Postagens

Oficinas

Em oficinas se aprende e se conserta. Ali se trabalha o ímpeto e os músculos. O concerto pode também ser uma oficina em que a mais bela música é tocada para tocar corações sensíveis. Na oficina mecânica, lugar de visita constante à medida que o veículo envelhece, a prática encontra a realização, muitas vezes longe da teoria, o que pode não ser muito duradouro. O conserto pode ser efêmero, por má fé ou por ignorância. Reparo é outro nome que se dá à proeza, talvez para salvaguardar o executor de cobranças, do qual é exigida a longevidade da peça trocada e do serviço feito. Descubro que um carro de quinze anos de idade é usado o suficiente para que peças de reposição não sejam mais corriqueiramente encontradas, necessitando de encomendá-las pela internet. Sim, o próprio mecânico assim indica, com todas as referências e ressalvas necessárias. Em dois dias o Mercado Livre entregou o produto, o limpador de para-brisas voltou a funcionar, e felizes, eu e o carrinho, seguimos pelas úmidas e c...

Clássicos

Ítalo Calvino e a leitura dos clássicos ressurgem como temas literários em função do centenário de nascimento do autor. O livro "Por que ler os clássicos", também um clássico, se afirma não como manual, mas todos os que o leem assim fazem. Eu fui ticando os livros já lidos - os clássicos - e estou bem longe de chegar à metade, se é que há um número determinado de obras assim classificadas. Se viver mais alguns anos talvez dê para cumprir a meta. Não, não deve ser meta a leitura daqueles livros, mas sim a leitura de livros. Dizem que é bom canalizar o tempo para livros bons, mas só sabemos o que é o livro quando a leitura é concluída. Um paradoxo, portanto. Tenho alguns classificados como excelentes que não consegui passar do primeiro décimo de páginas e outros que li em tacada única. Uma resenha ou a indicação de entendidos da escrita pesam no momento de decidir por forçar a leitura, assunto que já refleti aqui ( https://adilson3paragrafos.blogspot.com/2023/01/linda-festa-v...

Jogos de palavras

Usar cartas preteridas na composição do blog havia sido uma única vez. Esta é a segunda. Na sequência literária de semana passada, um jornalão da capital paulista passou a perguntar a seus leitores qual é o jeito favorito de ler. Sim, ainda leio os jornalões, quase que por obrigação, mas leio com muito mais ânimo os livros. O que respondi? Três livros simultâneos, um mais denso e outros "leves". Sempre tenho um livro à mão para ler em filas, salas de espera e transporte público. Preferência, é claro, pelo papel, com seu cheiro e volume, mas, se não houver a possibilidade, enfrento o digital sem problemas. Em casa, a leitura acontece mais no sofá e na cama. Livros? Sim, lê-los. Se não lê-los, como sabê-los? Foi até aí a resposta, não considerada pelo jornal, integrando outra missiva esquecida. Assim, tomo-a emprestada em autoplágio para alimentar as repetições do momento, devidas ao calendário, justifico. É véspera de feriado e o público leitor baixa tal qual banhista na praia...

Alguma literatura

Dou um puxão de orelha, metafórico para não provocar processo por agressão física ou assédio moral. Mas a coça é em mim mesmo - e talvez não valha a regra repressora. Fato é que não tenho escrito contos, poemas e outras ficções a contento, parecendo que as lutas intestinas de argumentos e decepções não encontram escape fora da realidade e se acumulam na forma de colesteróis, triglicérides, glicose e outros compostos químicos tenebrosos. E não falo de sublime literatura para a escrita, nem de corpo sarado para o físico. Caminhar com a cachorra Indy a meia hora noturna, todo dia, não está sendo suficiente, é o que o exame de sangue friamente revela. Moléculas e palavras para serem liberadas não faltam, o que seria um anestésico dos mais viciantes e desejáveis. Mas o que pressiona é o tempo. Vejam só, duas grandezas físicas das mais usadas na ciência são as que atentam contra a felicidade! Na ciência, pressão e tempo (o do relógio, não o do clima) não aparecem juntos de forma explícita, t...

