Postagens

A retrato falado não se olham os crentes

Parabéns para você, aniversariante do dia! O tradicional presente festivo falta-me. Muitos são os lamentos que acumulamos e o sorriso comemorativo é amarelo por trás da máscara onipresente. Ainda estamos em pandemia, seguindo todos os protocolos sanitários de não aglomerar e se proteger, mesmo com a vacinação bem encaminhada, graças aos que insistiram na ciência e aos que delataram as falcatruas que estavam em curso. Porém, não deixaram ser você no comando para mitigar seus efeitos. Um outro quadro teríamos, não é verdade? Luto aqui e lá, parodiando os acordes musicais que nos inspiraram ainda antes da virada do século e do milênio. Assim, o presente poderá ser você, na forma de um futuro próximo; no entanto, sabemos que mais uma volta ao redor do sol será necessária e os equilíbrios vitais e energéticos mudarão, e muito. Convicções falsas pululam nos ambientes cibernéticos atuais. Acredita-se em mentiras, oficiais ou não, e, o pior, passa-se a propagar tais fake news como se fosse a r...

Fome de palavras poéticas

Pegando carona neste Dia do Poeta, vai uma pitada de cultura literária com um toque de provocação e antecipação neste link: https://port.pravda.ru/sociedade/53673-literatura_arte_lingua_portuguesa/ . A previsão não foi confirmada, não há de ser nada, e o importante é a notícia do Prêmio Camões deste ano ser dado à escritora moçambicana Paulina Chiziane. Também pouco conhecida no Brasil é uma das pioneiras da literatura em seu país. Como sempre acontece, a partir de agora deverão sair novas edições brasileiras e aumentar a popularização dessa autora que fala muito da condição da mulher africana. Saindo de nossas bolhas, pouco sabemos do que é produzido culturalmente, até mesmo em nossa própria língua, ainda que do outro lado do oceano. Há que se ter poesia para o dia-a-dia, noite e dia. Fingidor de suas dores, o poeta quer apenas amores... ou a penas quer amores? O rigor de nossa língua portuguesa - aquela que está sendo premiada - deve ter espaços para escapadas dessas e brincar com um...

Dizer a educação e a saudade

Anteontem foi o dia das crianças e proliferaram as postagens nas redes (anti)sociais com fotos de quando se tinha muitos ou alguns anos a menos para representar aquela idade infantil, provavelemente mais doce e sem culpas.  Felicitemos as crianças, especialmente as que resistem e vivem dentro de nós. O Dia dos Professores é outra das efemérides para se refletir e pouco a comemorar. São inúmeros os eventos acontecendo este mês que discutem a situação educacional no país, especialmente agora com a pandemia e planos de retomada de atividades presenciais. Com o fim de uma política educacional que construa um futuro para todos, passa a ser questão de sobrevivência a todo educador defender o que ainda resta de possibilidades para educarmos pessoas. Em particular, o centenário de Paulo Freire dá um verniz especial à data. Escrevi uma crônica meia década atrás publicada na VII Coletânea da Academia de Letras de Lorena (2016, p. 87) com o título "A criança, o professor e o médico", al...

Nobre semana

Meus amigos catalíticos ficaram contentes, pois a área foi novamente contemplada no Prêmio Nobel de Química deste ano, divulgado hoje, mas em abordagem totalmente nova. O alemão Benjamin List e o britânico naturalizado norte-americano David W.C. MacMillan foram laureados pelo desenvolvimento da organocatálise assimétrica, ou seja, uso de pequenas moléculas na síntese de outras mais complexas, especialmente aplicadas em fármacos. Uma matéria detalhada, ainda que não científica, pode ser lida neste site ( https://g1.globo.com/ciencia/noticia/2021/10/06/nobel-de-quimica-2021-vai-para-benjamin-list-e-david-wc-macmillan.ghtml ). Os prêmios de Física e Medicina foram os primeiros na semana. Em anos anteriores havia especulação sobre as possibilidades de quais áreas seriam premiadas e numa delas até me senti lisonjeado porque um ramo cogitado era a disciplina que criei para o curso de Engenharia Bioquímica na USP, sob forte crítica: Química Bioinorgânica. O nome parece estranho, mas combina a...

