Postagens

Seriíssimo

Concluí a rápida leitura de As inseparáveis , de Simone de Beauvoir (Ed. Record, 2021), um extrato de reminescências principalmente de sua infância e pré-adolescência em amizade com Zaza, retratada como Andrée. Chama a atenção que são experiências tão comuns à primeira abordagem e que se tornam importantes devido ao que a autora veio a se transformar depois. São extratos já integrados em outras obras, mas que teve uma primeira edição apenas agora como elemento independente. Amores, dúvidas, regras sociais, embates na família, admiração da natureza. Quantos tiveram vivências equivalentes e por não a relatarem ou não chamarem a atenção da sociedade para a própria existência nunca galgaram um lugar nas estantes e arquivos pdf. Por isso, talvez, que eu vá registrando inferições comezinhas do que me acontece ao redor, primeiro em cadernos de capa dura preta e, mais recentemente, em multicoloridos e mais flexíveis. A rigidez da obrigação das anotações foi se moldando com o tempo. Vai que alg...

Praia

Lugar em que "o mar passa saborosamente a língua na areia", nas palavras de Eduardo Dussek e Luis Carlos Góes, a praia esteve ausente deste blog e do blogueiro. A última visita ao limite das vidas, ou seja, entre a região da vida terrestre subsequente e a da vida aquática iniciante, se deu há exatos quatro anos, não sendo a pandemia o único motivo para não me deslocar até lá - ou, melhor, até aqui. A conturbada vida moderna assumida é insana em muitos aspectos e não se dar o devido tempo ao relaxamento físico e mental é o mais crítico deles. Mas cá estou, vendo o mar pela janela do apartamento, como diz outra música, com ar inquiridor porque todas as previsões diziam que deveria aguardar a redução da umidade atmosférica para enfrentar a da beira-mar. Ou seja, ainda não choveu, ao contrário do castigo que sofre minha Campinas. O sol vem como aditivo ao período de descanso e a pele muito clara apenas avermelha-se em resposta à forte irradiação térmica e luminosa. Protetores sol...

Terrorismo e ignorância

Há que ser dado o correto nome à coisa, ao ato. A festejada da semana passada vira atordoamento com o terrorismo praticado na capital federal. É isso mesmo a que chegamos? Muitos dos que estão ao nosso lado são terroristas ou são coniventes com eles ou até os apoiaram. Um desses conhecidos - que me recuso agora a chamar de amigo - faz postagens constantes de apoio a tais atos golpistas travestidos de democráticos e foi alertado por um parente numa das redes sociais: o que está acontecendo com o tio? De minha parte, tenho a sorte de não ter ninguém próximo, nem importante, que seja dessa laia. Proximidade no sentido sentimental porque há muitos que habitam esferas de convivência inevitáveis e inescapáveis para continuar alguma atividade cultural e social. Compreender à flor da pele o que passaram e passam povos submetidos a ditaduras, tiranias, fascismo e nazismo é um experiência muito traumática. Não queria estar passando por ela, mas é o que está em curso. Que rapidamente vire mais um...

Linda festa, vamos trabalhar

Foi bonita a festa. Emocionamo-nos todos os que por ela ansiavam, mas sabemos que ela é apenas um marco e que o trabalho duro vem agora. Muito trabalho, por sinal, como já estamos sentindo por tudo o que é necessário reconstruir. Movimentos políticos e administrativos estão em curso, mas sabemos também que há períodos iniciais de quase inércia, quase como ritos de iniciação, que precisam ser respeitados. O Brasil só começa depois do carnaval é um deles e outro é aguardar os 100 primeiros dias como licença para ajustar rumos e rotas. Estou testando os espaços jornalísticos para medir a temperatura de aceitação do novo tempo e parece que há ainda muito receio, frustração e cobranças antecipadas. Novo tempo, sim, mas sem baixar a cabeça e ignorar crimes pretéritos com a intenção de apaziguar ânimos belicosos remanescentes de mais um período de trevas escrito em nossa conturbada História. Colocar o povo novamente como protagonista de um país não é tarefa fácil. Festas feitas, festas lidas....

