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Errando a torto e à direita

Foi impossível dar conta do bombardeio de efemérides desta semana. Dia do físico, do orgulho nerd (até o banco mandou mensagem lembrando da data), da indústria, 45 anos da saga Star Wars, 60 anos da FAPESP (a Fundação reproduziu meu artigo para o Jornal Cidade de Rio Claro: https://namidia.fapesp.br/fapesp-60-anos/385016 ), 90 anos do MMDCA - sim, a lei paulista 11.658/2004 incluiu o A de Alvarenga -, dia do pedagogo, em homenagem ao mês da morte de Paulo Freire, dia da padroeira do povo cigano, dia de santos, consagrados ou pressupostos... enfim, sei lá mais tantas datas que o melhor é consultar o site Lorena Filatelia ( http://lorenafilatelia.blogspot.com/ ), do incansável colega Acadêmio José Antonio Bittencourt Ferraz, que traz, por meio da filatelia e numismática, a cultura dos acontecimentos e personalidades. Sem medo de errar. Mas eu errei na informação de serem estudantes os quatro ou cinco que dão nome à sigla MMDC(A) e o artigo inspirado naquele que deixou de ser sem nunca te...

Cultura ao amor

O frio antecipado nestes meados de maio é aquecido pelo relacionamento humano. Não é suficiente para ajudar a todos que padecem pelas temperaturas baixas, especialmente os que são relegados a viverem nas ruas. O calor humano atua, sabendo que pessoas não morrem de frio, mas, sim, de descaso. Ainda assim, as entidades e pessoas que saem às ruas para colaborar são criticadas porque fazem da ação social uma ação política, como se todas nossas ações assim não fossem. Preferem a manutenção do assistencialismo à conquista da cidadania. Há também o amor expresso individualmente e que a todos contagia. A junção de pessoas que se amam é celebração universal e creio que ocorre desde que nos entendemos por seres sociais. Admiremos e tomemos por exemplo que ainda há esperança e amor. Cultivemo-los. Na contagem regressiva, faltam ainda 135 dias para registrar o momento de consagração da volta da esperança e fazer todos se amarem mais, não se armarem. Além da cultura ao amor, no calor da política, v...

Condução e liderança

Prazer de dirigir. Para mim é expressão do masoquismo ao volante. Uma atividade necessária, mas longe de ser prazerosa. As campanhas publicitárias de vendas de automóveis pouco mudaram em décadas e continuam a apelar para tal prazer. Sim, dirijo sem problemas quando não há outra alternativa ou ponderando a urgência da locomoção com o custo envolvido. A psicologia do trânsito, a sociologia do automóvel e a filosofia do espaço estariam todas agrupadas nessa atividade exclusivamente humana. Ou desumana, a constatar nosso comportamento pelos ruas, avenidas e estradas. O outro sempre é o barbeiro e eu, o "ás no volante", com o devido trocadilho. O condutor da moderna caminhonete (que não é usada para transportar carga, apenas ostenta por ser grande) cola na traseira de meu carro na pista da esquerda. Parei porque o semáforo está amarelo e vou entrar também à esquerda, sinalizando adequadamente com a tal da seta, equipamento que descobri ser opcional, pois poucos usam. Mas eis que ...

O cronista

Cronista. Assim chamavam o jornalista Otto Lara Resende. Seu centenário foi coincidente com o primeiro de maio, festa antes do trabalhador, usurpada por criminosos e brutamontes. A Folha de S. Paulo lembrou a data com artigos e análises profundos no domingo de feriado, mas foi o Estadão quem publicou meu comentário, na versão online: Otto Lara Resende é outro que precisa ter sua vasta e múltipla obra resgatada e novamente editada. Quiçá até inéditos sejam encontrados, à semelhança de muitos outros escritores. Em ano de seu centenário, coincidente com o de José Saramago e o da morte de Lima Barreto, material para uma profunda análise de literatura comparada não falta. Apenas cutuquei o leitor para ir conhecer esse cronista. As pessoas têm dificuldades para diferenciar entre ficção e realidade. O cronista fica inseguro. Se trouxer a realidade nua e crua como é, dirão que é um texto ficcional. Se pautar a coluna do dia pelo que as redes (anti)sociais contam, transportará aquela narrativ...

