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Ultimatum

Em pouco mais de 24 horas um novo ano civil se inicia. Para o cosmos isso nada significa, porém, psicologicamente, deixaremos para trás um ano insano. Quer dizer, o calendário muda sem alterar as mazelas consequentes da pandemia global e do desgoverno local. Não haverá reunião familiar íntima, nem vistas de fogos de artifício, muito menos o amanhecer na praia para ver o primeiro nascer do sol do ano. Ausências para os que têm consciência. Infelizmente, a evolução de nossa espécie não é completa e desinteligência constitui elemento de ampla incidência na população. Ah, mas e a saúde mental? Morto não possui mente. Ou ainda: vivo mente e morto não tem mente. Resposta simples, direta e mal-educada, já que explanações científicas detalhadas foram e são difíceis de serem aceitas. Paradoxalmente, 2020 foi um ano de grande crescimento da ciência avaliado por publicações e conquistas, as vacinas sendo uma delas. #IniCiencias Junto a esta postagem do blog, saiu hoje uma publicação no Brasil 247...

Festas sem covidados

O trocadilho do título pode parecer um erro de digitação. Reflete o desejo maior de todos nós. Reunir pessoas queridas não será possível neste final de ano, pois a sobrevivência e a defesa da saúde e do bem estar falam mais alto. Apenas os parentes mais próximos, aqueles com quem já convivemos, sentar-se-ão à mesa para desfrutar da ceia e da companhia. Mesmo como remota a possibilidade disso ser respeitado pela maioria, é o desejo maior. O aumento de novos casos de infectados pelo coronavírus, especialmente entre os mais jovens, é sinal de alerta máximo em face da falta de comportamento adequado das pessoas. Aglomerações, recusa ao uso de máscara, higienização precária e, o pior, falta de governança foram os fatores que nos levaram a mais uma situação de apreensão em relação à covid-19. As vacinas passaram, finalmente, a ser aplicadas. O Brasil está atrasado e o desejo para o Ano Novo é que a ciência vença as distensões políticas dos que estão interessados apenas em suas eleições e dri...

Outras formas de poder

Dada a diferença de formação e aprendizado fônico, falantes nativos de espanhol têm dificuldade de diferenciar a pronúncia de nossas vogais abertas e fechadas. As palavras poço e posso são exemplos. O que para nós contém evidente diferença, constituindo-se palavras heterógrafas e heterófonas, para os vizinhos da América Latina não há essa distinção. Se não posso ir a fundo, vou ao fundo do poço. Uma frase irônica como trava língua é hostil na compreensão de nossa incapacidade de convivência pacífica em sociedade. Nem adentraremos a histórica incompreensão de sons idênticos transcritos com distintas letras. E vice-versa. A expressão 'fundo do poço' perdeu o sentido da esperança nela contida, pois já não há limites para a degradação social, pessoal e política, qualquer que seja a entonação que demos à pronúncia. O pior sempre piora. O poder indígena é traduzido de outras formas, ao menos entre as comunidades com que temos acesso e informação. Em discussão com especialistas, há re...

Perder e aprender

Repetir que dezembro é para mim o pior dos meses perde parte do significado em ano tão díspar. Foram muitos dezembros acumulados em nove meses. Um ano perdido que adentra seu final com alguma luz na forma de vacinas contra a covid-19 sendo aplicadas em outros países, luz que se mostra difusa em solo nacional a vingar a disputa política que se estabeleceu. Reis nus e de vestes expostas em palácios se digladiam para saber quem mais mata. A prática ali e aqui, já sabemos, é da tríade mata, desmata, mamata. Sigo com a segurança da ciência: pelo menos quatro vacinas superando os testes finais e com aval para imunização em massa. Mas não nos iludamos, pois é certo que haverá um tipo de selo de proteção a quem seguiu as normas sanitárias contra o coronavírus, abrindo mão de segurança econômica para tanto. Estaremos fora. E também normas rígidas para permitir a entrada de estrangeiros vacinados em países que estiverem com a pandemia sob controle. Também estaremos fora. A crença sai da religião...

