Postagens

Números das consequências

Beirando os 100 mil mortos pela pandemia, especulam sobre as influências eleitorais das medidas de combate à covid-19. No Brasil, antes mesmo do pleito municipal de novembro, já são realizadas pesquisas de intenção de voto para presidente em 2022, eleição que, pelos interesses parlamentares escusos, não será antecipada. As eleições norte-americanas também estão no radar, devido à óbvia influência mundial daquele país e da forma como seu mandatário Donald Trump tem desastrosamente conduzido sua política de saúde pública e de relacionamento com outras nações. Há ainda o ressurgimento da submissão tupiniquim a Trump, com direito a bater continência para uma bandeira que possui o vermelho como uma das cores. O democrata Joe Biden cresceu muito nas intenções de voto, mas eleição não é pesquisa eleitoral. Ela revela uma realidade, no entanto, pois Trump está fortemente incomodado com a situação e a possibilidade de ser apeado do cargo. O mundo ganharia muito com isso e a influência em nossa ...

Criações

Perguntaram-me: melancólico? Creio que não, não muito. Talvez o tom das postagens não seja o mais animador possível porque, além da distração, é a realidade que nos abarca. Verifico uma onda de desânimo em publicações sobre o cotidiano, justificada pelo cansaço que a pandemia e quarentena estão nos impondo. Mas dispus-me a adentrar a esfera dos desafios lógicos que combinam interpretação de texto com raciocínio matemático. São exercícios interessantes, pois despertam áreas do cérebro aparentemente adormecidas. O importante é atenção para a interpretação, mais do que dominar ferramentas matemáticas complexas. Recebi vários deles pelas redes sociais, alguns desprezei e outros até respondi. Numa tarde desta semana, resolvi eu mesmo criar um desses, apostando na simplicidade do enunciado e da solução. Mas eis que somente após uma dica valiosa, uma substituição de palavra, os leitores chegaram ao resultado. Repito aqui: A casa é muito grande e todos dormem. Se em três quartos da casa há sei...

Receitas para a clausura

Blogs são eternos? Busco por informações postadas em algum tempo, em algum lugar e a resposta está lá, estagnada, sem saber se a autora ainda existe e persiste em postagens, nas redes sociais, na vida propriamente dita. Digo a autora porque a foto que lá permanece é de uma mulher. Ou assim se parece, com todas as ressalvas que devem ser feitas. O fato é curioso, pois autores de um século atrás que escreviam suas visões de mundo nos jornais impressos são acessíveis pela consulta em hemerotecas, digitais ou não. Aquele autor é vivo e se torna dinâmico por quem o lê, reinterpreta e o traz a lume novamente. Mas aquela autora de blog que postou uma poesia bonita, simples e sentida, não responde mais por seus atos, é fato. Procuro um e-mail, envio mensagem, verifico o pseudônimo em outros sítios. Nada. Mais fácil, portanto, dialogar com Lima Barreto, Machado de Assis e Euclydes da Cunha do que com a Patrix desse blog. Seria Patrícia Raposo? Dúvidas lançadas às nuvens cibernéticas. Espero n...

Cientista constitucional

O feriado de 9 de julho foi antecipado para 25 de maio no Estado de São Paulo, como uma tentativa de aumentar o isolamento social e conter o avanço da propagação do coronavírus. Mas a data se mantém, pois ainda não foi possível uma nova reforma gregoriana e comer uns dias para acertar o descompasso cósmico com aquele marcado pelos calendários. Na verdade, seria muito bom se pudéssemos omitir este 2020 da contagem de nossas vidas, mas, como sobreviventes, devemos, sim, continuar e honrar os que morreram e ainda vão morrer devido à pandemia em que vivemos. Dia do Soldado Constitucionalista. Campinas comemora a data, tendo Guilherme de Almeida como um de seus expoentes, por ter aqui nascido em 24 de julho e lutado nas fileiras da Revolução. Foi um poeta dos mais sublimes, membro da Academia Brasileira de Letras e fundador da Academia Paulista de Letras, ocupando lá a cadeira de número 22, a mesma que viria a ser ocupada por Ruth Guimarães, madrinha da Academia de Letras de Lorena, escrito...