Espécie a sobreviver

A pouco menos de 250 dias, em contagem regressiva, a pergunta que faço é: podemos virar uma nova espécie?  As mudanças que provocamos no ambiente estão levando a necessárias adaptações. A natureza é forte, mas o universo não depende de nosso planeta para existir, isso é óbvio. Nesse ponto temos de ser egoístas para saber que, sem o planeta, não vivemos. Informação que precisa ser bem fundamentada para ser levada à população por meio da educação. Se o chamado senso comum fosse efetivo, não teríamos tantos ataques ao ambiente a ponto de clamar pela própria existência e sobrevivência no momento. Haverá outras formas de vida? Pelo menos não conhecemos ainda nenhum outro lugar que possa abrigar a vida, igual à nossa ou outra diferente. Deve existir, pois a probabilidade assim determina, mas nada aqui por perto. No máximo, colonizaremos Marte sem saber melhor sobre os oceanos que cobrem a maior parte da superfície deste planeta aqui. Paradoxos aceitáveis. O fofoqueiro também sabe mais do...

Nem tudo em abril é festa

A coincidência e a proximidade de feriados nos meados de abril diminuíram o ritmo dos acontecimentos sociais, mesmo com o esboço de uma tentativa de retorno às atividades normais, ainda que a pandemia, retraída, esteja em curso. Para detalhes sobre as efemérides, vale a visita ao Lorena Filatelia ( http://lorenafilatelia.blogspot.com/ ). A leitura deste blog não foi diferente, em contraponto a postagens anteriores de maior acesso e com mais comentários. Ao menos veículos impressos deram espaço para publicações minhas, complementando as reflexões sobre o uso da água ("Águas públicas e privadas", Jornal Cidade de Bauru :  https://www.jcnet.com.br/opiniao/articulistas/2022/04/798735-aguas-publicas-e-privadas.html ) e o discurso de ódio que se consolida na defesa de indefensáveis governos ("Tu e eu, gênios e néscios", Correio Popular , cuja reprodução pode ser vista na minha página do Facebook:  https://www.facebook.com/adilson.goncalves.9847/ ). Mais estranho ainda é ...

Sede de cultura

A água esteve em comemoração no mês passado e deixei a efeméride escorrer. Após minha participação no programa Conexões, da UniFatea ( https://www.youtube.com/watch?v=hb4ga3Ne8sQ ), em alusão ao Dia Mundial da Água, publiquei artigos utilizando palavras ali ditas. Um conjunto de frases foi sobre nosso papel de educadores, a arte da sensibilização de uma outra pessoa pelo assunto que está sendo falado. A didática é uma mescla, portanto, de arte, conhecimento, retórica e convencimento. Se água é vida, aprender é viver. Temos de atuar nessas vertentes. Não podemos ser omissos, dizendo ser suficiente dar as aulas, revelar algumas coisas, trazer temas para o debate, sem buscar a transversalidade dos assuntos. Não, não é o suficiente. Nunca é suficiente o que a educador faz. Um bom professor sabe que tudo aquilo que ele faz, por melhor que seja, nunca será suficiente. Então, ele quer aprimorar, expandir e melhorar. Na questão específica sobre a conscientização para o uso racional da água, te...

Devaneios

A revista CULT deixou de publicar o Lugar de Fala, um espaço de reflexão, introspecção e externalidades de devaneios muito bom, por ser livre de limitações de conteúdo e forma, apenas a restrição quanto ao tamanho do texto e adesão ao assunto escolhido pelos editores. A última chamada foi em dezembro de 2021 para falarmos sobre nossas angústias ( https://revistacult.uol.com.br/home/colunistas/lugar-de-fala/ ). Assim, restou para este blog aquele conteúdo. Devaneios de início de ano são muitos, primeiro trimestre findo, mesclando uma pseudo-pós-pandemia com um calendário gregoriano ainda confuso, pois culmina no calendário eleitoral deste significativo e necessário ano. Os átomos que já compuseram Júlio César e o Papa Gregório XIII vexaram-se, caso assim pudessem, ao verem a forma como se lida atualmente com datas e prazos, sem falar da fidelidade, palavra subvertida por emenda constitucional. Só não transformaram fevereiro em um mês com 30 dias porque não viram a necessidade. A barreir...