Numerosos números

Números aos milhares, com o perdão do trocadilho, adentraram meu computador vindo do TSE. Usei-os para reinterpretar o que todos já diziam, a abstenção e o não-voto ganharam as eleições. Campinas foi recordista no Brasil, escrevi um comentário no Correio Popular de Campinas e divulguei pelo Facebook. Apesar de ter sido considerado "dor de cotovelo" (sim, ainda usam a expressão) por um leitor estranho a meus círculos de "amigos virtuais", houve os que defenderam a escolha do campineiro a lhe dar um voto de confiança. Procurei limitar-me apenas à análise do porcentual de abstenções, votos brancos e nulos que, somados, ultrapassam o total dado aos dois candidatos - isso fique bem claro. Há uma correlação direta entre baixa votação no primeiro turno e rejeição no segundo, o que indica a necessidade de mudar o procedimento, como já discorri aqui. Por que não incluir os três mais votados, caso os dois primeiros, juntos, não atinjam 50% dos votos válidos? O voto é trocado ...

O que nasce da pandemia?

Página em branco, mente vazia, o que escrever? Quase nove meses de quarentena, já quebrada aos poucos e pelos muitos que continuam a se contaminar e a contaminar os outros. A máscara mal usada nada protege. Queixos e lábios inferiores escondidos pelo pedaço de pano enquanto o tecido deveria ocupar o espaço completo. A proteção somente é efetiva se cobrir toda a boca, parte significativa do queixo e, muito importante, todo o nariz. Sim, mesmo nós os narigudos de proeminente napa temos de cumprir a regra. Não é o que se vê e se lamenta. E isso assusta. Mas não consigo respirar com a máscara! Oras, uma das consequências da barreira para o vírus é reter também parte da mobilidade das partículas que são aspiradas com o ar. Treine que consegue, sim. Mãos fora da máscara é outra recomendação, menos seguida ainda. Máscara adequadamente usada e ajustada não são óculos que precisam de ajustes o tempo todo. O vírus triunfa, as ondas se sobrepõem, as baladas acontecem como se não houvesse amanhã e...

Local de escuta

Lugar de escuta. Local de leitura. Expressões incorporadas ao vocabulário e às atitudes. A necessidade de saber ouvir para compreender, especialmente as opressões não vividas, é condição fundamental para respeitar o espaço do outro e se fazer parte da solução, não apenas do problema. Prestar mais atenção, reconhecer que, se são dois ouvidos, dois olhos e uma boca, a escuta e a leitura precedem a fala. Os dias se aproximam do 20 de novembro, emblemático pela celebração à consciência que traz e pela necropolítica instaurada que faz da morte de negros, de mulheres e de minorias uma regra. Não apenas a morte física, mas também o apagamento de histórias, de locais de vivência e de suas vozes. Leio e escuto, portanto, uma contribuição mínima, mas não basta. A escrita antiga em blogs e outros cantos da internet permanece acessível. Ouvi que o byte publicado jamais é perdido e constatei a afirmação pelo uso do site http://web.archive.org/ . Ali podem ser introduzidos endereços considerados não...

Vender com venda nos olhos

Venda nos olhos para os que não querem ver. Venda que compram. Se o português é uma língua difícil, que aproveitemos suas idiossincrasias para alguma conjectura e jogo de palavras para dizer o que é explícito, mas de outras formas em outras fôrmas. Sim, abusei com o resgate do circunflexo que ficou fora dos dicionários (não do Aurélio) por décadas! Patrimônio público parece carregar origens nefastas, como a que seu gerenciamento é misógino (não é 'matrimônio') e ser público significa ser de ninguém. O patrimônio público brasileiro deveria ser o contrário de tais acepções, com riquezas construídas por todos, que deveriam ser mantidas por quem é o gerente do momento para benefício também de todos. Não para doar a valores muito baixos para outros que não defenderão o patrimônio para todos, pois será privado e não público. Ajustes na realocação de aparatos que não funcionam adequadamente podem e devem ser feitos, mas a lógica privatista per se é perversa. Peter Sellers nasceu Rich...