Como comentário

Um comentarista deste blog afirmou não ter entendido um dos parágrafos da publicação anterior. A recíproca também é verdadeira e fiquei sem entender o que não lhe foi alcançado pela compreensão. Comunicação possui vários significados, mas que a mensagem tenha chegado a algum lugar é o mínimo que se espera. Como a entrada para comentar foi anônima e sem assinatura, fico sem saber a quem me reportar para um eventual diálogo. Reli várias vezes meu texto e não vi onde faltou clareza. Vício da autoescrita que mascara deslizes, pode ser. E olha que meu vocabulário é raso, simples até para padrões comparativos com outros colunistas mais nobres e entendedores do riscado. Adjetivos demais? Verbos de menos? Faltou substância ou substantivo? Não o saberei. Talvez ele ou ela não tenha concordado com o conteúdo, mas aí é outra questão, voltando ao convite para o diálogo. Rogo que continue a interlocução, de preferência identificando-se. Já são poucos os que frequentam este espaço e ficar com um a m...

Histórias quentes

O aumento da criminalidade no país e, em especial, no Rio de Janeiro criou uma indústria de produtos e serviços que se estende por vários setores. Junto à proliferação de cursos universitários de baixa qualidade, os chefes do crime organizado passaram a unir o inútil ao desagradável, pagando para seus membros fazerem cursos específicos e de interesse na condução daqueles negócios. O bacharelado em direito era o principal objetivo para que fossem formados advogados para defender os criminosos pelos tribunais do país, sem contar a possibilidade de tais bacharéis também adentrarem a magistratura e virarem juízes. Confesso que vi a possibilidade como alarde e não acompanhei desdobramentos. Há muita gente que estuda a dinâmica social e creio que o eventual sucesso da iniciativa foi avaliado. A expressão "advogado de porta de cadeia" passa a ter selo de qualidade. Não é impossível subverter os princípios da sociedade, distorcendo-os e invertendo significados. A História é outra vít...

Ativismo no esporte e na história

A semana começou com datas de triste lembrança, mas está finalizando com alguma esperança democrática. No turbilhão de registros a serem transferidos para artigos, fugiu-me o que anotei em relação ao tênis. O US Open é um dos torneios mais famosos e na partida da semi-final entre a jovem norte-americana Coco Gauff, que veio a ser a campeã deste ano, e Karolina Muchova houve um protesto por parte de um pequeno grupo contra os combustíveis fósseis. É, o assunto caberia melhor em O Regional , semanário de São Pedro em que publico mensalmente algo para falar de biocombustíveis e energia da biomassa. Esqueci! Um dos ativistas colou os próprios pés no piso da arquibancada e levaram 50 minutos para retirá-lo de lá. Meu questionamento é se o poderoso adesivo era feito de matéria-prima renovável, o que acho pouco provável. Os seguranças, dentro de todo o cuidado para não machucar o rapaz, ao dissolver a cola tiveram de usar solventes, provavelmente thinner, uma poderosa mistura de hidrocarbonet...

O todo com suas partes

É uma semana importante em que tento ser independente e publicando os parágrafos sem atraso. O prazo é meu, gostaria de me disciplinar melhor, mas somente o possível acontece. O impossível fica por conta da imaginação. Ainda que atrasada e com poucas visualizações, a postagem da semana passada levou a comentários, e agradeço à sensível escritora Clarice Villac por um deles sobre baús e fotos ( https://adilson3paragrafos.blogspot.com/2023/08/memorias-e-esquecimentos.html ). Levando aquelas reflexões um pouco mais adiante, digo que os fragmentos de lembranças são muito bem reconstituídos pelas fotografias, impressas, é bom ressaltar, uma vez que hoje o registro de imagens é quase todo digital, dispensando o uso de caixas de sapatos e de camisas para guardá-las. Qual a chance de se deparar com um arquivo escondido em celular esquecido da mesma forma que pode acontecer com uma fotografia ou bilhete amarelado perdido no meio de um livro no fundo de uma gaveta ou de um caderno já destinado p...

