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Curando mentes e corações

Sobre a vacina Sputnik, não acrescentaria nada além do que já avaliamos no Boletim Anti-Covid da Unesp Rio Claro, cujo link é este:  https://sites.google.com/unesp.br/boletim-anti-covid-19/ ; para ler somente a matéria que escrevi, pode ser também acessado este outro blog: https://bacunesprc.blogspot.com/2021/04/saga-da-sputnik-v-no-brasil.html . Novos capítulos estão em curso nessa saga, iniciando com uma suposta politização da decisão do órgão de vigilância sanitária do país, a Anvisa. Será um esclarecimento importante a ser feito para combatermos o negacionismo científico e o provável uso, mais uma vez, de instituições sérias com finalidades estranhas ao bem estar da população. Para mim uma informação de extrema importância é que, se o adenovírus vetor da Sputnik pôde se replicar na pessoa vacinada, isso deve ser imediatamente comunicado ao mundo na forma de alerta global, uma vez que mais de 60 países aplicam a tal vacina. #IniCiencias Depois do luto, a revista CULT abriu espaç...

Erra na Terra

O dia é da Terra, a Cúpula do Clima está em destaque, mas, para os brasileiros, a sina de Primeiro de Abril do início do mês continua. De protagonistas ambientais de uma década atrás, tornamo-nos párias no mundo, destruindo os maiores patrimônios que temos: as florestas e as gentes. Os povos originários estão sob ameaça, mas não somente eles. Aproximando das 400 mil mortes devido à pandemia do novo coronavírus e da covid-19, doença dele resultante, é bom iniciar ao menos uma investigação parlamentar para apurarmos os responsáveis pela tragédia, ainda que múltiplos e mentirosos. Na questão ambiental, o pouco de alerta no âmbito oficial e federal se dá - pasmem! - pelo setor agropecuário, ciente de que apenas com sustentabilidade múltipla o produto brasileiro encontrará mercado, cada vez mais exigente. Inseri algumas dessas reflexões no artigo "Negacionismo antieconômico", publicado em O Regional , jornal da cidade de São Pedro, que pode ser lido aqui:  https://online.pubhtml5....

Pedras no caminho

Torto Arado , de Itamar Vieira Junior, devidamente vencido. Gostei mais do miolo do livro do que do final. Ficou a impressão de que, em algum lugar entre 30-50 páginas do desfecho, a história de Bibiana e Belonísia já estaria muito bem contada. Mas o reles leitor não sabe o que se desenvolveu na mente do autor. Finalmente comecei a ler A Organização , da Malu Gaspar, sobre a Odebrecht. Da ficção para a realidade - ou vice-versa e misturado, quem sabe? Na linha Lava Jato que permeia substancialmente a história da empreiteira, há julgamentos importante acontecendo no Supremo Tribunal Federal nos dias correntes. Hoje, mais precisamente, se estiver lendo em sincronia com a publicação deste blog. Seria uma elegia à diversão a digressão que os magistrados fazem sobre os ditames constitucionais. Seria, não fossem tais análises com objeto feito de trágicas consequências existenciais e de sobrevivência às próprias instituições e ao que conhecemos por democracia. Aprecio os embates, sem muito de...

Cultura em dia de saúde e jornalismo

Este 7 de abril é especial, pois, dentre várias efemérides, é destinado a comemorar duas datas importantes. O Dia Mundial da Saúde e o Dia do Jornalista. O blog Lorena Filatelia, do dedicado Acadêmico José Antonio Bittencourt Ferraz, lembra a efeméride da saúde ( http://lorenafilatelia.blogspot.com/2021/04/dia-mundial-da-saude.html ) que também foi citada no blog do BAC ( https://bacunesprc.blogspot.com/2021/04/saude-e-jornalismo-7-de-abril.html ). Reflito a oportuna coincidência da homenagem à saúde e ao jornalista, uma vez que boa parte do recrudescimento da pandemia do novo coronavírus no Brasil é devida às fakenews que levam à descrença no Sistema Único de Saúde, à dúvida em relação às vacinas e à propaganda de medicamentos nocivos que estão sendo oficialmente ofertados como cura milagrosa. No império da ignorância, a informação adequada é aquela transmitida apenas pelo bom profissional. Da mesma forma que anônimos estão dando tudo de si nas linhas de frente em hospitais, registra...