Liberdade e escolhas

Estava aguardando o resultado das eleições norte-americanas. Pelo menos algo mais próximo do final, o que ainda não aconteceu. A divulgada onda democrata não se concretizou, mas o resultado final ainda estava indefinido quando iniciei esta escrita e assim continua. Meu blog e meus leitores não podem esperar, pretensamente afirmo! Poderia usar o clichê de que a democracia ganha de qualquer forma, mas quando um dos candidatos já contesta o resultado afirmando que acionará a justiça, cria-se uma real possibilidade de arbitrariedades. Já vimos isso aqui há alguns anos, o derrotado fez de tudo para questionar a vencedora e o resultado foi o país em retrocesso; aquele candidato foi reduzido ao pó que lhe cabia e as consequências foram absorvidas por todos nós. O sistema de eleições nos Estados Unidos ainda nos parece confuso e não quero elucidá-lo se não há nem total entendimento de como a coisa funciona em nossas terras. O que mais me surpreende é ser um modelo criado quando existiam delega...

Bruxas existem em mentes perfeitas

Fim do mês de outubro chegando e a comemoração é pelo Dia do Saci, na véspera do Dia de Todos os Santos e antevéspera do de Finados. Em 1 de novembro é também o aniversário de morte de Lima Barreto. Sim, sempre a ele nos voltamos para redimir nossas angústias. A leitura das crônicas, descobertas ou conhecidas, segue em franco curso, mas a compilação para a publicação estranhamente não encontrou ânimo. Felipe Rissato, o parceiro dessa empreitada, até lembrou-me do compromisso, ele também absorto em outros afazeres pandêmicos. Por esses dias também será a eleição norte-americana, a concretização da esperada sucessão de Donald Trump, para a felicidade de boa parte do mundo. Assim, do país nórdico importemos a atenção ao escrutínio, mas não ao que eles comemoram no dia 31 de outubro. Fiquemos com nosso traiçoeiro e sagaz Saci. E não é por falta de instrumento legal, lembremo-nos da Lei Estadual 11.669, de 13/01/2004. Há 16 anos o Dia do Saci é oficialmente comemorado nas terras bandeirante...

Cobranças e desilusões

Desconfio que não sou mais pesquisador, a depender da quantificação de indicadores em parecer atrasado que chega. Ciência é feita com pesados investimentos, fontes de fomento são procuradas constantemente. Governos ardilosamente mudam suas propostas orçamentárias querendo destruir o pouco que existe de consolidação da área, como o faz no nível federal desde 2016, intensificado ao extremo em 2019, e também no estadual, primeiramente querendo intervir nas Universidades Paulistas e na Fapesp e, agora, mudar a dotação de recursos para essa principal agência de fomento. No entanto, não coordenar um projeto de pesquisa não deveria significar falta de recursos. Apenas houve redirecionamento de esforços para projetos conjuntos liderados por outros.  A pandemia é coisa do passado? Nem a da gripe espanhola é, como vemos pelos inúmeros estudos que ainda continuam... Porém, acompanhei técnicos instalando equipamentos esta semana - adquiridos com projetos institucionais - e a conversa entre ele...

Obeidoso propaganda

Houve um tempo em que se convenciam eleitores da mesma forma que se vendia sabão em pó. Produtos seguros, funcionais, baratos. O serviço de atendimento ao consumidor permite reclamação, troca do produto. Pelo voto, a devolução é um pouco mais complicada, efetivada quatro anos depois, caso a memória do consumidor, ou melhor, do eleitor não tenha virado espuma. Hoje a propaganda eleitoral é mais comparada ao charlatanismo, uma vez que a mentira deslavada convence mais do que a dura verdade comprovada. Não adianta falar que aquela obscenidade é inventada, que a foto foi forjada ou a imagem é de muito tempo atrás, de outra ocasião. Crônicas e contos confundidos e a confundir o e-leitor. E não são mesclas ardilosas estilo Lima Barreto ou Machado de Assis para ludibriar o pesquisador jornalístico ou amante da literatura que não conseguem distinguir essas modalidades de escrita uma da outra. Cultura é ausente desses cândidos personagens da democracia. Fiz um levantamento da frequência da pala...