Meio ano, insano ano

O adjetivo do título usei várias vezes para rotular o ano passado, depois, o país como um todo, e, recentemente, o tempo presente. Bem, o significado do rótulo continua. Vangloriei-me do grande número de leitores deste blog, mas o fim do semestre coincidiu com o menor desses números no ano. Paciência. Minhas leituras também não caminham da forma intensa como desejava, ainda que muitas cartas e comentários são publicados por aí. A quase fixação como missivista contumaz contribuiu para a elaboração de meu trabalho de finalização da Especialização em Jornalismo Científico, orientado pela Profa. Dra. Simone Pallone de Figueiredo, do Labjor-Unicamp, e o artigo científico daí resultante foi publicado na semana passada. Ele é um pouco técnico e voltado à percepção de ciência e tecnologia por parte da população, mas que compartilho aqui. É necessário baixar o arquivo pdf completo para ler o trabalho (  http://revistas.iel.unicamp.br/index.php/edicc/article/view/6502?fbclid=IwAR1aRyDcX2-9BN...

Graus de ligação em junho

O feriado em Rio Claro junta o aniversário da cidade com as festividades de São João. Virtuais, as quadrilhas e quermesses lembram que o combate ao novo coronavírus e à doença dele resultante, a Covid-19, deve ser constante e ininterrupto. Após a saturação dos leitos hospitalares na Cidade Azul, o prefeito resolveu retroceder na flexibilização do comércio. O grupo de pesquisadores da Unesp, que está analisando a evolução dos dados públicos divulgados pela área de saúde, já havia feito o alerta sobre a alta taxa de contaminação em Rio Claro devido à drástica queda do isolamento social na cidade. O boletim daí resultante, editado pelo menos uma vez por semana, pode ser consultado neste link:  https://sites.google.com/unesp.br/boletim-anti-covid-19/  , com arquivo das edições antigas para avaliar a evolução desses estudos e opiniões. A ciência cumpre seu papel de interlocução e tem sido ouvida por algumas autoridades mais cientes, ainda bem. Apesar da maioria de ouvidos moucos, c...

Festa! Festa!

Todo dia 18 de junho é de praxe enaltecer o profissional da Química e lembrar o falecimento de José Saramago. Já vai longe aquela cerimônia de premiação em homenagem aos 50 anos do sistema CRQ/CFQ (Conselhos Regionais e Federal de Química), quando também fui premiado com meus alunos ( https://www.crq4.org.br/informativomat_301 ). O colega Acadêmico José Antonio Bittencourt Ferraz fez hoje uma postagem em seu bonito e cultural blog sobre filatelia, lembrando a efeméride ( https://lorenafilatelia.blogspot.com/ ). Mas são exatos dez anos sem o escritor português, o único a vencer o Nobel de Literatura em nossa língua. Motivado pela própria escrita de Saramago, em delírios passados cheguei a juntá-lo com a química em artigo de opinião publicado alhures (por exemplo em  http://unespciencia.com.br/2017/10/01/ex-homenagem-90/ ), mas a doce química das palavras ficará um pouco distante do mago que sara. Machado de Assis domina o cenário cultural, com seu livro Memórias Póstumas de Brás C...

Já não sei se sei

Com pouco mais de seis anos adentrei a escola primária semi-alfabetizado devido às vizinhas mais velhas com as quais brincava de escolinha. Foram as professoras Maria Luísa Montemorro Garcia e Edaliza (o sobrenome me fugiu há tempos) que completaram magistralmente o serviço. Sim, sob a batuta da cartilha 'Caminho Suave'. Os quatro anos seguintes, sempre na escola pública, abrigaram uma maior diversidade de educadores. Mas, imagina se os professores Lademir e Joaquim de matemática permitiriam erros grosseiros de aritmética, quer seja no cômputo de objetos, quer seja no número de mortos? Os Estudos Sociais, ainda que sob a égide da ditadura militar, permitiam aprender História e Geografia por meio das mãos e das palavras da Dona Raquel Leite e não havia desculpas para não saber o regime de chuvas das regiões Norte e Nordeste, muito menos não distinguir as estações do ano em relação ao que acontece no hemisfério Norte! E, claro, como já o fiz em outras vezes, preciso dizer que a D...