Segredos

Um cronista revelou em apresentação na Academia Campinense de Letras que escrevia, diariamente, seu material por temas de uma lista, alguns escolhidos por ele, outros impostos por quem pagava-lhe pelo espaço. Leio tais textos hoje, mas admiro-me com os do passado, parecendo que uma sociedade de menores nuances era mais fácil de ser comentada. Ou melhor, uma sociedade cujos nuances menos apareciam, já que o silêncio sempre foi marca de nossa cultura, de nossa história. Segredos revelados ou a revelar, fui mudando textos de lugar para emplacar em outros espaços aquilo que considero opinião balizada. Se o jornal x tem política editorial contrária ao enfrentamento, então que a revista y assim publique. Funciona bem em tempos de amplitude de veículos eletrônicos e a gentileza de fornecer os materiais sem custo. Balizas que nos delimitam, muitas necessárias para o convívio social. Aquelas usadas para estacionar também têm um papel importante, ao menos para tirar a carteira de habilitação, ch...

Liberdade de expressão, expressão da liberdade

Ao longo da semana assisti à segunda edição da Jornada da Leitura no Cárcere, uma iniciativa do Observatório da Leitura, coordenado pelo Galeno Amorim, cujos vídeos podem ser assistidos no canal https://www.youtube.com/channel/UCsC9mOhWW-y01qccZ9c4H8w . É importante conhecer as iniciativas da leitura para remição de penas, integração de detentos e detentas, além da humanização do processo de execução penal, tão crítico e criticado em nosso país. O envolvimento de juízes, promotores, educadores, bibliotecários e demais profissionais que atuam nas unidades penais é mostrado, ainda que parcialmente, nessa Jornada. A leitura é fundamental, libertadora pela sua expressão. Assinalo que atividades de leitura e produção de textos é um dos objetivos da recém criada Associação OndulArte que dá apoio ao já atuante projeto OdulAções. A entidade está em fase de registro e atualizarei informações aqui, mas podem ver parte dos projetos e atividades realizadas no canal do youtube: https://www.youtube....

Vagalumes

Aprendi Eugenia Sereno com o saudoso professor Nelson Pesciotta. Em reuniões da Academia de Letras de Lorena, o falecido ex-presidente e fundador da Academia discorria sobre a escritora que sensibilizou grandes nomes da literatura de sua época, autora de livro único e ímpar, contando folclores seus para que passassem a ser de todos. Adquiri "O Pássaro da Escuridão" e confesso que li com parcimônia e dificuldade devido às construções inusitadas e muitas palavras inventadas lá contidas. Certa vez comentei com a também saudosa Irmã Olga de Sá que as palavras do pássaro da escuridão não eram acatadas por dicionários e vocabulários e ela em respondeu com essa expressão, que "eram palavras inventadas". Mas todas não são? Setembro contém mais essa efeméride, o nascimento de Benedita Pereira Rezende Graciotti, nome da escritora que adotou Eugênia Sereno como pseudônimo e nascida em São Bento do Sapucaí em 13 de setembro de 1913. Uma boa compilação sobre estudos de sua obra ...

Cores e dissabores

Sete de setembro foi um excelente dia para assistir à televisão. O principal torneio de tênis dos Estados Unidos - o US Open - fez brilhar os olhos com tantas bolas bem jogadas, aceleração dos movimentos, efeitos incríveis com a raquete, enfim, aquilo que vale a pena para se admirar do sofá. E me perguntam sobre o jogo do Brasil com a Argentina dias antes e respondo que foi, sim, meio morno, mas ganhamos de 3 a 1, conquistando, mais uma vez, o título sulamericano masculino. No vôlei, esporte que me digno a assistir, é assim vitorioso, pois, independente das admirações e confissões criminosas de muitos jogadores, a soberania continental é nossa. Para não dizer que não falei de cores e de esportes sem bola, o encerramento das paralimpíadas com as maratonas em diversas modalidades foi dinâmico e instrutivo. Aprendi que narradores continuam manifestando preconceitos e ideias erroneamente formadas, mesmo em evento que enaltece a diferença. O australiano Jaryd Clifford, deficiente visual, co...

