, no assassinato". O pior é que vai se consolidando a imagem de uma Justiça parcial, ineficaz, tardia, uma ilusão para a população. E muitos dos ...

Piano de uma nota só e tecla quebrada

Alunos se surpreenderam com a existência - ou resistência - de um orelhão à frente da biblioteca no campus da Unesp de Rio Claro. Fizemos uma visita à universidade em que eles desenvolvem atividades de pesquisa científica complementares à formação técnica do Instituto Federal em Hortolândia. O campus é distante do laboratório, oficialmente um instituto separado, uma unidade complementar ligada diretamente à Reitoria. A área á bem arborizada, chamativa para caminhadas, descansos e reflexões. Vimos a biblioteca por fora, dando uma olhadela para o interior com mesas de jogos, almofadas, espaço de lazer e recreação. Sim, isso é a biblioteca moderna, não um local em que livros são apenas depositados e ficam à disposição. Eles também estão lá, mas o cardápio que uma biblioteca oferece ultrapassou os limites de um restaurante do saber e do conhecimento. Os alunos até sabem como funciona o artefato de telecomunicação, sem ler um manual correspondente, mas desconhecem que um dia foi alimentado ...

Dólares reais

Os economistas lembram do aniversário de 30 anos da URV, antecessora do Real, a moeda e o plano de mesmo nome que vieram para "acabar de vez" com a inflação no Brasil. Ao menos trouxeram esse componente financeiro para níveis aceitáveis, em que os valores de aumento de preços são anuais e não diários, como naquele final de anos 1980 e começo dos 1990. A economia tenta explicar e dar respostas, mas, no máximo, é falha na previsão do passado. Com muitas fórmulas e cálculos complexos, conclui que o mercado é instável, volúvel, nervoso, aflito, agitado, calmo, esperançoso e demais características humanas um tanto distantes da exatidão que se possa esperar com tanta matemática envolvida. Em relação ao Plano Real, a geração nascida depois disso, que viu também a expansão das conquistas sociais dos governos de centro-direita e social-democrata até os anos 2010-2015, mais ou menos, não sabe o que é hiperinflação e falta de acesso a universidades, SUS, políticas inclusivas, e um longo...