Silêncio dos culpados

Não é ironia, mas são 72 horas de espera para o início de um novo tempo. Novo rescendendo a velho, pois é a experiência pretérita que dá esperança de um futuro menos tumultuado. Confiança é a palavra a ser usada em substituição a esperança, a partir de agora, mesmo com todas as dúvidas dos novos governos que se instalam democraticamente. Repito, democraticamente. Na composição dessas novas equipes, vemos que o real é longe do ideal, tudo em nome da governabilidade. Uns tendem a aglutinar os ruins para não ficarem piores, outros trazem bons para não serem tão ruins. Política não é aritmética em que basta fazer soma de positivos e negativos. É a arte do possível. Desde o Riocentro não se via armação terrorista em terras brasileiras. Naquela época, militares iriam detonar uma bomba em evento cultural e o tiro, ainda bem, saiu pela culatra, não sem antes eles quererem atribuir à esquerda a responsabilidade do fato. Fiasco criminoso, não devidamente punido, como não foi a própria ditadura m...

Pré-Natal

A última data festiva deste ano, muito esperada para ser comemorada, cairá num domingo, mudando pouco para muita gente. Mais do que o Natal, será o Ano Novo a grande festividade, repleta de esperanças. Mas ainda estamos no pré-Natal, com o perdão do trocadilho, e coisas estão nascendo. Em alta velocidade, o Parlamento dá conta de aprovar inúmeros documentos legais e nasce um novo arcabouço orçamentário que acomodará auxílios e investimentos. Assisti a boa parte das sessões finais, lembrando dos tempos de participação em assembleias estudantis e representações em órgãos colegiados na universidade. A minoria sempre tentando marcar posição, voto vencido que é, e a boa maioria sabendo que precisa respeitar opiniões diversas, pois política é a arte do possível, não da distensão. Acabei de ver um vídeo com bebês rindo com os mais simples gestos, mostrando que a espécie humana ainda tem jeito, não fossem os adultos atuais a conduzir as crianças. Estou em falta com muita gente e não será agora...

Espaço para a vida

Dei-me conta de várias pessoas importantes para mim e famosas para muitos que nasceram ou morreram em datas que fazem aniversário nestas semanas iniciais de dezembro. Parentes e não parentes também, uns vivos, outros falecidos. Não os apresentarei aqui, a lista seria muito longa e o blog, definitivamente, não é a miniatura do Google. No entanto, apenas resgato Clarice Lispector, que tem a data de nascimento um dia após a de falecimento, distanciadas em meros 57 anos. Pensar que ela viveu apenas dois anos a mais do que eu já vivi! Lembra-me o escritor que tece suas reflexões existenciais sobre o túmulo do pai, visitando-o quando ambos tinham a mesma idade, ou seja, os restos mortais embaixo da terra foram de um ser que viveu o mesmo que o escritor ali, de pé. Poucos dias à frente, o filho estaria mais velho do que o pai morto. Perder um familiar precocemente dá a muitos essa "oportunidade" única de dialogar consigo mesmo sobre efemeridade, singularidade e pequenez da existênci...

Vida dourada

As chuvas de quase verão são intensas, deslocadas no tempo e no espaço, mas totalmente previsíveis. Os danos urbanos acontecem como se inesperados fossem, galhos caem e a primeira atitude é retirar mais ainda as parcas árvores existentes. Precisamos de mais vida e não de mais morte. Onde moro, os condomínios invadem as áreas antes destinadas a fazendas, com impermeabilização de solo sem qualquer compensação ou alternativas para o que fazer com a água que continua encontrando seu espaço. Leis que regulamentam o uso do solo são fruto da economia, não da lógica ambiental. Ainda que o mundo político esteja novamente de volta ( https://www.brasil247.com/blog/mundo-politico-de-volta ), a lei da selva de pedra do mais forte monetariamente é a vigente. A especulação imobiliária sempre falou mais alto, pois o que lucra com a valorização de transformar um terreno em edifício não mora naquele lugar, deixando o caos do trânsito e falta de urbanidade para os que creem estarem investimento no patrim...

