Postagens

Cartas vividas

Missivista contumaz, todos os dias envio cartas e comentários a jornais e revistas. No início, no tempo da universidade, o foco eram os erros e omissões de caráter científico que grassavam, que pululavam, que abundavam em tais veículos informativos. O vício dominou o hábito, e a política, como não poderia deixar de ser, invadiu o conteúdo dos textos. Diminuiu a porcentagem de publicações, talvez pelo aumento do interesse de todos opinarem, facilitado pelas vias eletrônicas e digitais que passaram a existir. Lembro que até por fax (!) enviei comentário para a Veja, que chegou a ser publicado. Essa revista não mais publica cartas, ficando a possível crítica de leitores limitada aos que possuem assinatura digital e podem fazê-las no site ( http://adilson3paragrafos.blogspot.com/2021/02/pedacos-de-jornais.html ). Isso quando a censura permite, pois aprendi que o conteúdo do texto deve ser dosado em função da natureza do veículo. O princípio é nunca trair a própria opinião, mas há tons que ...

Bibliotecas

A Biblioteca Nacional, com terraplanista à frente, substituído por outro de igual naipe, não consegue mais atualizar o acesso ao acervo digital. Preocupada que está em diplomar os indignos, deixa de cumprir função primordial de preservação e disseminação do acervo, no caso, de sua vasta e completa hemeroteca. A digitalização da revista Fon-Fon, do final de 1907, por exemplo, prometida há anos, continua tal qual. É um período de quatro meses que pode conter inéditos importantes, especificamente de Lima Barreto, que existe de forma impressa, mas que não foi digitalizado porque estaria em condições mais precárias que o restante da coleção e necessitaria de tratamento mais cuidadoso. São informações de quase quatro anos atrás, com promessa recente de atualização, não concretizada. No momento é necessário fazer uma acrobacia digital, primeiramente acessando a aba "acervo digital" e, depois, "hemeroteca digital" para possibilitar a pesquisa nos jornais e revistas, caso co...

De volta ao mundo

O povo entra em férias e cai pela metade a audiência do blog. A premissa ao menos vale aos que seguem um calendário escolar, atrasado para uns, fragmentado para outros, nebuloso para todos. Também nos altos escalões do poder, a folga se faz presente. É um outro mundo. Sem celebridades para chamar a atenção para as postagens, aumentando as interações virtuais, fico com minhas singelas reflexões e clamando por algumas marcas. A de hoje? Tinha de ser num 13 o dia mundial do rock, jabuticabamente comemorado somente aqui, ainda que lembrando aquele Live Aid de 1985, ano de meu ingresso na Unicamp. Um gênero musical que consegue conciliar estímulo sonoro, balanço do corpo, poesia na mente, perenidade, além do protesto e posicionamento político. Rock é atitude. Na verdade, a data foi ontem, porque hoje já é aquela data multifuncional, da queda da Bastilha ao aniversário desta Campinas, terra das andorinhas, e também do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas, presidido pelo ...

Modernas resistências

Em Campinas, estamos na Semana Guilherme de Almeida, com reflexões sobre os impactos do Movimento de 22 em sua obra e sua concomitante influência no evento. Aqueles poucos dias de fevereiro de um século atrás marcaram a estética, a cultura e a literatura posteriormente. Sabemos que alguns eventos não determinam um novo movimento, pois a modernidade nas artes se consolida no tempo. Uma data é importante para marcar o fato, mais como símbolo do que como ímpeto. Os estudiosos atuais da Semana de Arte Moderna de 22 abriram uma discussão ampla sobre o esquecimento de vários personagens importantes para o movimento. Também os chamados pré-modernistas são até mais debatidos do que os modernistas, como os precursores do movimento ou os preteridos no momento. Lima Barreto é um deles, Monteiro Lobato ali se encaixa também, mas o assunto nos eventos campineiros é o poeta que aqui nasceu. A semana segue recheada de atividades e destaco as curtas falas sobre Guilherme de Almeida na Academia Campine...