Exercícios históricos e retóricos

Viramos o mês. Faltam apenas mais 16 deles, no máximo, para terminar a travessia das trevas. Setembro inicia com o Dia do Educador Físico. Parabéns a todos e em especial à irmã pela profissão escolhida. A movimentação do corpo não é matéria de meu domínio, mas a admiração pelos atletas em seu melhor desempenho é muito prazerosa. Sei que esporte de alto rendimento não combina com todas as correntes da educação física, perdoem-me os envolvidos, mas em qualquer ramo do conhecimento é assim e não pensem que na química seja diferente. A alegoria é importante, ainda mais agora com os Jogos Paraolímpicos caminhando para o final e com desafios superados e recordes alcançados. A minha querida química foi citada porque fiquei instigado com as três cordinhas que arrebentaram nas provas de corrida com deficientes visuais brasileiros. Os comentaristas avocaram a necessidade de instrumentos maiores para se adaptar melhor às mãos dos guias, mas creio que a resistência mecânica desses materiais precis...

Entre vermelhos e amarelos

A Academia de Letras de Lorena fez reunião virtual dia 21 de agosto, com lançamento de livro sobre educomunicação e lembrando mais um aniversário. Sem a festa, com a coletânea anual planejada, seguimos no cultivo das letras lorenenses e vale-paraibanas. O Instituto de Estudos Vale-paraibanos lançou novo informativo com artigos vários, incluindo um de minha autoria sobre a nova biografia de Euclydes da Cunha que já acumula controvérsias, uma vez que peca em omissões ( https://bit.ly/3y77DbZ ). A título de informação, o Simpósio de História do Vale do Paraíba começa nesta semana e eis o link para dele participar:  https://www.sympla.com.br/simposio-de-historia-do-vale-do-paraiba__1280461 . A quem tem dificuldades de encarar a leitura de Os Sertões , dizem que começar pelo final pode facilitar um pouco. Ou, como eu já fiz, ler outros textos de Euclydes, como seus ensaios sobre a Amazônia, e outros livros. Mas tudo é questão de estratégia ou estilo. Não somos obrigados a gostar de tudo...

Sejamos fortes

O título emula os dizeres euclidianos usados dois anos atrás ( http://adilson3paragrafos.blogspot.com/2019/08/sermos-antes-de-tudo-fortes.html ), isso porque nesta Semana Euclydes da Cunha usei parte da apresentação lá mencionada para aprofundar as discussões sobre o estabelecimento do texto do autor homenageado. Desta vez não estive em São José do Rio Pardo, mas em evento virtual na UFRJ, no qual inseri duas curtas apresentações para falar de tais correções e interlocuções com o autor de Os Sertões , e a comparação dessa obra com O Cearense , de Parsifal Barroso. O amador aqui se meteu com os grandes para aprender um pouco mais. O frio na barriga, feito as emoções adolescentes das primeiras vezes, estava ali, borboletando o estômago, como se diz. O melhor link, não apenas para os inscritos, é por meio do canal do Fórum Euclydes 112 no youtube, o qual reproduzo aqui para assistirem: https://www.youtube.com/channel/UCF8mqv9ZmQ4dhPfSLpOGyvg . São mais de 25 horas de palestras, discussões...

Agosto e seus gestos

A comunicação aumentada pelo espaço virtual cria a falsa sensação de que se tem acesso a muito mais coisas. Assim, informo aqui sobre vários eventos de interesse, tal como a Semana Euclidiana, que todo ano se dá em São José do Rio Pardo e desta vez segue online ( https://casaeuclidiana.org.br/portal/ ). Sim, em cidade importante para e sobre Euclydes da Cunha, eles também não escrevem o nome do autor de Os Sertões com o y, letra reincluída em nosso alfabeto. Na sequência da postagem de semana passada ( http://adilson3paragrafos.blogspot.com/2021/08/proezas-saudaveis.html ), completei reflexões sobre as Olimpíadas no Boletim Anti-Covid da Unesp de Rio Claro, tanto no blog ( https://bacunesprc.blogspot.com/2021/08/aprendizado-com-bolha-olimpica-em-toquio.html ), quanto no site ( https://sites.google.com/unesp.br/boletim-anti-covid-19/ ). Exagero nas citações e sugestões? Parece que sim e se não focar nas essências e nos essenciais, perde-se a atenção. Já me flagrei assistindo simultaneam...