Começando ideias

No fim de semana passado realizamos a exitosa reunião do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas, em que praticamente foi dada minha posse na presidência daquela instituição. A brilhante palestra da Arilda Ribeiro acerca do período imperial em Campinas, e o desenvolvimento dali decorrido, foi acompanhado por cativa plateia que também pôde compartilhar dúvidas e sugestões sobre as ilustrações, fatos e peculiaridades apresentados. Um registro mais detalhado da reunião foi encaminhado para a imprensa local. Afinal de contas, a História do próprio Instituto precisa ser documentada. Faremos uma edição da Revista do Instituto em abril de 2023, mantendo o blog, que possui um acesso numeroso, com postagens quinzenais. Estão no radar a elaboração de um Dicionário Histórico de Campinas e a participação nas comemorações dos 250 anos do município em 2024. Há um bom e rico trabalho em curso, portanto, cheio de ideias. Precisamos de empenho e comprometimento para dar conta. Naquele...

Tremendo número

Os espasmos a percorrer o corpo inebriado de acontecimentos podem ser devido ao frio, à ansiedade, a sustos, a medos, enfim, à vida. Tremer é defesa, é reação. O adjetivo tremendo, roubado do gerúndio conota também a coisa boa, a surpresa, o superlativo. Multifuncional, tal como quase todo nosso léxico. Bendita língua portuguesa, de cuja data quase me esqueci, passada a 5 de novembro. Sim, é o Dia Nacional, pois o Internacional, festeiros que somos, foi a 5 de maio. Ambas são em dias 5, o único número que sorri. Tremenda coincidência. Português é a língua brasileira mais falada nesta terra cujo nome é derivado da cor vermelha. Usada em toda nossa comunicação - a língua, não necessariamente a cor -, adentra a ciência para dizer o que é a natureza e como estudá-la de forma que seja entendível por todos. O uso da linguagem para a divulgação científica tem, assim, sido abordado em artigos recentes e um deles está no Jornal da Cidade Bauru, que pode ser lido aqui: ( https://sampi.net.br/ova...

Só há morte na vida

"Só há morte na vida". A frase tem seu costumeiro duplo sentido, que a morte naturalmente seja determinada pela vida ou que seja o lamento de nada mais se encontrar na vida além da morte. Dubiedade proposital para rechear a crônica, confessando que foi constatada depois que a frase estava pronta. O complemento pelo primeiro significado seria dizer que, sem vida, não há morte. Tudo o que morre precisa estar vivo, por óbvio. Da segunda interpretação mantenho distância, pois, por pior que a vida seja, tal qual a música, ninguém quer a morte. De sorte que sigamos na rima e na sina de viver. Dias ruins já vivemos e os deixamos para trás, pois a esperança nos diz que a melhora se descortina no horizonte. E quanta vida vista nesses dias em que o Brasil recuperou o protagonismo internacional, apresentando compromissos e propostas! Volta-nos o orgulho de sermos um povo. Sim, há os discordantes, minorias tresloucadas espalhadas por cantos e canteiros, mas não muito distinta dos câncere...

Que seja a arte!

O estímulo à escrita vem dos conflitos internos. Apaziguados, parece que faltam assunto e palavras para preencher crônicas, antes frenéticas. Os artigos políticos, que eram quinquídios, já não surgem há uma quinzena. Um bom sinal, haja vista que eram todos críticos e denunciavam o pior por vir. Tempo para tratar de reflexões mais prazerosas da sociedade em que vivemos, mesmo com focos de fanatismo espalhados e pulverizados por aí. Atrapalham o tráfego, no máximo, já que a lei parece não atingir os que praticam tais atos criminosos nem os que os financiam. Nesse âmbito do prazer existencial, o jornal local dedicou espaço para artigos dos professores Maria Eugênia Castanho e Sérgio Castanho, casal com vida integralmente dedicada à educação e à cultura. Com a devida vênia a ambos, pude tecer comentários sobre esses textos que chamei de resgates. Sim, nos próximos meses teremos a refundação das políticas culturais no país e estaremos atentos a contribuir, na verdade, a voltar a contribuir ...