Orgulho de viver e lembrar

O belo arco-íris no céu é fruto da decomposição da luz branca do sol pelas gotículas de água presentes na atmosfera. Ou melhor, luz quase branca, pois tem um componente mais intenso na região do amarelo. Esse conjunto de ondas luminosas ou de energia é chamado de espectro eletromagnético, fruto dos estudos que revelaram de mesma natureza tanto a luz quanto as ondas de rádio e a radiação, passando pelo ultrassom, pelas outras energias emanadas de estrelas e até as microondas de nossos fornos domésticos. A interação da radiação luminosa com a matéria origina as cores e abre a possibilidade para um grande conjunto de análises químicas, quali e quantitativas, que estão presentes em nosso cotidiano. Exames de sangue usam esses princípios nas determinações de substâncias lá presentes, da mesma forma que medidas ambientais, industriais, e, é claro, artísticas. O fotômetro talvez seja o instrumento mais próximo dos artistas quando a questão é luz, mas os pintores bem sabem o jogo que devem faz...

Versos e reversos do conhecimento

Quinta-feira pós-solstício de inverno para os meridionais habitantes deste mundo. Depois da noite mais longa, o sol volta a migrar para o sul. O frio não dará sossego tão cedo e apenas as questões mundanas políticas e eleitorais aquecem o ambiente. Pouco mais de 100 dias! Aguentemos, pois. O desejável seria sem dias sob estes cem dias. Três anos atrás o uso do homófono fazia parte do título de artigo publicado tanto no jornal campineiro quanto no de Bauru. Lá no centro geográfico do estado de São Paulo o editor fez questão de colocar "sem" entre aspas para o realce, desnecessário para o jornal daqui. São sons idênticos que se tornam um assunto sério na formulação das rimas de trovas, ainda que haja os que não conseguem ou não querem entender o que os manuais explicitamente explicam. Sim, há regras definidas e constantemente reavaliadas para a arte sucedânea da quadrinha portuguesa. Sei que os amantes da poesia livre - ou seriam os poetas do amor livre? - poderão elevar seus n...

Cultura da vida e da morte

No meio do feriado, o blog não para, mas também não é lido. Deve haver outras coisas a serem feitas além de pensar em cultura e, portanto, vai uma postagem mais curta. A leitura aquece o frio e alimenta reflexões e indignações. Neste período acontece a comemoração do Dia dos Profissionais da Química, antes chamado apenas de Dia do Químico, coincidente com o da morte do escritor português José Saramago. O Conselho Regional de Química da IV Região promove anualmente um prêmio para os melhores trabalhos na área realizados por alunos e orientados por profissionais lá registrados. Assim, é uma felicidade compartilhar a notícia de que, neste ano, alunos meus foram contemplados por projeto orientado por mim: https://www.crq4.org.br/pcrq_2022_resultado . O Conselho fará cerimônia para marcar a data, presencialmente, uma vez que houve alívio nas questões pandêmicas, com todos os protocolos de segurança e sanitários necessários. Ainda estamos morrendo de Covid-19, é bom lembrar. Química é vida! ...

Juízes que julgam e jogam

O editor é meu julgador e por ele nada passará. O espaço para a divulgação científica existe, mas é limitado, acabando por chegar às mesmas pessoas, ao mesmo público. O blog tem uma função definida, mas carrega a vantagem e a desvantagem de não ter mediação, nem avaliação. Assim, a submissão para outros veículos que tenham algum critério para publicação ou não passa a ser um desafio. A questão basilar é saber quais são esses critérios e se é interessante moldar-se a eles para ver o escrito publicado. Artigos políticos opinativos eu deixo para determinados canais, uma vez bem definida minha posição em concordância com a deles. Um exemplo recente é este:  https://www.brasil247.com/blog/a-falta-de-juizo-do-despresidente . Pensamos que textos culturais ou científicos são desprovidos de tais barreiras, mas não é o que acontece. Somente por conter a palavra "negacionismo" no título, uma reflexão arrazoada que serviria de apresentação em espaço sobre ciência, tecnologia, ambiente e ...

