Postagens

Forte e doce

O ano cultural foi iniciado na Academia Campinense de Letras. Evento forte e mostrando o fôlego da instituição comandada por Jorge Alves de Lima e Ana Maria Negrão. Vi um maestro Júlio Medaglia falar sobre a história da música no Brasil em momentos específicos, realçando que nesses primóridos, séculos XVIII e XIX, eram principalmente negros fazendo a música que tocava e se apresentava em Veneza, tomada como símbolo europeu. Apenas numa etapa posterior passam os brancos a fazer música que  introduzia a cultura negra em suas composições. A música clássica, segundo ele, começou aqui 150 anos antes de os Estados Unidos fazerem seus registros. Foi uma sequência do que falou quatro anos atrás ( https://adilson3paragrafos.blogspot.com/2019/03/ciclos-culturais.html ). No mesmo evento cultural, para coroar a noite, vi os dedos rápidos de Sônia Rubinsky flutuando sobre o teclado do piano, um encontro de ambos, mãos e mecânica, pela mais doce atração. Generosa, após a apresentação Sônia não s...

Histórias

Meu pai já estava doente quando lhe dei um caderninho de capa azul para que ali anotasse suas recordações de vida. Ralhou comigo, como era peculiar em função do sangue majoritariamente espanhol, dizendo que tais histórias seriam dele e não teriam importância para mais ninguém. Seriam coisas muito simples e banais. Tentei explicar que a história do mundo eram as histórias de cada um e a dele seria, em parte, a minha também. A contragosto aceitou. Uma dose de egoísmo de minha parte envolvia aquele pedido/presente. Eu queria saber um pouco mais dos detalhes de causos por ele vividos e que nos contava esporadicamente. Na escrita ele era mais atencioso e detalhista, ainda que o estudo formal se encerrara antes do que hoje se chama ensino fundamental. No entanto, o câncer foi mais rápido e não deu tempo de ele escrever uma linha sequer. Meu pai não viu o neto mais novo nascer, nem o do meio morrer. Teria mais um pouco de alegria e muita tristeza para vivenciar, como todos nós tivemos. Ainda ...

Divulgando ciência e cultura

O Jornal Pravda cede espaço para artigos opinativos, desde que assinados e inéditos. O mais recente foi acerca da divulgação científica na cultura ( https://port.pravda.ru/cplp/57848-divulgacao_cientifica/ ). Uma mescla de tópicos abordados ao longo do mês nos jornais por aí. Repetir a chamada aqui não deve ser rotulado de auto-plágio, espero. Afirmo isso por ter causado dúvidas em postagem anterior. Quem escreve costumeiramente acaba por repetir seus argumentos, concepções e até textos completos. Não é tarefa simples publicar sempre a coisa inédita e um pouco de auto-plágio se espraia sobre todos. O problema é o uso de citações alheias sem a devida referência ou deixar claro que determinada publicação já passou por divulgação em outro veículo. Tal situação também acontece com palavras poéticas e literárias, especialmente as submetidas a concursos que podem ser desclassificadas simplesmente por não atenderem à norma do ineditismo. Escrevamos sem o auxílio de robôs, mas sabendo que são ...

Seguindo como se pode

O luto constante faz ficar um vazio na existência. Ficou também um vazio na sequência do blog. Quem quiser, olhe o fragmento anterior, ele sequer foi divulgado. Ou melhor, parte foi agregada na publicação do Jornal da Cidade de Rio Claro, por total incompetência de elaborar algo inédito. As palavras continuam minhas, bem as sei, mas em tempos de inteligência artificial predominando sobre a natural é bom que as repetições e os auto-plágios sejam contidos. Como sempre, na página do Facebook estão cópias das publicações impressas ( https://www.facebook.com/adilson.goncalves.9847/ ). Opiniões pré-elaboradas também ficaram perdidas pelas semanas passadas e estão aqui para a devida consulta:  https://www.brasil247.com/blog/jornaloes-sendo-jornaloes ,  https://www.brasil247.com/blog/enterrando-o-bolsonarismo ,   https://sampi.net.br/bauru/noticias/2739017/articulistas/2023/02/necessidade-de-ativismos-politicos . Tentemos dar prosseguimento ao possível, certos da impossibili...