Memórias e esquecimentos

Uma reunião para definir a melhor forma de lidar com arquivos públicos levou à discussão sobre memórias apagadas. Ainda que estudando nosso passado, há os que o reneguem e não querem entender a necessidade dessa compreensão para não repetir ou evitar os mesmos erros; nem tudo o que vivenciamos possui uma memória confiável. Na forma documental muitos papéis se perdem e a historiadora Eliane Morelli, naquela reunião, atentou para o fato de que, modernamente, outro desafio surge: o de não haver mais arquivos de e-mails trocados, aqueles que formam a memória de tratativas, discussões para a elaboração de projetos, quer seja uma decisão empresarial, quer seja de uma lei ou ação governamental. Bem, há os que usam a ferramenta para fins ilícitos e até se esquecem de apagar em definitivo das lixeiras virtuais... O uso das redes sociais também possui o dilema da dificuldade para resgatar tudo o que foi ali postado, uma vez que material antigo precisa ser apagado para dar lugar ao novo e se não ...

Quentes e menosprezadas

Por estes dias, a única manifestação inspiradora são estes parágrafos. Por menos ideias que surjam, dois parágrafos não acomodam o todo a ser dito. Os da semana passada, concordo, foram uma reverberação de outras ideias, preteridas por órgãos de imprensa, transpostos de cartas a parágrafos. Funcionou. Ideias que nem sempre são aceitas, o que é corriqueiro no devido debate, mas que também sequer são ouvidas ou consideradas. São desprezadas. No calor de uma discussão, o editor pode não publicar tudo o que a ele chega, humano e defeituoso que também é. Por outro lado, um artigo enviado para um site que quase tudo publica foi repetido em jornal de Sergipe, tratando da crítica que é feita a servidores públicos, mesclando com as recentes mudanças havidas na política de cotas:  https://jornaldodiase.com.br/servidor-publico-e-a-politica-de-cotas/ . Muitos outros escritores estão no mundo virtual e passei a acompanhar este blog de Hilda Milk com bons textos para leitura:  https://...

O uso de celebridades

As celebridades são usadas - e, às vezes, abusadas - para a venda de produtos. Isso é patente, uma relação ganha-ganha, pois a celebridade pode ter boletos além dos suportados pela função principal que desempenham. Tomo alguns exemplos, sem pensar em quantas curtidas tiveram nas redes (anti)sociais, apenas um exercício de memória. Continuam as discussões em relação ao "meme" que viralizou nessas redes e em outros recantos cibernéticos no momento, refletindo o deepfake da Elis Regina. Reconstituições são frequentes em peças publicitárias. Com o avanço da tecnologia, mais e mais pseudorrealidade é trazida às imagens. Subverter posições políticas e a própria história também é típico de quem quer vender, pois o lucro fica acima de escrúpulos. São muitos os exemplos, desde um Vinícius de Moraes tomando cerveja ao piano (quem se lembra?) até uma Elis Regina dirigindo uma Kombi. Mas ninguém pensou em usar inteligência artificial para reconstruir meu pai colocando calhas pela cidade....

Infância cíclica

Filmes que dão medo ou que nos fazem pensar parecem ser os melhores. Há também os de ficção científica produzidos acima da barreira do pastelão de efeitos especiais. Cinema de qualidade não é entretenimento, dizem os especialistas, mas eu sou um mero espectador, então entretenho-me em assisti-los. A proibição por faixa etária que vem junto ao filme é o maior chamariz para despertar curiosidade do que estão escondendo dos mais jovens. Tirando filmes pornográficos que estão em outra esfera de "curiosidade pelo conhecimento", filmes mais sérios são frustrantes quando a expectativa por vê-los devido às proibições é maior do que a realidade depois de vistos. A pergunta que resta é por que uma criança não pôde ver isso agora, mas um ou dois anos depois será permitido ao jovem dali resultante? Algumas passagens com linguagem inapropriada ou cenas de erotismo, talvez nudez, justificam a proibição. Mas não parece nada diferente daquilo com que boa parte dos jovens tem contato no mundo...