Até aqui, respondendo bem

Esta publicação do blog está atrasada devido à constância de a primeira semana de junho acomodar o Dia Mundial do Meio Ambiente - bem menos comemorado hoje - e meu aniversário, que me recuso a contar como mais um ano de vida, precisando descontar essa já quase dupla quarentena. Desculpas dadas, cumprimentos recebidos, leituras continuadas, seguimos. Os fatos se acumulam e o racismo estrutural presente no Brasil veio mais uma vez à tona, não por questões exclusivas nossas, mas pela morte de mais um negro por policial branco nos Estados Unidos. Até a Globo News se viu em situação inusitada ao ser duramente criticada por trazer jornalistas brancos para discutir o racismo e, de pronto, fez um programa especial somente com negros, que foi uma excelente resposta, com rara auto-crítica e de conteúdo histórico. São significativas todas essas manifestações, bem como a violência continuada naquele país e a posição de Donald Trump. Aqui, com o isolamento social quebrado, decisões inescrupulosas...

Vou contar um causo

Contar um 'causo' é atividade cultural de raiz que ainda acontece. A origem é supostamente caipira, com enredos envolvendo tipicamente (mas não apenas) situações em lugares ermos com aparições, assombrações e outros elementos de nosso rico folclore. O bom causo não precisa ter enredo bem construído, mas precisa ser contado com dramaticidade, detalhamento e uma conclusão ímpar. Ou seja, é uma mentira muito bem contada. Em conversas de amigos, quando ainda se reuniam em mesas de botecos, bazófias eram comuns, perdendo um pouco do charme de um causo e com ambientações urbanas. Falar de situações vividas em assaltos ou no trânsito substitui os encontros com a caipora, a mula-sem-cabeça e fantasmas. Os interlocutores sabem que são construções do imaginário e jamais pensariam em transformar o contador do causo - ou quem estivesse a ele pagando para desempenhar tal papel - em um líder político. Bem, com o advento da internet isso passou a ser corrente e acreditar na versão passou a se...

Memórias maduras

Ouvi a voz de Felipe Neto pela primeira vez. Sabia de sua existência, de seus vídeos e de sua mudança de posicionamento político, mas nunca havia lido nada de forma profunda sobre ele, apenas escutado superficialmente o que adolescentes comentam. Confesso que um pouco descrente, assisti ao Roda Viva desta semana por ser um programa que ainda permite alguma atividade jornalística séria, apesar das limitações de alguns dos entrevistadores. Depois de excelentes programas com Atila Iamarino e Sebastião Salgado, seguido de uma participação chocha de Dias Toffoli, ver o Felipe Neto foi mais pela curiosidade do que pela vontade. Mas gostei de conhecê-lo e saber de seus arrependimentos e entendimento do que está acontecendo no país. Entendo a importância dos chamados comunicadores digitais e ele procurou fazer uma distinção entre essa atividade e a futilidade de muitos dos que se dizem influenciadores. O amadurecimento faz com que revisemos nossas posições, o que tenho constantemente feito pel...

Vivemos no passado

O início do século XX marcou a globalização de conflitos, como a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), e os impactos de uma pandemia, como foi a chamada gripe espanhola (1918-1920). Para o Brasil, o período foi ainda mais notório, pois coincidiu com os primórdios da República e as concomitantes frustrações com o novo regime e a política em curso. Além disso, alguns anos antes, passamos por uma Revolta da Vacina, uma situação muito semelhante à atual, apenas com sinal trocado: o governo federal querendo impor medidas sanitárias e a população não aceitando, devido, principalmente, ao desconhecimento e à forma autoritária da abordagem oficial. A leitura de jornais e revistas da época dá uma dimensão bem realista dos conflitos, dentro do que permitiu a censura, indo da discussão política à sátira da situação. Lima Barreto fez sua contribuição, especialmente em seu Diário Íntimo, contestando a ação repressora e punitiva do governo. Um exercício de cidadania, pois, mas que também cunhou parte...