Luto

Compromisso com os quatro elementos, era o título povisório. A água sempre encontra seu caminho, arrastando o que encontrar pela frente. Participei por alguns anos no Comitê de Bacias Hidrográficas do Paraíba do Sul, representando as Instituições de Educação Superior, quando fui docente na USP - Lorena. Duas décadas atrás havia um conjunto grande de informações sobre o que hoje é chamado de evento climático extremo, com monitoramento de áreas de risco e propostas de sistemas de alertas que pudessem mitigar tragédias como as que estamos vivendo nesses dias no litoral norte paulista. Parece que muito pouco chegou nas esferas públicas para encontrar solução. Vivenciamos a experiência do tempo recorde em que vacinas contra a Covid-19 foram desenvolvidas, mas que foram barradas no negacionismo governamental, o que fez com que a vacinação fosse lenta, houvesse desvio de recursos - como explicitado pela CPI de dois anos atrás - e que as tais práticas de negacionismo e anti-vacinas passassem a...

Disco voador

Os alienígenas ainda não entraram em contato comigo, então não se preocupem. Eles estão longe, não chegaram e pouco se importam com nossa existência. Ainda... Foi na época do aumento do tráfego aéreo e da ascensão da guerra fria que houve a maior incidência de visualizações de objetos voadores não indentificados, palavra dicionarizada pela sigla óvnis, paroxítona devidamente acentuada. Não queiram os trovadores fazer rima com ela, impossível que é. Na minha adolescência buscávamos pelos discos-voadores nos céus e devorávamos as estórias relacionadas com tudo o que fosse extraterrestre, sempre contadas com a dramatização necessária de quem teve - ou soube de quem teve - contatos imediatos de graus variados. Sim, todos fãs de Steven Spielberg, tanto para o filme com Richard Dreyfuss, quanto para o do adorável ET. Esperançosos da rendenção alienígena, não nos furtávamos da admiração pela ficção científica. Bons e inocentes tempos em que sabíamos dos limites entre realidade e ficção e, se ...

Terremoto

O impacto da movimentação das placas tectônicas é medido pela escala Richter, relacionada à energia envolvida e possui uma escala logarítmica de base 10, ou seja, uma unidade a mais na escala significa um tremor com intensidade multiplicada por 10. Escalas logaritmicas são comuns nas ciências para evitar que diferenças muito grandes sejam difíceis de escrever. Em química, a escala de pH (potencial hidrogeniônico) é uma das mais conhecidas, mas todas as medidas cinéticas e termodinâmicas envolvem equações que usam logaritmos. O problema nessas escalas é querer fazer comparações diretas, por exemplo, um tremor de 4 pontos na escala Richter e outro de 8 pontos não significa que uma teve o dobro de intensidade do outro, mas dez mil vezes! O número de mortes e impactados pela destruição, por outro lado, é imensurável. No início das notícias falava-se em centenas de mortos e, que passaram a milhares nos dois dias seguintes e, até agora, já passam de 11 mil pessoas. Os arcos de maiores tremor...

Estresse pré-traumático

Expressão corrente nesta semana é o estresse pré-traumático do retorno das férias. O calendário é ingrato para determinar períodos de suposta interrupção e inatingível descanso para muitos ao mesmo tempo, a coincidência com os dias mais quentes do verão. Aqui e no hemisfério norte é assim, e no final de ano eles fazem apenas uma pausa no período de festas. Ainda seguindo o calendário escolar, ou porque há filhos nessa idade, ou porque se é parte da estrutura educacional, o fim das férias é traumático. A divisão do tempo em dias e meses é prova do condicionamento a que submetemos nossa mente, pois o universo pouco se importa se hoje é uma segunda-feira, um feriado ou dia santo. Tal divisão deveria ajudar na organização, mas resulta em prazos e daí é um pequeno passo para aumentar a ansiedade e angústia das intermináveis listas de afazeres. Há estudos que mostram que organizar torna-se mais importante do que realizar. Tenho minhas dúvidas... Mas já é mês que vem e agora vai! Vou resgatar...