Ciência divulgada e poesia premiada

Tive o privilégio de falar sobre algumas experiências e muitas dúvidas na comunicação científica em live da Semana Virtual do Livro e das Bibliotecas da Unesp, na forma de mesa de conversa mediada pela Márcia Degaspari, da Biblioteca do campus de Rio Claro, e com a prazerosa participação de Beatriz Rizzo, divulgadora científica e aluna de Ciências Biológicas do campus do Litoral Paulista. A programação da Semana pode ser vista aqui: https://www2.unesp.br/portal#!/cgb/semana-nacional-do-livro-e-da-biblioteca/agenda/ . O vídeo da mesa redonda pode ser assistido aqui: https://www.youtube.com/watch?v=iYPuV5CQUTg . A Beatriz tem feito um trabalho crítico de socialização do conhecimento científico e questionamento sobre as barreiras existentes no acesso democrático ao saber, por meio de vídeos no youtube. O canal dela é este aqui e recomendo assistir e nele se inscrever:  https://www.youtube.com/channel/UC-GZORiks8Mg0gdipsEmpWg  #IniCiencias Naquela tarde, com o rótulo de palestra, ...

Gestão de crises

Um setembro primaveril, muito quente, seco e queimando. Vírus viralizando. Na falta de um banho de mar, antes que o Dia do Secretariado (ou, do outrora da Secretária) acabasse, providenciei a auto-introdução na piscina de água ainda fria, mas com volume à quase metade pela evaporação. Quente, ou melhor, entrópico, foi também o debate entre os candidatos à presidência dos Estados Unidos. Debate&apanha melhor dizendo, contrastando diametralmente com o certame de mesma natureza aos pleiteantes à Reitoria da Unesp. Forma, métodos, linguagem e educação que enobrecem este foram os elementos que sumiram daquele. Sabemos das dificuldades vindouras e constantes na administração da Universidade Pública e a gestão de crises é permanente. Mas quando se olha para os intestinos de uma das maiores nações do planeta, é angustiante a falta de exemplos e a maneira como os lambe-botas daqui se subvertem aos ditames nórdicos. Eles passarão, mas os passarinhos já arderam em chamas. Se de poemas iniciam...

Contagem regressiva

Cem dias para o réveillon, se minhas contas estiverem certas e considerando que, ao menos no calendário, 2020 aconteceu de fato. Seis meses de reclusão poderiam ser descontados dos aniversários e efemérides. Poderíamos até omitir idade sem mentir. Meu aniversário seria levado para o início de dezembro, deixaria de lembrar do Dia Mundial do Meio Ambiente e falaria apenas do Dia Internacional dos Voluntários para o Desenvolvimento Econômico e Social. O Dia da Mentira já passou a ser o 22 de setembro, ontem, combinando com o equinócio para resultar no "Pinócio". Argumentaríamos que seria uma simples correção cósmica à la Gregório XIII. Essa manobra não justifica ter omitido cumprimentos ao leitor número 1 deste blog, Paulo Viana, por mais uma volta completada ao redor do sol. Pode ser também ato falho de exercício do distópico calendário proposto. Quiçá também uma das duas certezas da vida fosse deixada de lado (o imposto), certeza essa coincidente com uma das quatro coisas que ...

Quebra da quarentena

Após seis meses de confinamento domiciliar, com saídas semanais apenas para a compra de gêneros alimentícios e ida esporádica a farmácia, médicos e veterinários (para a cachorra, que fique claro), fui ao local de trabalho para verificar o estado e uso do laboratório e uma conversa mais próxima com alunos e colegas. Mantido, obviamente, o distanciamento social. A produção do conhecimento segue seu curso com adaptações necessárias e transformação de obstáculos em desafios e, a partir desses, a conversão em novas oportunidades. Processo mais fácil de descrever do que executar. Aproveitei também para cortar o cabelo, crescido no mesmo meio ano sem qualquer intervenção de tesoura. O calor de verão pré-primaveril assim o exigiu e enormes chumaços brancos acinzentados se aninharam no chão do salão, chamando a atenção da moça da loja ao lado que ali veio bater papo. Alguma poesia ainda resta, pois. Pelas ruas, uma maioria devidamente protegida. O passo um pouco mais inseguro, o destino, incert...