Sol em gêmeos

Foi impossível ver a chuva de meteoros de madrugada porque choveu. Choveu água, para não ficar confusa a frase, nublando o céu. Benéfica chuva para aplacar a secura de final de outono que traz fumaças e doenças respiratórias. Olhar o céu à noite é atividade rara, ainda mais em centros urbanos cobertos pela poluição luminosa. Há um mundo acima dos olhos invisível para os conviventes com concreto, asfalto, edifícios e monumentos à materialidade da civilização. Paradoxalmente, a contemplação de estrelas é uma viagem ao passado, distantes a muitos milhares ou milhões de anos-luz que estão, cuja luminosidade vaga pelo espaço há um tempo de igual grandeza. O sol já vai nascendo cada vez mais ao norte, fruto da inclinação do globo terrestre em seu trajeto ao redor da estrela. Sabiam disso os povos da antiguidade que atribuíram tal deslocamento a estrelas próximas que formam constelações artificialmente desenhadas pela associação com imagens que conheciam. Assim, a virada do mês na astrologia ...

Errando a torto e à direita

Foi impossível dar conta do bombardeio de efemérides desta semana. Dia do físico, do orgulho nerd (até o banco mandou mensagem lembrando da data), da indústria, 45 anos da saga Star Wars, 60 anos da FAPESP (a Fundação reproduziu meu artigo para o Jornal Cidade de Rio Claro: https://namidia.fapesp.br/fapesp-60-anos/385016 ), 90 anos do MMDCA - sim, a lei paulista 11.658/2004 incluiu o A de Alvarenga -, dia do pedagogo, em homenagem ao mês da morte de Paulo Freire, dia da padroeira do povo cigano, dia de santos, consagrados ou pressupostos... enfim, sei lá mais tantas datas que o melhor é consultar o site Lorena Filatelia ( http://lorenafilatelia.blogspot.com/ ), do incansável colega Acadêmio José Antonio Bittencourt Ferraz, que traz, por meio da filatelia e numismática, a cultura dos acontecimentos e personalidades. Sem medo de errar. Mas eu errei na informação de serem estudantes os quatro ou cinco que dão nome à sigla MMDC(A) e o artigo inspirado naquele que deixou de ser sem nunca te...

Cultura ao amor

O frio antecipado nestes meados de maio é aquecido pelo relacionamento humano. Não é suficiente para ajudar a todos que padecem pelas temperaturas baixas, especialmente os que são relegados a viverem nas ruas. O calor humano atua, sabendo que pessoas não morrem de frio, mas, sim, de descaso. Ainda assim, as entidades e pessoas que saem às ruas para colaborar são criticadas porque fazem da ação social uma ação política, como se todas nossas ações assim não fossem. Preferem a manutenção do assistencialismo à conquista da cidadania. Há também o amor expresso individualmente e que a todos contagia. A junção de pessoas que se amam é celebração universal e creio que ocorre desde que nos entendemos por seres sociais. Admiremos e tomemos por exemplo que ainda há esperança e amor. Cultivemo-los. Na contagem regressiva, faltam ainda 135 dias para registrar o momento de consagração da volta da esperança e fazer todos se amarem mais, não se armarem. Além da cultura ao amor, no calor da política, v...

Condução e liderança

Prazer de dirigir. Para mim é expressão do masoquismo ao volante. Uma atividade necessária, mas longe de ser prazerosa. As campanhas publicitárias de vendas de automóveis pouco mudaram em décadas e continuam a apelar para tal prazer. Sim, dirijo sem problemas quando não há outra alternativa ou ponderando a urgência da locomoção com o custo envolvido. A psicologia do trânsito, a sociologia do automóvel e a filosofia do espaço estariam todas agrupadas nessa atividade exclusivamente humana. Ou desumana, a constatar nosso comportamento pelos ruas, avenidas e estradas. O outro sempre é o barbeiro e eu, o "ás no volante", com o devido trocadilho. O condutor da moderna caminhonete (que não é usada para transportar carga, apenas ostenta por ser grande) cola na traseira de meu carro na pista da esquerda. Parei porque o semáforo está amarelo e vou entrar também à esquerda, sinalizando adequadamente com a tal da seta, equipamento que descobri ser opcional, pois poucos usam. Mas eis que ...