Seriíssimo

Concluí a rápida leitura de As inseparáveis , de Simone de Beauvoir (Ed. Record, 2021), um extrato de reminescências principalmente de sua infância e pré-adolescência em amizade com Zaza, retratada como Andrée. Chama a atenção que são experiências tão comuns à primeira abordagem e que se tornam importantes devido ao que a autora veio a se transformar depois. São extratos já integrados em outras obras, mas que teve uma primeira edição apenas agora como elemento independente. Amores, dúvidas, regras sociais, embates na família, admiração da natureza. Quantos tiveram vivências equivalentes e por não a relatarem ou não chamarem a atenção da sociedade para a própria existência nunca galgaram um lugar nas estantes e arquivos pdf. Por isso, talvez, que eu vá registrando inferições comezinhas do que me acontece ao redor, primeiro em cadernos de capa dura preta e, mais recentemente, em multicoloridos e mais flexíveis. A rigidez da obrigação das anotações foi se moldando com o tempo. Vai que alg...

Praia

Lugar em que "o mar passa saborosamente a língua na areia", nas palavras de Eduardo Dussek e Luis Carlos Góes, a praia esteve ausente deste blog e do blogueiro. A última visita ao limite das vidas, ou seja, entre a região da vida terrestre subsequente e a da vida aquática iniciante, se deu há exatos quatro anos, não sendo a pandemia o único motivo para não me deslocar até lá - ou, melhor, até aqui. A conturbada vida moderna assumida é insana em muitos aspectos e não se dar o devido tempo ao relaxamento físico e mental é o mais crítico deles. Mas cá estou, vendo o mar pela janela do apartamento, como diz outra música, com ar inquiridor porque todas as previsões diziam que deveria aguardar a redução da umidade atmosférica para enfrentar a da beira-mar. Ou seja, ainda não choveu, ao contrário do castigo que sofre minha Campinas. O sol vem como aditivo ao período de descanso e a pele muito clara apenas avermelha-se em resposta à forte irradiação térmica e luminosa. Protetores sol...

Terrorismo e ignorância

Há que ser dado o correto nome à coisa, ao ato. A festejada da semana passada vira atordoamento com o terrorismo praticado na capital federal. É isso mesmo a que chegamos? Muitos dos que estão ao nosso lado são terroristas ou são coniventes com eles ou até os apoiaram. Um desses conhecidos - que me recuso agora a chamar de amigo - faz postagens constantes de apoio a tais atos golpistas travestidos de democráticos e foi alertado por um parente numa das redes sociais: o que está acontecendo com o tio? De minha parte, tenho a sorte de não ter ninguém próximo, nem importante, que seja dessa laia. Proximidade no sentido sentimental porque há muitos que habitam esferas de convivência inevitáveis e inescapáveis para continuar alguma atividade cultural e social. Compreender à flor da pele o que passaram e passam povos submetidos a ditaduras, tiranias, fascismo e nazismo é um experiência muito traumática. Não queria estar passando por ela, mas é o que está em curso. Que rapidamente vire mais um...

Linda festa, vamos trabalhar

Foi bonita a festa. Emocionamo-nos todos os que por ela ansiavam, mas sabemos que ela é apenas um marco e que o trabalho duro vem agora. Muito trabalho, por sinal, como já estamos sentindo por tudo o que é necessário reconstruir. Movimentos políticos e administrativos estão em curso, mas sabemos também que há períodos iniciais de quase inércia, quase como ritos de iniciação, que precisam ser respeitados. O Brasil só começa depois do carnaval é um deles e outro é aguardar os 100 primeiros dias como licença para ajustar rumos e rotas. Estou testando os espaços jornalísticos para medir a temperatura de aceitação do novo tempo e parece que há ainda muito receio, frustração e cobranças antecipadas. Novo tempo, sim, mas sem baixar a cabeça e ignorar crimes pretéritos com a intenção de apaziguar ânimos belicosos remanescentes de mais um período de trevas escrito em nossa conturbada História. Colocar o povo novamente como protagonista de um país não é tarefa fácil. Festas feitas, festas lidas....