Coisas na Educação

Quantitativos para a Educação carregam forte carga de incertezas. Ficar mais tempo na escola parece uma boa medida, mas não quer dizer que diretamente leve à melhoria da aprendizagem dos educandos. Com idas e vindas no que deveria ser o mais importante Ministério de um país que pressupõe cuidar de sua população, saí fazendo contas de algumas coisas. Se é bom mais tempo para o aluno, como avaliar o tempo de permanência de um ministro em sua Pasta? Dados de ocupação de órgãos públicos estão livremente disponíveis na internet e fiz uma conta do número de meses por troca de ministro nos governos recentes, após o período da triste e pesada ditadura militar. Paulo Renato Costa Souza foi a exceção nesse período, sendo o único a permanecer oito anos no cargo, durante todo o governo Fernando Henrique Cardoso. Tirando esse ponto fora da curva, o resumo que fiz por período e tipo de presidência é o seguinte: há um grupo com permanência média acima de 20 meses para cada titular do cargo, observado...

Imagem da informação

O andamento da informação que nos chega é emblemático. Em um momento, o destaque foi quase exclusivo para a evolução da covid-19; logo depois, foram as enchentes e as mortes em Petrópolis. Quase ato contínuo, o seletor de notícias muda para falar da guerra na Ucrânia que já completa um mês. Aproximando o primeiro de abril do calendário eleitoral, o foco são as eleições, necessárias eleições, de daqui a seis meses. Mudaram os demais fatos? Não, apenas a decisão editorial de alguém que julga o que deve e o que não deve ir para as telas. Os profissionais da área se baseiam no que chama de interesse público do fato, mas há limites e situações de contorno que nem sempre são lógicos. O enunciado quase folclórico da busca pelos quinze minutos de fama extrapolou para a notícia em si. Notícia da manhã já é velha no almoço. Os diários pessoais - este espaço conhecido como blog - não ficam para trás, ainda mais quando postados com inexplicável atraso. Parafraseando Caetano, em meio à vida cheia d...

Volta presencial

Dois anos e nunca deixamos de trabalhar. Muitos deixaram de viver, resultado menor da biologia e maior da ideologia No âmbito acadêmico, nesse período realizamos todas nossas atividades didáticas de forma remota, exercemos a administração universitária e, com grandes restrições, fizemos pesquisa científica. Os laboratórios foram interditados na maior parte do tempo o que não impediu a revisão bibliográfica, a redação de artigos antes suspensos e a inserção por novas áreas e atividades, especialmente na divulgação científica e participação de comitês e grupos de avaliação e alerta quanto ao desenvolvimento da pandemia. A cautela universitária foi importante para sinalizar ao restante da população os perigos de minimizar os efeitos da covid-19. Não evitou o negacionismo crescente por questões políticas, mas contribuiu para que ficássemos mais seguros à espera da única proteção eficaz que foram as vacinas. E, mesmo assim, assistimos a descasos governamentais inéditos na história de nosso ...

Cinzas inférteis

A crise dos fertilizantes que afunda mais ainda o agronegócio brasileiro, paradoxalmente, trouxe o potássio à tona. Esse elemento químico metálico é abundante na crosta terrestre na forma de íons, que constituem os sais de potássio. É assim que ele é absorvido pelos seres vivos e integra vários sistemas de controle, especialmente os relacionados a equilíbrios iônicos celulares. Junto ao nitrogênio e fósforo forma a tríade mais usual de fertilizantes que são nominados pelos símbolos químicos N, P e K. O nome potássio vem de "cinzas em pote" e parece que é nisso que querem transformar a Amazônia. Pregam o pote de ouro, mas ficarão apenas as cinzas na terra. O símbolo K maiúsculo vem do latim kalium que significa exatamente isso, a potassa, um material alcalino obtido das cinzas. Faz parte da cultura secular o sabão de cinzas, por meio do qual misturam-se óleos e gorduras com cinzas que são cozidos lentamente sob o fogo. Uma reação de saponificação (nome pouco criativo, por cer...