Proezas saudáveis

A motivação foi muita, sem dúvida, e o resultado foram noites insones assistindo a jogos e disputas. O exercício do próprio corpo ficou em segundo plano, desconsiderando recomendações médicas e já peço desculpas ao Paulo Viana, médico, acadêmico e leitor número 1 deste blog. Nos últimos dias da olimpíada do outro lado do mundo, redondo mundo, administrada do sofá, vieram as frustrações com o vôlei e a admiração com os jovens em suas tábuas sobre rodas. O skate conquista o Olimpo e faturamos medalhas com meninos e meninas. Outra polêmica nos décimos das notas dos juízes, dessa vez com o lorenense Luiz Francisco que ficou de fora deste primeiro pódio em Tóquio. Em "Frieza na subjetividade" a contagem dos pontos controversa já estava lá ( http://adilson3paragrafos.blogspot.com/2021/07/frieza-na-subjetividade.html ). Na água crescemos, mas não temos mais asas nas canelas como antigamente. O desabafo do Alison da dupla de vôlei de areia resume o descaso e o atraso em investimento ...

Frieza na subjetividade

Qualificativos não resistem a um escrutínio numérico. Há uma necessidade incontida de dar o valor de tudo, não tentar explicar o que é melhor em palavras, mas em números. Em duas oportunidades nas olimpíadas que seguem em Tóquio tal subjetividade da avaliação quantitativa foi colocada em dúvida. Juízes deram notas menores para as manobras do surfista brasileiro Gabriel Medida em comparação com as do japonês Kanoa Igarashi e intrigas pulularam nas redes sociais. Depois, a judoca brasileira Maria Portela teria sido vítima do julgamento negativo quando um wazari a seu favor foi pontuado e, depois, retirado. Em esportes nos quais a qualidade do movimento é julgada com notas numéricas, tais falhas existirão sempre. Na avaliação de textos se dá a mesma situação. Como saber o que é melhor ou pior? A criação literária pode ser totalmente quantificada? Poetas e esportistas, entre décimos e centésimos, queremos ser os primeiros. O frio veio com tudo, bem objetivo. O repórter na tv diz que fez um...

Sábios amigos

O dia do amigo de ontem (o dia, não o amigo) teria sido proposto em homenagem à chegada dos primeiros seres humanos à lua. A alunissagem completou 52 anos e o bilionário Jeff Bezos fez seu voo suborbital para aproveitar a data. São muitas controvérsias sobre a necessidade e os custos envolvidos, mas já fiz meu comentário, pelo lado científico, na coluna publicada hoje, quarta-feira, no Jornal Cidade de Rio Claro. Como sempre, se entrarem no Facebook dá para ler o artigo ( https://www.facebook.com/adilson.goncalves.9847/ ) #IniCiencias. Histórias sobre origens de comemorações nem sempre são óbvias ou relatadas como realmente aconteceram. Muito menos aquilo que supostos amigos do WhatsApp compartilham como verdade absoluta tem o mínimo de credibilidade. E insistem, sabendo que lúcidos como eu jamais lerão ou verão e a lixeira eletrônica é o destino certo de tais desvarios. Loucura tangente à criminalidade, já provada. A amizade pelo conhecimento, no entanto, continua. Hoje, por exemplo, ...

Cultura e conhecimento em Campinas

A Campinas deste 14 de julho amanhece aniversariante. O dia não é feriado municipal, pois a opção foi a de reservá-lo para a celebração da padroeira, em dezembro. Jornais, ainda existentes, fazem edição especial com cumprimentos aos 247 anos da cidade repleta de páginas de propagandas de empresas lembrando o aniversário e incluindo entrevista com o prefeito para falar de seus planos. O Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas também aniversaria hoje, debutante que é na preservação e divulgação cultural. A produção intelectual desses 15 anos de atividade pode ser vista na página do Instituto, com postagens constantes, atualizadas e autorais de membros e atuantes nessas áreas de pesquisa ( https://ihggcampinas.org/artigos-recentes/ ). O mês é culturalmente especial na Terra das Andorinhas por congregar a semana Guilherme de Almeida, além das comemorações a Carlos Gomes. O maestro nasceu aqui num 11 de julho e completaram-se 185 anos de seu nascimento. Hoje os eventos são...