Silêncio dos culpados

Não é ironia, mas são 72 horas de espera para o início de um novo tempo. Novo rescendendo a velho, pois é a experiência pretérita que dá esperança de um futuro menos tumultuado. Confiança é a palavra a ser usada em substituição a esperança, a partir de agora, mesmo com todas as dúvidas dos novos governos que se instalam democraticamente. Repito, democraticamente. Na composição dessas novas equipes, vemos que o real é longe do ideal, tudo em nome da governabilidade. Uns tendem a aglutinar os ruins para não ficarem piores, outros trazem bons para não serem tão ruins. Política não é aritmética em que basta fazer soma de positivos e negativos. É a arte do possível. Desde o Riocentro não se via armação terrorista em terras brasileiras. Naquela época, militares iriam detonar uma bomba em evento cultural e o tiro, ainda bem, saiu pela culatra, não sem antes eles quererem atribuir à esquerda a responsabilidade do fato. Fiasco criminoso, não devidamente punido, como não foi a própria ditadura m...

Pré-Natal

A última data festiva deste ano, muito esperada para ser comemorada, cairá num domingo, mudando pouco para muita gente. Mais do que o Natal, será o Ano Novo a grande festividade, repleta de esperanças. Mas ainda estamos no pré-Natal, com o perdão do trocadilho, e coisas estão nascendo. Em alta velocidade, o Parlamento dá conta de aprovar inúmeros documentos legais e nasce um novo arcabouço orçamentário que acomodará auxílios e investimentos. Assisti a boa parte das sessões finais, lembrando dos tempos de participação em assembleias estudantis e representações em órgãos colegiados na universidade. A minoria sempre tentando marcar posição, voto vencido que é, e a boa maioria sabendo que precisa respeitar opiniões diversas, pois política é a arte do possível, não da distensão. Acabei de ver um vídeo com bebês rindo com os mais simples gestos, mostrando que a espécie humana ainda tem jeito, não fossem os adultos atuais a conduzir as crianças. Estou em falta com muita gente e não será agora...

Espaço para a vida

Dei-me conta de várias pessoas importantes para mim e famosas para muitos que nasceram ou morreram em datas que fazem aniversário nestas semanas iniciais de dezembro. Parentes e não parentes também, uns vivos, outros falecidos. Não os apresentarei aqui, a lista seria muito longa e o blog, definitivamente, não é a miniatura do Google. No entanto, apenas resgato Clarice Lispector, que tem a data de nascimento um dia após a de falecimento, distanciadas em meros 57 anos. Pensar que ela viveu apenas dois anos a mais do que eu já vivi! Lembra-me o escritor que tece suas reflexões existenciais sobre o túmulo do pai, visitando-o quando ambos tinham a mesma idade, ou seja, os restos mortais embaixo da terra foram de um ser que viveu o mesmo que o escritor ali, de pé. Poucos dias à frente, o filho estaria mais velho do que o pai morto. Perder um familiar precocemente dá a muitos essa "oportunidade" única de dialogar consigo mesmo sobre efemeridade, singularidade e pequenez da existênci...

Vida dourada

As chuvas de quase verão são intensas, deslocadas no tempo e no espaço, mas totalmente previsíveis. Os danos urbanos acontecem como se inesperados fossem, galhos caem e a primeira atitude é retirar mais ainda as parcas árvores existentes. Precisamos de mais vida e não de mais morte. Onde moro, os condomínios invadem as áreas antes destinadas a fazendas, com impermeabilização de solo sem qualquer compensação ou alternativas para o que fazer com a água que continua encontrando seu espaço. Leis que regulamentam o uso do solo são fruto da economia, não da lógica ambiental. Ainda que o mundo político esteja novamente de volta ( https://www.brasil247.com/blog/mundo-politico-de-volta ), a lei da selva de pedra do mais forte monetariamente é a vigente. A especulação imobiliária sempre falou mais alto, pois o que lucra com a valorização de transformar um terreno em edifício não mora naquele lugar, deixando o caos do trânsito e falta de urbanidade para os que creem estarem investimento no patrim...