Diplomacia

Em Lorena morei na rua Oswaldo Aranha, homenagem ao embaixador brasileiro na ONU que se destacou no pós-guerra pela defesa da criação do Estado de Israel, dentro do que foi chamado de solução ou divisão da região da Palestina (com w é o nome que vinha no iptu; com v parece ser o usado nas enciclopédias). Por isso o Brasil, como reconhecimento daquele organismo, passou a abrir todas as assembleias gerais. A diplomacia brasileira, mesmo em períodos de conturbação nacional e internacional, já foi muito melhor da que nos resta hoje. A solução de conflitos sempre foi a tônica da representação diplomática nacional, não a postura de colocar mais lenha na fogueira. Homenagem muito justa ao diplomata e vejo na internet que os israelenses também o homenageiam com ruas e praças. Poucos se importam com a origem dos nomes de logradouros por onde passam ou habitam. Algumas vezes discorri sobre tal assunto na coluna semanal que mantinha no Jornal Guaypacaré daquela cidade vale-paraibana, incluindo a ...

Explorando domínios alheios

Estou revendo os episódios da consagrada série COSMOS, a original de 1980, apresentada por Carl Sagan. A exploração espacial é um dos temas e são traçados paralelos com a expansão marítima do século XV. Nossa espécie tem necessidades de ampliar o território em que vive, talvez por um impulso natural de sobrevivência, ou pela criação de medos e circunstâncias que nos levem a outros domínios. No popular dizemos que o olho do caipira é grande quando se coloca uma pessoa frente a possibilidades de possuir terras para viver e plantar. A posse e o uso da terra são fundamentos de sistemas econômicos e foco de conflitos de várias naturezas. Sempre se dirá que há um dono do espaço e um invasor. A definição de quem é quem fica sempre por conta da história e de quem a conta, quase sempre depois de vencer uma guerra. Ao menos no espaço sideral ainda não nos deparamos com proprietários alienígenas, bastando-nos os que por aqui existem. #IniCiencias Nessa toada de domínios e territórios, o centenári...

Dimensões

James Webb, o telescópio, começa seu trabalho. A primeira imagem feita foi a reprodução da mesma estrela tirada pelos diferentes espelhos que o compõem, além de um auto-retrato (ou selfie, na linguagem moderno-colonializada) de uma parte de si. Fotografias em várias dimensões, umas borradas, outras pouco intensas, todas servindo para calibrar o instrumento para perscrutar o mais longe do universo, no tempo e no espaço, um consequência direta do outro, nessa escala de bilhões de anos. Na coluna que mantenho no Jornal Cidade de Rio Claro, o foco é principalmente nas questões científicas e o importante artefato astronômico não ficaria de fora. Sobre ele discorri no início do ano, quando de seu lançamento ("Visão espacial", 5/1, que pode ser encontrado na minha página no Facebook https://www.facebook.com/adilson.goncalves.9847/ ). Vejam que mesmo com dezenas de obstáculos e detalhes que poderiam levar ao fracasso da missão, até agora, tudo caminha bem, dentro das perspectivas mai...

Reflexivos

A sensação de leitura é diferente para cada um e é isso que torna o enfrentamento de textos uma experiência única. Tenho me acostumado à leitura em formato digital, na tela do computador. Não agrada tanto, mas há situações sem outra alternativa, tal como os artigos científicos. Livros clássicos estão disponíveis nesse formato, muitos de acesso gratuito por terem vencido os prazos legais de direito autoral. Oportunidade que se aproveita, portanto. Mas deparei com uma interessante análise de Carlos Eduardo Lins da Silva, professor especialista na área de comunicação, que aponta, junto à sabida decadência da circulação de jornais impressos, estudos recentes que mostram a maior eficiência da leitura em papel do que a realizada em meio digital. Vale a leitura e audição de sua entrevista no site do Jornal da USP: https://jornal.usp.br/radio-usp/a-decadencia-na-circulacao-do-jornal-impresso/ . Assim, no conflito/atrito entre o grafite e a celulose, como já ousei descrever em poema, fico com a...