O cronista

Cronista. Assim chamavam o jornalista Otto Lara Resende. Seu centenário foi coincidente com o primeiro de maio, festa antes do trabalhador, usurpada por criminosos e brutamontes. A Folha de S. Paulo lembrou a data com artigos e análises profundos no domingo de feriado, mas foi o Estadão quem publicou meu comentário, na versão online: Otto Lara Resende é outro que precisa ter sua vasta e múltipla obra resgatada e novamente editada. Quiçá até inéditos sejam encontrados, à semelhança de muitos outros escritores. Em ano de seu centenário, coincidente com o de José Saramago e o da morte de Lima Barreto, material para uma profunda análise de literatura comparada não falta. Apenas cutuquei o leitor para ir conhecer esse cronista. As pessoas têm dificuldades para diferenciar entre ficção e realidade. O cronista fica inseguro. Se trouxer a realidade nua e crua como é, dirão que é um texto ficcional. Se pautar a coluna do dia pelo que as redes (anti)sociais contam, transportará aquela narrativ...

Espécie a sobreviver

A pouco menos de 250 dias, em contagem regressiva, a pergunta que faço é: podemos virar uma nova espécie?  As mudanças que provocamos no ambiente estão levando a necessárias adaptações. A natureza é forte, mas o universo não depende de nosso planeta para existir, isso é óbvio. Nesse ponto temos de ser egoístas para saber que, sem o planeta, não vivemos. Informação que precisa ser bem fundamentada para ser levada à população por meio da educação. Se o chamado senso comum fosse efetivo, não teríamos tantos ataques ao ambiente a ponto de clamar pela própria existência e sobrevivência no momento. Haverá outras formas de vida? Pelo menos não conhecemos ainda nenhum outro lugar que possa abrigar a vida, igual à nossa ou outra diferente. Deve existir, pois a probabilidade assim determina, mas nada aqui por perto. No máximo, colonizaremos Marte sem saber melhor sobre os oceanos que cobrem a maior parte da superfície deste planeta aqui. Paradoxos aceitáveis. O fofoqueiro também sabe mais do...

Nem tudo em abril é festa

A coincidência e a proximidade de feriados nos meados de abril diminuíram o ritmo dos acontecimentos sociais, mesmo com o esboço de uma tentativa de retorno às atividades normais, ainda que a pandemia, retraída, esteja em curso. Para detalhes sobre as efemérides, vale a visita ao Lorena Filatelia ( http://lorenafilatelia.blogspot.com/ ). A leitura deste blog não foi diferente, em contraponto a postagens anteriores de maior acesso e com mais comentários. Ao menos veículos impressos deram espaço para publicações minhas, complementando as reflexões sobre o uso da água ("Águas públicas e privadas", Jornal Cidade de Bauru :  https://www.jcnet.com.br/opiniao/articulistas/2022/04/798735-aguas-publicas-e-privadas.html ) e o discurso de ódio que se consolida na defesa de indefensáveis governos ("Tu e eu, gênios e néscios", Correio Popular , cuja reprodução pode ser vista na minha página do Facebook:  https://www.facebook.com/adilson.goncalves.9847/ ). Mais estranho ainda é ...

Sede de cultura

A água esteve em comemoração no mês passado e deixei a efeméride escorrer. Após minha participação no programa Conexões, da UniFatea ( https://www.youtube.com/watch?v=hb4ga3Ne8sQ ), em alusão ao Dia Mundial da Água, publiquei artigos utilizando palavras ali ditas. Um conjunto de frases foi sobre nosso papel de educadores, a arte da sensibilização de uma outra pessoa pelo assunto que está sendo falado. A didática é uma mescla, portanto, de arte, conhecimento, retórica e convencimento. Se água é vida, aprender é viver. Temos de atuar nessas vertentes. Não podemos ser omissos, dizendo ser suficiente dar as aulas, revelar algumas coisas, trazer temas para o debate, sem buscar a transversalidade dos assuntos. Não, não é o suficiente. Nunca é suficiente o que a educador faz. Um bom professor sabe que tudo aquilo que ele faz, por melhor que seja, nunca será suficiente. Então, ele quer aprimorar, expandir e melhorar. Na questão específica sobre a conscientização para o uso racional da água, te...