Simpatia para a empatia

Conhecer o mar pela primeira vez veio acompanhado de queimaduras de sol e alergia pelo corpo todo, devido ao contato com a areia. Pele muito branca, descuido na exposição, euforia para aproveitar o tempo ao máximo para as brincadeiras na praia e não se conheciam protetores solares, caros que eram. Um preço a se pagar. Outros tempos e vemos que também se vai à praia para pegar Covid-19, num arroubo quase infantil e irresponsável, desprezando toda e qualquer medida de proteção sanitária e sem o mínimo respeito à saúde alheia. Sim, no feriado da Independência, quando os recursos do Brasil são entregues ao capital externo ou ao fogo, quebramos as amarras que nos prendiam ao pequeno bom senso residual e lotamos a orla marítima. Por enquanto, contabilizam-se os números de mortos por afogamento, imediatos que são, e esperamos as duas semanas de incubação e aparecimento dos sintomas do coronavírus para ver em que situação estamos. As imagens refletem a total falta de empatia de um povo já rotu...

Escolhas

Assisti à renomada pesquisadora Mayana Zatz falando sobre os estudos para entender a resistência natural à contaminação por vírus de grupos de pessoas, que são os centenários, os gêmeos e também os cônjuges de pacientes que tiveram a Covid-19 e eles próprios não manifestaram a doença. Chama a atenção a proximidade física ou genética que não necessariamente determina a contaminação ou imunização do indivíduo. Apesar da complexidade dos fundamentos, a forma como ela elucida os preceitos a serem testados é muito didática e traz um pouco de luz nessa escuridão que é o acompanhamento epidemiológico de uma pandemia. O link para uma reportagem abreviada da transmissão que foi ao vivo no dia 31 de agosto é do Instituo do Legislativo Paulista ( https://www.youtube.com/watch?v=OgR6vasOj1I&t=16s ). Outros vídeos podem ser assistidos no canal da Fapesp, a agência que foi parceira nesse evento, incluindo avaliações econômicas do momento atual, com retração de um lado e mecanismos de renda básic...

Ambiente favorável à contestação

Foram mais, bem mais de dez vezes que usei os textos de Washington Novaes como base para meus argumentos, especialmente em missivas e artigos com conteúdo sobre meio ambiente. Assisti a alguns programas e reportagens que ele conduziu na tv, mas era o Estadão minha fonte principal de suas opiniões. Seus artigos eram recheados de citações e referências baseadas em estudos técnicos e científicos, o que enriquecia o argumento e motivava a leitura e até a concordar com ele. Nem sempre, é claro, e pude tecer alguns parágrafos de crítica e elogios, ora publicados no espaço dos leitores, ora em meu blog anterior. Ele me respondeu diretamente algumas vezes. Essa fundamentação foi o que interessou o então Diretor da Escola de Engenharia de Lorena, Prof. Dr. Nei Fernandes de Oliveira Jr, para que escrevêssemos, eu e um colega de departamento, uma matéria explicativa sobre a importância das atividades de pesquisa com bagaço de cana-de-açúcar e outros subprodutos dessa gramínea para submeter a algu...

Vida e morte no âmbito universitário

Estava eu aqui com uma tela em branco, de novo, para escrever. Sobram letras, faltam palavras. Antes que elas pudessem morrer de inanição - sim, as palavras precisam ser alimentadas para sobreviver -, passei a juntá-las em algumas frases feitas, os famosos jargões e lugares-comuns, para depois transformá-las em mensagem. Ou melhor, transmutá-las naquilo que segue. A verdadeira imortalidade é a da palavra, pois a mente e o corpo fenecem, como sói ser, mesmo que desenvolvamos as mais mirabolantes possibilidades filosóficas de outras existências para a triste aceitação da inexorável finitude. O algoritmo computacional e internético reflete exclusivamente a natureza do usuário? Toda vez que faço busca no google por algum nome, sem o uso de aspas, o primeiro resultado é sempre o de um obituário. Alguém morreu e tinha aqueles nomes como seus, ao menos em seu registro, em seus documentos. O uso de aspas especifica a busca, pois fica restrita àquele conjunto exato de palavras e naquela ordem. ...