O tempo de James Joyce

Mais um centenário está em curso. A primeira edição de Ulisses , de James Joyce coincidiu com o aniversário de 40 anos do escritor em 2 de fevereiro de 1922. A semana de arte moderna estava sendo aqui planejada e um dos romances clássicos da literatura estava sendo fornecido ao público na forma de livro. Tal qual inúmeros outros autores, a obra já havia sido publicada fragmentada como folhetim ao longo de dois anos, com os devidos elogios e críticas. E escândalos. Aqui já confessei minha tentativa infrutífera de enfrentar Ulisses . Voltei a ele por esses dias, apenas para acariciarmo-nos mutuamente, pois ainda continuo na deglutição e digestão de "Em busca do tempo perdido". O primeiro volume já vai a termo, mas faltam os outros seis para completar esse também ícone do romance moderno. Meu Lima Barreto não ficará de fora dessas considerações porque leio na biografia de Joyce que ele teve problemas na escola Berlitz, que é o nome do método de aprendizado de línguas muito difun...

Mundo mais leve

O blog não é um obituário. Algumas mortes e aniversários são apresentados como fio condutor para encadear os assuntos pelos parágrafos. Sim, o mundo amanheceu mais leve, o que não significa alteração de sua gravidade, trocadilho devidamente posto. A discussão em torno do uso de palavras escorregadias pode adentrar alguma suposta base filosófica. Isso foi visto nas chamadas redes (anti)sociais e entendi que os limites do luto não são tão claros, que pode chegar ao júbilo em certas - e devidas - situações. Tenho desconforto para lidar com conhecimentos na área de Humanidades devido a minha formação precária. Contorno a lacuna, como já afirmei aqui e alhures, por meio de leituras selecionadas, o que me fez leitor contumaz da revista CULT. Neste mês, parecendo presságio, foi publicada edição especial sobre Donald W. Winnicott, psicanalista e pediatra, estudioso das  questões mentais especialmente das crianças. A revista traz, com profundidade e assinatura de especialistas em várias áre...

Forte social e cultural

Euclydes da Cunha faz aniversário. A Casa Euclidiana, em São José do Rio Pardo o homenageia. O Projeto de Extensão Fórum Euclides, coordenado por Anabelle Loivos Considera, professora da UFRJ, continua ativo e todo ano comemora a efeméride com inauguração de um novo fórum e várias atividades, tal como a divulgação do Movimento Euclidiano de Cantagalo no dia de hoje ( https://www.instagram.com/encontroseuclidianos/ ). José Antonio Bittencourt Ferraz, da Academia de Letras de Lorena, que tem Euclydes da Cunha por patrono, fez postagem comemorativa à efeméride ( http://escritoresvaleparaibanos.blogspot.com/2022/01/euclides-da-cunha.html ). São exemplos daquilo que está próximo a mim. E fico me perguntando: o que Euclydes estaria escrevendo sobre o momento político e social atual? Com certeza não seria negacionista, engenheiro que foi, nem tampouco estaria contra a população, denunciante que foi das mazelas que viu em Canudos. Tinha seu gênio forte, foi negligente quanto ao próprio relacio...

O certo e as incertezas

Li estudiosos da comunicação discorrendo sobre o corte de adjetivos, advérbios e palavras supostamente desnecessárias de textos para torná-los mais objetivos. Por outro lado, artigo recente no Correio Popular, de Campinas, discorre sobre a questão em outra direção, a da necessidade de deixar claro qual o lado que se está tomando ao fazer um relato. Eu acho que empobrece muito fazer a auto censura de algumas classes gramaticais em detrimento de outras. Por que somente o substantivo carrega a objetividade? Um feliz colocado ao lado de um coração dirá muito mais do que apenas afirmar que a bomba de sangue está funcionando. E se for um muito feliz, então, aqueles analistas vão entrar em colapso, um advérbio de intensidade junto ao adjetivo! Particularmente pouco atentei, até agora, para o resultado final dos meus escritos, se carrega muita ou pouca dessa subjetividade. Nos artigos científicos é outra história, pois o objetivo da comunicação é distinto. Mesmo lá aparecem um bom ou ruim junt...