Vida e morte em transformação

Dois anos utilizando este espaço com postagens quase semanais. Somente 10% das vezes não consegui cumprir a sazonalidade. Naquele 4 de maio de 2018 comemorei o Dia de Star Wars (May, the 4th) e lamentei os impostos a pagar ( https://adilson3paragrafos.blogspot.com/2018/05/forca-das-financas.html ). Agora, pouca comemoração houve, mesmo com infinitas possibilidades de filmes na tv. Parece que o infinito e a nulidade se encontraram... Um paradoxo interessante para explanação de meu amigo Acadêmico e Matemático Sérgio Cobianchi. A declaração do imposto de renda também perdeu momentaneamente a importância depois da prorrogação da entrega. Restaram a ininterrupta indignação com as questões políticas e os frequentes comentários do Paulo Viana e do José Lunazzi, dentre outros, que enriquecem as palavras aqui estampadas. Tento diminuir a melancolia, mas são novos tempos pandêmicos (ainda não pós-pandêmicos, devemos nos lembrar e ficar em casa!). Choram Marias e Clarices, e morrem Aldir Blanc...

Na pele do outro

Mesmo em tempo de reclusão em casa, minha interação nas chamadas redes sociais é burocrática. Uso o Facebook ( https://www.facebook.com/adilson.goncalves.9847 ) e o Twitter (@adilsonrg) para republicar os artigos, poemas e outros escritos que saem em veículos impressos e sites. Além disso, faço um ou outro comentário e dou as 'curtidas' nas postagens que julgo interessantes do que aparece na minha linha do tempo (a timeline ou TL para os que preferem a língua de Shakespeare e suas adaptações). Creio que cumprimentar as pessoas pelo aniversário - o que procuro fazer todo dia - as faz buscar por quem eu sou e verificar minhas postagens e posições para, então, desfazer a tal da amizade. Fato é que o número de amigos está sempre no máximo de 5 mil que a plataforma permite, mas com um fluxo diário de entrada e saída de 2 a 4 perfis. Não deveria ser o objetivo tais contatos canalizarem para apenas para os que possuem visão de mundo próxima à sua, mas é o que de fato acontece. Pouco e...

Desenterrando

Dia da Terra, lembra o google no 22 de abril. A efeméride deste ano é mais significativa pela pandemia de vírus&verme que atravessamos. Continuar em casa para o devido isolamento social é a única medida saudável que se pode fazer nesse momento, além de intensificar a higiene pessoal, especialmente de mãos e rostos. É data que também marca o início da ocidentalização exploratória do espaço de terra que viria a se chamar Brasil. Um dia de descobertas, pois. Descobrimos que o desmatamento da Amazônia atingiu valores recordes, colocando a já devastada região em perigo ainda maior. Descobrimos que a crença predomina sobre a ciência e vidas valem menos do que a economia. Como extinguiu-se o Estado Brasileiro, pouco resta a fazer. A hipervalorização do dólar e a negativação do preço do petróleo são outras espantosas descobertas, nem tanto pelos acontecimentos - esperados, talvez -, mas pela falta de aprofundamento de seus significados frente à globalização e ao próprio capitalismo. Existi...

Algumas dúvidas e lamúrias

Foi chamada de Pretinha a cachorra adotada em Campinas e levada para ser companheira de meus sogros em São Paulo, décadas atrás. Condicionada pelo nome, ao tocar Moraes Moreira ela se reconhecia e abanava seu rabo de vira-lata. Pretinha morreu há muito tempo: depois da morte dos sogros, restou ser cuidada pelo cunhado. O músico faleceu esta semana e sinto o peso de minha geração que vai vendo e sentindo todas suas referências culturais morrer. Hoje perdemos Rubem Fonseca, escritor que trouxe inovações literárias ao conto e ao romance. Ao menos as obras desses artistas do som e da palavra ficam, mas em tempos de pandemia há forte dúvida sobre o que significará consumir cultura. Teremos novos Theodor Adorno e Max Horkheimer para definir o que será a indústria cultural pós-pandêmica? Um feriado passou e outro se aproxima. A vontade de atividades fora de casa aumenta, não há dúvida, mas impera a razão da informação científica de que estas são semanas cruciais para diminuir o espalhamento...