Mentira dupla

A mentira no Brasil é tão grande que são necessários dois dias consecutivos para dela se lembrar. Os comentários para os jornalões sobre a efeméride foram infrutíferos, preteridos; seguem aqui, portanto. Na mesma semana, o humor negro da troca de seis por meia dúzia nos altos escalões palacianos não esconde as múltiplas tragédias em que vivemos - e morremos - simultaneamente. Escrevi sobre as verdadeiras diretrizes médicas no combate às doenças e os limites impostos pela ética médica, artigo elogiado por quem é da área de atendimento à população, mas de conteúdo ignorado por quem mais precisa. Saiu em nosso Boletim Anti-Covid e também no blog a ele relacionado ( https://bacunesprc.blogspot.com/2021/03/limites-da-autonomia-do-medico-e-do.html ). Há muito que a ciência desconhece na dinâmica e no combate à covid-19, mas agir com base na ignorância, virando as costas ao conhecimento que foi construído, é despir-se da nossa condição humana mais fundamental: a solidariedade, especialmente c...

Lógicas inconscientes

Acontecimentos, cimentos para a conta. Junção de palavras, poéticas que sempre foram, leva a aglutinar as coisas&causos no intento de forjar um encadeamento, uma lógica para o corrente, não libertário, dos dias. O dia mundial da poesia foi comemorado em 21 de março, o da água no dia seguinte. E fizemos reunião da Academia de Letras de Lorena no sábado, 20, virtual, tal qual a situação exige, e de sucesso, uma vez que temos a Neide Arruda de Oliveira como presidente. Quanta diferença faz ter em um cargo de responsabilidade quem quer trabalhar pelo conjunto, pelo grupo. O bom exemplo vem de cima e o mau está vindo de todos os lados. Após um ano da reclusão total, com as saídas reduzidas ao mínimo ainda que necessário, a mente não funciona como antes. Podemos acreditar que criamos instrumentos de sobrevivência, e assim o fizemos na inglória luta contra o vírus e quem o dissemina. Há que se considerar as perdas, mínimas e máximas, que aconteceram e continuam em curso. Sairemos outros d...

Lutos e lutas

Luto é o tema do Lugar de Fala da revista CULT ( https://revistacult.uol.com.br/home/colunistas/lugar-de-fala/ ). Escrevamos, enquanto a solução não vem para tentar aplacar a dor da existência, incapazes na execução de qualquer coisa que combata o momento atual. Luto para não desabar, um luto para se questionar, até para nele obter forças para continuar a viver. E a lutar. A palavras é batida, o sentimento, abundante. A dupla significação também cansou um pouco, mas insisto. Beirando as 300 mil mortes, boa parte evitável, nos abate profundamente o caos em que a condução da pandemia se alastra. Pessoas queridas de pessoas queridas estão sofrendo. As faixas pretas institucionais penduradas em edifícios passaram a ser perenes, apenas mudando o número lá registrado. O Boletim Anti-Covid da Unesp de Rio Claro se aproxima de um ano de existência e lembrou o também primeiro aniversário dos primeiros casos de Covid-19 no Brasil, a primeira morte e o início do sistema on-line de aulas nas unive...

Oito como símbolo

O dia foi 8 de março e somente oito vezes a palavra mulher figurou neste blog, desde quando migrou para o novo endereço, há três anos. Pouco, reconheço. A semana é dedicada à luta das mulheres por espaços, reconhecimento, sobrevivência. O de março induz semelhança ao de outubro. O Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas fez reunião inaugural exatamente nesse dia e o presidente Fernando Abrahão me convidou a ler um breve texto, de também três anos atrás, para a audiência virtual. Ei-lo: "o dia não é de flores, pois representa os espinhos colhidos pelas mulheres em sua constante luta para reivindicar questões fundamentais, como a da própria existência em serenidade. Não há desculpas para o mundo misógino em que vivemos. De imediato, procurar o respeito ... e nada como principiar pelas mulheres de nossas vidas. Mães, irmãs, esposas, filhas, tias, primas, cunhadas, professoras, alunas e ex-alunas, amigas, colegas, cada qual com suas batalhas, frustrações, abdicações,...