Da natureza humana

Começando mais um conjunto de temas em horário nada regular. Procrastinação, legítima condição humana. Descobri que a frequência da leitura é determinada pelo quando o blog é publicado, mais do que pela quantidade de e-mails e avisos enviados. Leitores se admiram das ligações entre os assuntos, essa é intencional, nem sempre alcançada. O público visitante a este site oscila entre o dobro e a metade e, matreiramente, direi que fica na média. Subversão humana da estatística comercial que está sempre a vender uma promoção, ofertando seu produto pela metade do dobro do preço. Não monetizo as postagens para não seguir os desígnios do vil metal, uma vez que, quimicamente, o ouro é pouco valioso por pouco reagir. Outras reações acontecem e a semana foi explosiva em Rio Claro, cidade em que trabalho, com um caminhão transportando produtos químicos se incendiando e causando um deslocamento de ar sentido a quilômetros de distância. Mais uma vez, fui chamado para fazer um comentário para a tv. Da...

Dezoito meses

Último dia do mês, exatamente metade do ano alcançada - na verdade, quase, pois dos 365 dias foram 181, já que o primeiro semestre congrega o curtíssimo mês de fevereiro. A metade será ao meio-dia de sexta-feira, dia 2/7 (descontando aquelas horas e minutos a mais, segundo a astronomia), véspera da importante data para importantes acontecimentos. O acúmulo de afazeres já grande em qualquer fim de mês parece se engrandecer quando se refere ao mês que marca a metade do ano. Pior se o 30 de junho caísse numa sexta-feira, o dia da semana em que todas as ideias surgem para poderem ser executadas somente na semana seguinte. Fim de semana é útil para muita coisa, apesar da confusão que se faz agora nesta época de pandemia. Dias úteis ainda seguem uma acepção burocrática de se restringirem a cinco dias, ainda que há muito tempo tudo acontece 24x7. Os términos de calendários se impõem à nossa perda de paciência e de fôlego para dar conta. Números estampados na folhinha que escravizam. Sim, sei ...

Primeira dose para não esquecer

O calendário vacinal foi percorrido e chegou minha vez de tomar a primeira dose da AstraZeneca contra o novo coronavírus. Sensação única ser testemunha e partícipe de uma das maiores façanhas da ciência atualmente. Em menos de um ano, o vírus chamado de Sars-CoV-2 foi identificado, isolado e plataformas distintas de produção de vacinas foram aplicadas e desenvolvidas para se obter vários imunizantes com eficácias adequadas para aplicação na população, ainda que em distintos graus de qualidade. O pequeno desconforto causado pela reação ao imunizante fez-me ficar praticamente um dia de molho, mas é um dissabor saudável. Nós pais e mães não nos esquecemos de todas as febrinhas que nossos filhos tiveram nos primeiros meses de vida quando da aplicação de boa parte das vacinas que os protegem por toda a vida. Isso é o comportamento corriqueiro ou deveria ser de quem vive em sociedade moderna, sabedores que somos sobreviventes por conta das vacinas. Triste, nesta festa toda, é constatar que m...

Transformando orgulhos e acidentes

O buraco levou pneus e rodas, a prefeitura se omite. Vida urbana que segue em solavancos e prejuízos. O susto foi muito, a irritação o acompanhou, mas, ao final, sobra a resignação pela ausência de danos físicos. O dentista ficou para depois, experimentos científicos também, outro arranjo orçamentário deve ser feito, diminuindo alguma guloseima de fim de semana. O acidente, portanto, foi saudável, controlando as calorias entrantes para conter a obesidade pandêmica. Os mecânicos se impressionam que o veículo necessita de mais cuidados, uma lavagem, o motor já com prazo de validade ultrapassado e tento convencê-los de que pouco me sensibiliza a devoção ao volante que muitos possuem. Segurança e conforto sim, com certeza. Mas gostar de carros e de dirigir não é verbo que eu consiga conjugar. Crônica improvável de um acidente certo, assim poderia ser o título representativo, caso o objetivo fosse apenas impressionar leitores. Mas a crônica da realidade é angustiante, e um buraco no meio do...