Correspondências

O preparo para a postagem começou no Dia do Selo, início de agosto, que motivou uma tentativa de trova que não deu muito certo. Fiquei, então, com o poema na forma de versos livres, publicados no Facebook: Agosto inicia pelo Dia do Selo, / que há muito tempo não lhe dão valor, / mas gostaria ainda de vê-lo / estampando uma carta de amor . Devo fazer a ressalva ao adjetivo livre, pois um verso será sempre prisioneiro da angústia do poeta, fingidor ou não. O poeta fingidor é o mais honesto dos confidentes. Mas em mundo eivado de falsidades, constato que algumas mentiras correspondem aos fatos, outras datas correspondem à vida. Descubro que o Jornal da Cidade Bauru tem a mesma idade minha e pude tecer umas linhas em agradecimento ao espaço que lá me é concedido ( https://sampi.net.br/bauru/noticias/2778106/articulistas/2023/08/o-oasis-do-jornal-da-cidade ). E o site Chumbo Gordo, da Marli Gonçalves, abriu espaço para minha primeira publicação: https://www.chumbogordo.com.br/432016-guerra-...

Parentes na leitura

Mudaram o X da questão, mas a resposta difusa continua a mesma na rede (anti)social que o abriga. Em outra rede, os amigos do Facebook são limitados a 5 mil. Não que ajude muito na seleção para alguma conversa animada, que não seja de ódio, propaganda ou limitada a grunhidos cibernéticos na forma de carinhas e joinhas. Há os que criam outros perfis para aumentar sua gama de contatos. Os amigos reais são medidos à base de centésimos daquele valor. Ou milésimos. Em outros espaços mais pragmáticos, como o LinkedIn, os contatos são assim chamados, nada de amigos e pouco de vida pessoal para ostentar. Todos posam com os braços cruzados à frente do corpo, trajando blazers e terninhos. A dimensão da amizade virtual me leva a refletir que tenho mais primos do que amigos. Pai e mãe, cada um, tiveram uma dezena de irmãos, todos convertidos em tios, todos casados e todos com prole média de três filhos para cada um. Ou seja, tenho cerca de 60 primos! Não vou considerar aqui os que foram surgindo n...

Resgate

Três parágrafos são uma medida imprecisa de conteúdos, dependentes da quantidade de linhas e, em última análise, da ênfase dada aos assuntos abordados. Alguns fluem bem, as palavras quase que desaparecem para dar lugar a uma mensagem. Beira a espiritualidade, não fosse ela inexistente. Resta uma ideia final quase sem a necessidade de um meio condutor. Outros são mais travados e o melhor é abreviá-los. Insistir, nesses casos, leva a descontentamento do escrevinhador e dos leitores. Mas é necessário algum resgate de forma e conteúdo para que a tríade não perca sua identidade. Nos últimos anos, apenas em momento pesado de luto a postagem não foi publicada, o que não quer dizer que as que saem não carreguem pesares e lágrimas. Esta de hoje nem tanto. O homem chegou à Lua há 54 anos, em 20 de julho de 1969, dois anos e 45 dias depois de meu nascimento. Um argentino, Enrique Ernesto Febbraro, propôs que se comemorasse nesta data o Dia da Amizade ou Dia do Amigo e assim ficou para algumas par...

Dias idos

Foi o dia da ciência e do pesquisador científico em 8 de julho, data da fundação da Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência, uma comemoração com viés de volta à civilidade. O aniversário de Campinas e do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico da mesma cidade é neste 14 de julho, que não é feriado; Marcel Proust nasceu num 10 de julho, Guilherme de Almeida morreu num 11 de julho, Carlos Gomes nasceu nesse mesmo dia, 11, em outro século. O dia "mundial" do rock é comemorado somente no Brasil em 13 de julho e minha comadre aniversariou no 12. Novamente, o volume de efemérides é muito grande em relação ao número de dias de um ano. As coincidências são inevitáveis pela lógica probabilística. E o tempo, esse que uns buscam e poucos encontram, segue inexorável e vence todos os prazos e derrota os compromissos. Os dias vão pelos desvãos da existência. O elogiado historiador abdica da gramática e não faz distinção entre o uso do verbo haver, para representar o passado,...