Vícios da linguagem

Informação e conhecimento são matérias viciantes. Aprender não pode ser assunto árduo e o deleite do sabor do saber precisa ser apreciado. Os tempos atuais assim requerem. Mais do que isso, exigem. A ignorância tem imperado como política oficial, nunca é demais repetir, e conhecimentos dos mais fundamentais foram substituídos por teorias alucinadas da conspiração e um explícito negacionismo que, além de inescrupuloso e vergonhoso, é mal intencionado. A vítima primeira é a verdade, seguida dos que sucumbem por total falta de empenho e empatia. A Unesp tem feito contribuições significativas para mitigar a desinformação e nosso Boletim Anti-Covid é um desses canais ( https://sites.google.com/unesp.br/boletim-anti-covid-19/ ). A mesa-redonda virtual "Fake news: Desinformação e Covid-19 - A doença que fragiliza o sistema de saúde" foi transmitida pelo canal da Universidade, com a participação do professor da Unesp Francisco Belda, estudioso do fenômeno da desinformação, do médico...

Utopias distorcidas

Os meus sonhos e utopias foram publicados pela CULT e causou alguma discussão ( leia aqui ). A colega trovadora Maria havia feito poesia com título semelhante - transmimento de pensação. O Acadêmico José Antonio Bittencourt Ferraz, que além do blog sobre filatelia e numismática ( http://lorenafilatelia.blogspot.com/ ), possui outro sobre escritores do Vale do Paraíba, publicou o link para a revista ( veja aqui ). Grato, grato. Tudo aconteceu logo após a postagem da semana passada, daí não ter sido lá incluído. A parábola de apalpar um elefante, como lembrado pelo Paulo Viana, é a melhor forma de explicar nossa interação - ou falta dela - com o mundo atual e suas consequências. Tentemos elevar a mente para pensamentos mais nobres, que esses ainda são francos e livres. A Academia de Letras de Lorena realizou eleição para o novo biênio e figuro lá novamente na diretoria, mas o trabalho é feito pela presidente Neide Aparecida Arruda de Oliveira, secretária Olga Aparecida Arantes Pereira, t...

Pedaços de jornais

Missivista contumaz, fiquei angustiado com o fim da seção de cartas do leitor em veículos impressos de comunicação. A Veja é uma revista que pouco me apetece, com reportagens sem aprofundamento e um ou outro articulista que passa alguma mensagem de saber do que fala. Já fui dela assinante, confesso, mas restringi-me à leitura superficial, quase obrigatória, exclusiva da versão on-line. Mas arriscava uma ou outra cartinha lá para a redação e até publicaram um par delas. Porém, na virada do ano, a seção deixou de existir, sem aviso. A carta ao leitor que publicam, com alguma pretensa mensagem de otimismo e resumo do que vai na edição, nada falou da mudança. O índice também foi excluído; talvez o espaço seja mais nobre para outros remuneradores ou direito de resposta, como a que a revista foi obrigada a dar para a empresa Huawei. Intrigas. A muito mais palatável CartaCapital também deu sua bola fora ao prestigiar a reprodução dos comentários de redes sociais - que já estão de alguma forma...

Cancelamento

O carnaval não foi suspenso um ano atrás, em misto de algum desconhecimento sobre o que viria a ser a pandemia do novo coronavírus e muito do interesse comercial de mantê-lo. Críticas honestas e hipócritas aconteceram em dias posteriores, quando a OMS confirmou a doença mundial e os primeiros casos foram notificados no Brasil. A comparação com o fechamento imediato das escolas e suspensão das aulas foi o mais perversamente irônico daqueles eventos. Hoje, ouço e vejo admirado as notícias de que a festa mais tradicional do país será efetivamente cancelada. Alguns dias ainda nos separam do registro da festa no calendário. Vamos ver o transcurso dos fatos. As escolas continuam em abertura e fechamento intermitente. Em Campinas, alguns estabelecimentos reabriram, notificaram casos de Covid-19 e voltaram a fechar. A propagação entre os mais jovens - crianças e adolescentes - ainda nos é desconhecida e esses dissabores não são exclusivos nossos, pois europeus e norte-americanos passaram e pas...