Começando ideias

No fim de semana passado realizamos a exitosa reunião do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas, em que praticamente foi dada minha posse na presidência daquela instituição. A brilhante palestra da Arilda Ribeiro acerca do período imperial em Campinas, e o desenvolvimento dali decorrido, foi acompanhado por cativa plateia que também pôde compartilhar dúvidas e sugestões sobre as ilustrações, fatos e peculiaridades apresentados. Um registro mais detalhado da reunião foi encaminhado para a imprensa local. Afinal de contas, a História do próprio Instituto precisa ser documentada. Faremos uma edição da Revista do Instituto em abril de 2023, mantendo o blog, que possui um acesso numeroso, com postagens quinzenais. Estão no radar a elaboração de um Dicionário Histórico de Campinas e a participação nas comemorações dos 250 anos do município em 2024. Há um bom e rico trabalho em curso, portanto, cheio de ideias. Precisamos de empenho e comprometimento para dar conta. Naquele...

Tremendo número

Os espasmos a percorrer o corpo inebriado de acontecimentos podem ser devido ao frio, à ansiedade, a sustos, a medos, enfim, à vida. Tremer é defesa, é reação. O adjetivo tremendo, roubado do gerúndio conota também a coisa boa, a surpresa, o superlativo. Multifuncional, tal como quase todo nosso léxico. Bendita língua portuguesa, de cuja data quase me esqueci, passada a 5 de novembro. Sim, é o Dia Nacional, pois o Internacional, festeiros que somos, foi a 5 de maio. Ambas são em dias 5, o único número que sorri. Tremenda coincidência. Português é a língua brasileira mais falada nesta terra cujo nome é derivado da cor vermelha. Usada em toda nossa comunicação - a língua, não necessariamente a cor -, adentra a ciência para dizer o que é a natureza e como estudá-la de forma que seja entendível por todos. O uso da linguagem para a divulgação científica tem, assim, sido abordado em artigos recentes e um deles está no Jornal da Cidade Bauru, que pode ser lido aqui: ( https://sampi.net.br/ova...

Só há morte na vida

"Só há morte na vida". A frase tem seu costumeiro duplo sentido, que a morte naturalmente seja determinada pela vida ou que seja o lamento de nada mais se encontrar na vida além da morte. Dubiedade proposital para rechear a crônica, confessando que foi constatada depois que a frase estava pronta. O complemento pelo primeiro significado seria dizer que, sem vida, não há morte. Tudo o que morre precisa estar vivo, por óbvio. Da segunda interpretação mantenho distância, pois, por pior que a vida seja, tal qual a música, ninguém quer a morte. De sorte que sigamos na rima e na sina de viver. Dias ruins já vivemos e os deixamos para trás, pois a esperança nos diz que a melhora se descortina no horizonte. E quanta vida vista nesses dias em que o Brasil recuperou o protagonismo internacional, apresentando compromissos e propostas! Volta-nos o orgulho de sermos um povo. Sim, há os discordantes, minorias tresloucadas espalhadas por cantos e canteiros, mas não muito distinta dos câncere...

Que seja a arte!

O estímulo à escrita vem dos conflitos internos. Apaziguados, parece que faltam assunto e palavras para preencher crônicas, antes frenéticas. Os artigos políticos, que eram quinquídios, já não surgem há uma quinzena. Um bom sinal, haja vista que eram todos críticos e denunciavam o pior por vir. Tempo para tratar de reflexões mais prazerosas da sociedade em que vivemos, mesmo com focos de fanatismo espalhados e pulverizados por aí. Atrapalham o tráfego, no máximo, já que a lei parece não atingir os que praticam tais atos criminosos nem os que os financiam. Nesse âmbito do prazer existencial, o jornal local dedicou espaço para artigos dos professores Maria Eugênia Castanho e Sérgio Castanho, casal com vida integralmente dedicada à educação e à cultura. Com a devida vênia a ambos, pude tecer comentários sobre esses textos que chamei de resgates. Sim, nos próximos meses teremos a refundação das políticas culturais no país e estaremos atentos a contribuir, na verdade, a voltar a contribuir ...