Devaneios

A revista CULT deixou de publicar o Lugar de Fala, um espaço de reflexão, introspecção e externalidades de devaneios muito bom, por ser livre de limitações de conteúdo e forma, apenas a restrição quanto ao tamanho do texto e adesão ao assunto escolhido pelos editores. A última chamada foi em dezembro de 2021 para falarmos sobre nossas angústias ( https://revistacult.uol.com.br/home/colunistas/lugar-de-fala/ ). Assim, restou para este blog aquele conteúdo. Devaneios de início de ano são muitos, primeiro trimestre findo, mesclando uma pseudo-pós-pandemia com um calendário gregoriano ainda confuso, pois culmina no calendário eleitoral deste significativo e necessário ano. Os átomos que já compuseram Júlio César e o Papa Gregório XIII vexaram-se, caso assim pudessem, ao verem a forma como se lida atualmente com datas e prazos, sem falar da fidelidade, palavra subvertida por emenda constitucional. Só não transformaram fevereiro em um mês com 30 dias porque não viram a necessidade. A barreir...

Coisas na Educação

Quantitativos para a Educação carregam forte carga de incertezas. Ficar mais tempo na escola parece uma boa medida, mas não quer dizer que diretamente leve à melhoria da aprendizagem dos educandos. Com idas e vindas no que deveria ser o mais importante Ministério de um país que pressupõe cuidar de sua população, saí fazendo contas de algumas coisas. Se é bom mais tempo para o aluno, como avaliar o tempo de permanência de um ministro em sua Pasta? Dados de ocupação de órgãos públicos estão livremente disponíveis na internet e fiz uma conta do número de meses por troca de ministro nos governos recentes, após o período da triste e pesada ditadura militar. Paulo Renato Costa Souza foi a exceção nesse período, sendo o único a permanecer oito anos no cargo, durante todo o governo Fernando Henrique Cardoso. Tirando esse ponto fora da curva, o resumo que fiz por período e tipo de presidência é o seguinte: há um grupo com permanência média acima de 20 meses para cada titular do cargo, observado...

Imagem da informação

O andamento da informação que nos chega é emblemático. Em um momento, o destaque foi quase exclusivo para a evolução da covid-19; logo depois, foram as enchentes e as mortes em Petrópolis. Quase ato contínuo, o seletor de notícias muda para falar da guerra na Ucrânia que já completa um mês. Aproximando o primeiro de abril do calendário eleitoral, o foco são as eleições, necessárias eleições, de daqui a seis meses. Mudaram os demais fatos? Não, apenas a decisão editorial de alguém que julga o que deve e o que não deve ir para as telas. Os profissionais da área se baseiam no que chama de interesse público do fato, mas há limites e situações de contorno que nem sempre são lógicos. O enunciado quase folclórico da busca pelos quinze minutos de fama extrapolou para a notícia em si. Notícia da manhã já é velha no almoço. Os diários pessoais - este espaço conhecido como blog - não ficam para trás, ainda mais quando postados com inexplicável atraso. Parafraseando Caetano, em meio à vida cheia d...

Volta presencial

Dois anos e nunca deixamos de trabalhar. Muitos deixaram de viver, resultado menor da biologia e maior da ideologia No âmbito acadêmico, nesse período realizamos todas nossas atividades didáticas de forma remota, exercemos a administração universitária e, com grandes restrições, fizemos pesquisa científica. Os laboratórios foram interditados na maior parte do tempo o que não impediu a revisão bibliográfica, a redação de artigos antes suspensos e a inserção por novas áreas e atividades, especialmente na divulgação científica e participação de comitês e grupos de avaliação e alerta quanto ao desenvolvimento da pandemia. A cautela universitária foi importante para sinalizar ao restante da população os perigos de minimizar os efeitos da covid-19. Não evitou o negacionismo crescente por questões políticas, mas contribuiu para que ficássemos mais seguros à espera da única proteção eficaz que foram as vacinas. E, mesmo assim, assistimos a descasos governamentais inéditos na história de nosso ...