Escrevo e não me canso de ler

Ah, como escrever é bom! Prazer superado apenas pelo da leitura. Como não sei ler sem escrever, o caderninho, o bloco de anotações e, mais modernamente, o editor de texto digital me acompanham diuturnamente. Avesso a usar as margens de livros para apor pensamentos, dúvidas e reflexões, é na base do contato da caneta e do grafite com a celulose que os registros ficam. E não consigo ler um livro sem pensar sobre o que o autor está dizendo, suas contradições, omissões e, muito comum, seus erros. Não apenas os tipográficos, nem o 'não' proposital de Raimundo Silva, personagem de José Saramago em História do Cerco de Lisboa . Nesses dias me deparei com uma dessas questões na tradução de uma biografia - em inglês no original - que fala sobre um pó mágico, de pirlimpimpim. Tenho como certo que a criação de Monteiro Lobato não foi a citada ou mesmo era conhecida pelo biografado, ainda que contemporâneos. Eis um sério problema que é mais crítico na poesia, já intraduzível a partir do se...

Nutrição social

O leite tem proteínas em quantidade aproximada à de gorduras. O açúcar principal presente no leite é a lactose, cuja fórmula química é C 12 H 22 O 11 , o que não representa todos os detalhes de sua estrutura. Difere da sacarose, o açúcar da cana, apesar de possuírem a mesma fórmula química. Ou seja, uma única descrição ou propriedade não é suficiente para caracterizar o todo, servindo para moléculas e para pessoas. Nomes em química seguem uma lógica, nem sempre evidente, cuja terminação caracteriza a que grupo a substância pertence. Assim, ose  será equivalente a açúcar, ou carboidrato, que é o nome mais adequado, pois a composição é equivalente a uma quantidade de água (hidrato) para cada de carbono na molécula. Com proteínas, gorduras e carboidratos, muito nutritivo é o leite, tornando-se ainda mais energético quando parte da água nele contida é retirada e são adicionados outros açúcares. Obtém-se o leite condensado. Essa palavra, condensado, possui vários significados, um deles ...

Ares de mudança

Finalmente, Donald Trump deixa a Casa Branca. Eu estive nos Estados Unidos quatro anos atrás, uma semana depois da posse do Republicano na presidência daquele país, e vi, pela primeira vez em minhas viagens, um protesto contra ele no aeroporto de Orlando em função das medidas xenófobas de impedir a entrada de imigrantes. Meu testemunho foi enviado como carta para a Folha de S. Paulo e publicado (para quem tem acesso, eis o link: https://www1.folha.uol.com.br/paineldoleitor/2017/01/1854403-leitor-diz-que-carmen-lucia-livrou-se-brilhantemente-de-uma-saia-justa.shtml ). O governo iniciava com muitas dúvidas e a certeza de que seria de extrema direita. Os fatos confirmaram as premissas iniciais e, apesar de uma economia estável, Trump não soube lidar com a pandemia, o que foi o motivo principal de sua derrocada, para benefício de 99% população mundial, restando apenas os 75 milhões que nele votaram. Ares de mudança ou ao menos retorno a tempos menos cruéis. Que cheguem aqui. A vacinação co...

Começa quente

Chuvas de verão. No verão. Chegam as chuvas não sem as catástrofes associadas por falta de planejamento urbano. Abandonamos o campo para viver na cidade sem atentar para a dinâmica da natureza. As mudanças climáticas que ignorantes do poder continuam a negar são responsáveis por parte dessas novas interações, mas há a história continuada de impermeabilização inadequada do solo, construções em áreas de várzea e próximas a cursos d'água, desarborização desenfreada e lixo, muito lixo onipresente na terra, água e ar. Por fim, após dias com friozinho estranho para a época, finalmente, a temperatura sobe. Não que isso agrade a todos; no entanto, é preocupante sentir mudanças globais no nível tão local, dentro de casa. Assim, depois de umas noites necessitando de coberta para dormir, o verão parece ter chegado. Sobrevivamos. A discussão calorosa no parlamento norte-americano é esclarecedora sobre a divisão de tempo entre os deputados e também sobre a pantomima, uma vez que os votos já são...