Lima Barreto, novas tristezas

Cem anos da morte de Lima Barreto em 1 de novembro de 2022. A proximidade da data com outros eventos, em especial as eleições, deixou pouco espaço para as devidas lembranças e reflexões. A teimosia de Lima em escrever sua negritude suburbana é resgatada nos movimentos sociais de hoje, ainda que sem a devida autoria ou inspiração. Foi crítico do sistema político, dos acordos explícitos e implícitos para negociar privilégios, e da sociedade que julgava o negro a priori , qualquer a situação. Pouco mudou no século que se passou, bem o sabemos. Triste visionário, esse Lima. Por pura sorte sua obra e biografia foi resgatada por Francisco de Assis Barbosa a partir de 1952 que nos revelou um Lima Barreto além dos romances "Triste fim de Policarpo Quaresma", "Clara dos Anjos" e "Recordações do escrivão Isaías Caminha". Sua crônica intensa e ininterrupta na imprensa da época foi feita em grande parte sob pseudônimo, o que nos criou um obstáculo a mais para descobri...

Novas cem horas

Nesta semana testei a possibilidade de censura de jornais quanto a artigos meus enviados para publicação. O Jornal Cidade (JC) de Rio Claro, ainda que tenha explicitamente divulgado e patrocinado evento de caráter religioso, mas com a presença de político candidato, em conflito com nossa laicidade constitucional, publicou minha reflexão sobre o futuro da ciência no estado de São Paulo. A mesma sorte não teve o texto enviado ao Correio Popular, de Campinas. De conteúdo semelhante ao do JC, ainda dorme na caixa de entrada do editor ou já pode estar habitando o limbo do spam. O JC de Bauru também silenciou sobre outro alerta para o possível resultado nefasto do segundo turno, dia 30, artigo este que foi publicado no Brasil 247: https://www.brasil247.com/blog/paulistas-insistem-no-erro . Assim, os dois textos em quatro tentativas acabaram saindo. Eficiência de 50%, nada mal! Mas é bom deixar muito claro que proibir informação falsa, ainda mais vinda de órgãos oficiais, não é censura, é ape...

Sucupira em festa

Dias Gomes faria um século de vida neste 19 de outubro. Seu "Bem Amado" tem sido resgatado pela Rádio Sucupira, uma produção da CBN, que mescla as gravações sonoras originais daquela novela com falas atuais, principalmente de atores do meio político, sem perder a fluidez dos diálogos e a contemporaneidade dos assuntos. O programa está disponível neste link: https://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/radio-sucupira/RADIO-SUCUPIRA.htm . A coincidência e atualidade de falas e cenas da novela espantam, tornando-se um momento ímpar da verossimilhança factual. Do humor chega-se à angústia de saber da materialidade histórica em que tudo se repete, e, desta vez, estamos tentando evitar a tragédia. Há um deslocamento do eixo do poder em curso ao qual parece que não ficamos devidamente atentos. Sem humor, teci alguma considerações sobre o assunto para o Brasil 247: https://www.brasil247.com/blog/votos-pesquisas-e-o-deslocamento-do-poder . No caso da Rádio Sucupira, pensei que havia...

Sobrevivências

Estão no plural, por serem múltiplas. O primeiro desafio é sobreviver a si mesmo. Dono de consciência ainda inexplicada pela bioquímica, valores e parâmetros são formulados para conduzir a própria vida. Ater-se a eles parece simples, mas justificá-los e saber quando alterá-los torna-se angustiante. As leituras de textos anteriormente redigidos revelam que posições e lados sempre foram assumidos, a falsa isenção não vingou. E houve mudanças, como deve acontecer em todo desenvolvimento do pensamento. A Biologia nos ensina que sobrevive o que se adapta. Sobrevivemos na materialidade de nossas consciências, portanto. As calorias vindas de carboidratos e lipídeos e os tijolos de construções celulares das proteínas se apresentam como elementos simples, por mais complexa que seja sua química. As sinapses de condução de ordens e desejos são energia elétrica e suas consequências... bem, as consequências são uma dessas barreiras para viver e sobreviver. Entre velórios e festas de consagração ao ...