Sonhos reais e vida fictícia

Ao acordar, tenho a sensação de que algo pesa em minha cabeça. A lembrança é a do sonho em que fui expulso de minha sala de trabalho, com uma ponta de crueldade ao deixarem alguns documentos sobre uma mesa para lembrar que realmente era meu o espaço e que foi ocupado por outros. Jogado fora? Colocado em outro lugar? A matéria de meu passado empoeirado ficou sem destino certo, pois acordei. Transformar poeira do passado em concreto do futuro segue como constante objetivo, de olhos fechados ou abertos. O momento de forte interação do subconsciente com o consciente é objeto de estudos, alguns sérios, outros beirando a pseudociência. Gostaria de entender-me melhor para saber o que esses neurônios sonolentos dizem, se é que há alguma mensagem nos filmes vivenciados todas as noites. Quando espantosos, são registrados no caderno de capa vermelha, que já foi preto, amarelo, multicor. Ao descrever o sonho, creio que um dia posso sabê-lo melhor. É a sina de todo pretenso escritor: seus sonhos vi...

Sabidos anônimos

Os comentários para este blog são liberados, sem moderação, sem censura, mas para aparecer o nome do autor precisa haver um registro no gmail. A maioria não o faz e aparece como anônimo para mim e para os demais leitores. Alguns assinam o texto junto ao comentário e fico sabendo quem é o gentil leitor. Digo gentil porque apenas uma única vez recebi aqui impropérios, aos quais não cabia interlocução. Tratava-se de um sabido anônimo (ou seria sabino anódico?), que não teve a mesma coragem fora dos ditames do espaço cibernético. Inteligência natural movida por neurônios biológicos que comandaram nervos e músculos para digitar o infame comentário. Cito apenas como exemplo, creio que até já esqueci o conteúdo. Aos anônimos que subscrevem cartas, comentários e afins, agradeço e teço respostas quando pertinente. Juntam-se àqueles anônimos de outrora que figuravam em jornais e revistas impressos, a completar ou corrigir as notícias dadas e para as quais o editor resolveu omitir a autoria. Já t...

Inverno quente

Está bem frio. O inverno começa oficialmente hoje e a previsão é que não será tão frio e seco em função do El Niño. A meteorologia evoluiu muito, mas as mudanças climáticas provocadas por nós dão um nó nos programas computacionais que ela utiliza. As previsões, confirmadas ou não, alimentam novos softwares para seu aprimoramento. Acaba por ser uma boa previsora do passado, tal como a economia, que de ciência tem muito pouco. Na verdade, hoje é o dia em que chegamos ao solstício, correspondente aqui no lado meridional do planeta ao dia mais curto do ano. O sol chega ao máximo de descolamento de nascimento, que está deslocado para o norte, e começa a nascer mais ao sul, movimento lento nos céus e horizontes, mas perceptível e registrado há milênios pelas civilizações que nos precederam. A astronomia é, talvez, a mais antiga das ciências de base empírica. Em noite limpa e clara, vejo um avião passando pelo Cruzeiro do Sul, quase no zênite da abóbada celeste. Aproveitei para refletir que a...

Engolindo letras e sapos

Por esses dias, centenárias referências se apresentam. Quanta coisa escreveu e matutou Ruth Guimarães, nascida no mesmo dia em que Santo Antônio é celebrado. Os filhos mantêm sua memória viva com eventos em sua cidade, Cachoeira Paulista. Acompanho, de longe, os louvores à madrinha de nossa Academia de Letras de Lorena (ALL). Professor Nelson Pesciotta, outro centenário já falecido, será homenageado na nova edição da coletânea da ALL a ser lançada em agosto, no aniversário. O compromisso de publicar todo ano está sendo levado a cabo ininterruptamente. Resgatei dos arquivos públicos o fichamento do professor quando da ditadura cívico-militar, rotulado de comunista, como todos os que ousam clamar por um mundo melhor. Em minha época estudantil sabíamos do paradoxo da expressão inteligência militar e hoje parece que a falta de sinapses se estendeu para vários cantos (e antros) povoados por alguns que avocam sapiência. Só se mudaram a etimologia para algo raso, com origem no sapo, o batráqu...