Sonhos, pesadelos e suas interpretações

Andar a esmo na rua sem máscara se transformou na nova versão de estar nu em público, imagem recorrente em sonhos. Estava em local movimentado e em desespero por não encontrar minha máscara. No fundo da mochila estava uma azul ciano (que nunca tive), já usada, que imediatamente coloquei, aliviando-me. Creio que, nesse momento, os olhos que dormiam devem ter parado de revirar-se em suas órbitas. Passei a encarar com repulsa e em desafio os demais transeuntes desmascarados. Acordado, assim está o cotidiano, mesmo na bolha geográfica e social em que vivo. Em meados de 2020 era difícil encontrar alguém sem máscara pelas ruas, mesmo estando em caminhada ou a passeio com animais. Hoje, na saída semanal para comprar alimentos, o dispositivo de proteção facial não estava em nenhum dos rostos com que encontrei no caminho. Apenas nos estabelecimentos comerciais o respeito à proteção individual e coletiva imperava. Assimilamos o comportamento no trânsito, quando diminuímos a velocidade apenas nas...

Ultimatum

Em pouco mais de 24 horas um novo ano civil se inicia. Para o cosmos isso nada significa, porém, psicologicamente, deixaremos para trás um ano insano. Quer dizer, o calendário muda sem alterar as mazelas consequentes da pandemia global e do desgoverno local. Não haverá reunião familiar íntima, nem vistas de fogos de artifício, muito menos o amanhecer na praia para ver o primeiro nascer do sol do ano. Ausências para os que têm consciência. Infelizmente, a evolução de nossa espécie não é completa e desinteligência constitui elemento de ampla incidência na população. Ah, mas e a saúde mental? Morto não possui mente. Ou ainda: vivo mente e morto não tem mente. Resposta simples, direta e mal-educada, já que explanações científicas detalhadas foram e são difíceis de serem aceitas. Paradoxalmente, 2020 foi um ano de grande crescimento da ciência avaliado por publicações e conquistas, as vacinas sendo uma delas. #IniCiencias Junto a esta postagem do blog, saiu hoje uma publicação no Brasil 247...

Festas sem covidados

O trocadilho do título pode parecer um erro de digitação. Reflete o desejo maior de todos nós. Reunir pessoas queridas não será possível neste final de ano, pois a sobrevivência e a defesa da saúde e do bem estar falam mais alto. Apenas os parentes mais próximos, aqueles com quem já convivemos, sentar-se-ão à mesa para desfrutar da ceia e da companhia. Mesmo como remota a possibilidade disso ser respeitado pela maioria, é o desejo maior. O aumento de novos casos de infectados pelo coronavírus, especialmente entre os mais jovens, é sinal de alerta máximo em face da falta de comportamento adequado das pessoas. Aglomerações, recusa ao uso de máscara, higienização precária e, o pior, falta de governança foram os fatores que nos levaram a mais uma situação de apreensão em relação à covid-19. As vacinas passaram, finalmente, a ser aplicadas. O Brasil está atrasado e o desejo para o Ano Novo é que a ciência vença as distensões políticas dos que estão interessados apenas em suas eleições e dri...

Outras formas de poder

Dada a diferença de formação e aprendizado fônico, falantes nativos de espanhol têm dificuldade de diferenciar a pronúncia de nossas vogais abertas e fechadas. As palavras poço e posso são exemplos. O que para nós contém evidente diferença, constituindo-se palavras heterógrafas e heterófonas, para os vizinhos da América Latina não há essa distinção. Se não posso ir a fundo, vou ao fundo do poço. Uma frase irônica como trava língua é hostil na compreensão de nossa incapacidade de convivência pacífica em sociedade. Nem adentraremos a histórica incompreensão de sons idênticos transcritos com distintas letras. E vice-versa. A expressão 'fundo do poço' perdeu o sentido da esperança nela contida, pois já não há limites para a degradação social, pessoal e política, qualquer que seja a entonação que demos à pronúncia. O pior sempre piora. O poder indígena é traduzido de outras formas, ao menos entre as comunidades com que temos acesso e informação. Em discussão com especialistas, há re...