Ficção e realidade no isolamento

Encarei o desafio da literatura de ficção e retomei a leitura das Crônicas de Gelo e Fogo, de George Martin, que foram transformadas na série de sucesso Guerra dos Tronos. Não assisti a nenhum dos episódios desse longo programa de tv, mas soube de sua repercussão e até de desdobramentos por inevitáveis comentários ouvidos e lidos. Os livros eu havia comprado bem antes do início da série, impulsionado pela comparação favorável com Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien - outro sucesso literário convertido em vários filmes -, e os tinha começado a ler, mas parei devido a outro interesse ou compromisso. A trilogia de Tolkien também eu havia lido muito antes dos filmes, estes que conseguiram fazer um bom resumo do conteúdo dos livros, muito mais ricos em detalhes, conflitos e construção de personagens e histórias. Basicamente estou convertendo o tempo que usava para o transporte até o laboratório da Unesp em Rio Claro para essas leituras diárias de ficção e de fôlego. Ficar em casa não sign...

Compartimentos

O conhecimento sempre foi único e fazemos divisões por matérias, disciplinas, níveis e grupos como forma de nos organizarmos, crendo que assim facilita a percepção e aquisição de tantos dados e informações. O conceito de universidade pressupõe a universalidade do saber, mas é pouco provável que um notável epidemiologista será também um sábio filósofo. Por mais erudição que seja apregoada nos meios acadêmicos, o conceito universal se traduz em propiciar às várias facetas do saber seu convívio no mesmo espaço, esperando que tais esferas se interpolem de alguma maneira. Trabalhar em grupo, de forma conjunta, cada vez mais inter- e multidisciplinar é a característica da pesquisa científica moderna. Resultados publicados contendo mais de uma centena de autores já não são incomuns. Mas, furar tais compartimentos é saudável e por isso faço minhas fortuitas inserções na literatura. #IniCiencias Nos grupos de WhatsApp literários leio apenas as postagens referentes a essa atividade. Lamento, c...

Socorro!

Tento me acalmar e pensar que a insanidade presente não seja perene e faça parte de algum aprendizado social necessário. Um grito que se traduza em escrita, espero. Quanto ao que acabamos de vivenciar, elaborei um texto sobre essas mentiras propaladas nos grupos virtuais, texto esse que foi publicado no site Brasil 247: https://www.brasil247.com/blog/isolamento-de-verdade-espalhamento-de-mentiras . O título "Isolamento de verdade, espalhamento de mentiras" reflete a necessidade de se manter em casa, saindo apenas quando estritamente necessário, mas com o contraponto da mentira oficial dita aos quatro ventos, estarrecendo o mundo todo, porém, sem qualquer traço de punição a vista. Polêmico? Sim, mas ao menos vou depurando o perfil dos leitores, já que muitos extremistas me excluem de suas redes sociais e retiram o e-mail de assinatura deste blog. A maior presença em casa exige um novo aprendizado de divisão e utilização do tempo, ainda que adotada em caráter voluntário. As ...

Quarentena

O período de quarenta dias era suficiente para garantir que os marujos e passageiros de navios que chegavam de longe aportassem sem maiores riscos de também desembarcar doenças. Era praticado quando havia notícia de qualquer doença a bordo ou no local de origem do navio, que ficaria ao largo, perto da costa, mas sem contato físico com a população local. A origem da palavra manteve sua acepção de isolamento, segregação, deixar de praticar alguma ação, mas o tempo se alterou. Assim, nos casos recentes de coronavírus, a quarentena individual pode ser de duas semanas para saber se a pessoa que apresenta sintomas realmente está com a doença, mas pode chegar a alguns meses, pensando na população como um todo. Como não há mais fronteiras físicas relevantes, a entrada por um porto deixou de ser eficiente para a contenção de doenças. O que estamos fazendo é retardar o contágio e diluir sua proliferação ao longo do tempo para possibilitar que centros de saúde e hospitais deem conta do atendiment...