Engenho e Arte

Na ressaca eleitoral, pipocam eventos de estudos acadêmicos em várias universidades, boa parte promovida por estudantes de graduação. Na Unesp de Rio Claro, por exemplo, é a Semana de Estudos da Biologia e a Semana do Livro e das Bibliotecas. Algumas das apresentações podem ser vistas no canal da Biblioteca no youtube ( https://www.youtube.com/c/BibliotecaUnespRC ). Nos dois eventos pude fazer apresentações, mostrando o que é nosso Instituto de Pesquisa em Bioenergia (IPBEN) para alunos de gradução, incentivando-os a nos conhecer e realizar trabalhos de pesquisa e de extensão conosco. O IPBEN ( https://www.ipben.unesp.br/ ) está na mesma cidade, mas administrativamente não é ligado ao campus, o que faz com que muitos da comunidade não nos conheçam. A bibliotecária Márcia Correa Bueno Degasperi, responsável pela biblioteca do câmpus, me convidou para falar da experiência de escrita e divulgação científica dentro de meu projeto "Engenho e Arte", que também foi usado para dar no...

Cem horas

Na brincadeira com as palavras, as cem horas viram senhoras. Aquelas são o tempo faltante para a festa duradoura, estas são, com a devida vênia ao quase anacronismo do vocábulo, a fração da população que decidirá pelo melhor por vir. A múltipla sonoridade das letras s e c e suas composições entre si e com outros membros do alfabeto fez o deleite de Orígenes Lessa em seu "As letras falantes". Com s, sem é nada, com c, cem é muito. Cem horas para resolver transmite sua mensagem quando lida. Ouvida pode olvidar esse significado e levar o interlocutor a pensar que não haveria mais tempo, mais horas, para a solução. Fiquemos no registro gráfico: sim, há tempo e há esperança. A primavera trazida neste mês de setembro pela chuva e pelas flores é sinal dessa esperança, cantada em verso e nas mensagens pelo Facebook, Twitter, Instagram e demais redes supostamente sociais. Enquanto letras desabrocham palavras em mim, os números primos trazem a sorte da mudança, da semente enterrada que...

Plantas e planos

Cromatografia é uma técnica de separação. O nome é alusão aos primeiros experimentos de mais de um século atrás com extratos vegetais coloridos - a escrita das cores. De lá para cá, explicaram e elucidaram seu funcionamento, aprimoraram a técnica, possibilitaram fazer identificação e quantificação das substâncias que são separadas em misturas muito complexas, mas o nome foi mantido. O dicionário Houaiss fala de solubilidade e mobilidade em diferentes substratos na definição sumarizada. Omite o origem do termo e também que a volatilidade e o tamanho das moléculas são outros fatores importantes na separação. Nos cursos de graduação em química, a cromatografia é inserida em conjuntos maiores de técnicas de separação, identificação e quantificação. Cheguei a ministrar uma disciplina no curso de pós-graduação específica sobre isso, dada sua importância e necessidade de compreensão. A professora Carol Collins era especialista nessa área, escreveu livros sobre o assunto que usamos até hoje em...

Venenos e curas

As oscilações de temperatura e umidade são esperadas, mas comprometem a saúde. Resfriados e constipações entram no vocabulário do período entre as estações climáticas. A secura foi interrompida por rajadas de chuva, aqui no sudeste brasileiro, insuficientes para estabilizar o solo, porém causando algum alívio para as vias respiratórias. Outras vias, as de circulação de veículos, por sua vez, acolheram acidentes acima da média porque freios funcionam menos quando a pressa e a chuva se combinam. O carro dorme na oficina enquanto perambulo, a pé, por ruas esburacadas e molhadas. Em cada poça, descortina-se um novo ecossistema de bichos, plantas, sujeira e reflexos de céus plúmbeos. Quiçá se dissipem e revelem aquela outra cor que está fora do debate eleitoral predominante. O azul é a mais bonita delas e sei que é ilusão psicológica dizer que ela também nos acalma. Já que parei para contemplar uma poça d´água, dispo-me momentaneamente da razão científica que move a vida para imaginar uma c...