Postagens

Vou contar um causo

Contar um 'causo' é atividade cultural de raiz que ainda acontece. A origem é supostamente caipira, com enredos envolvendo tipicamente (mas não apenas) situações em lugares ermos com aparições, assombrações e outros elementos de nosso rico folclore. O bom causo não precisa ter enredo bem construído, mas precisa ser contado com dramaticidade, detalhamento e uma conclusão ímpar. Ou seja, é uma mentira muito bem contada. Em conversas de amigos, quando ainda se reuniam em mesas de botecos, bazófias eram comuns, perdendo um pouco do charme de um causo e com ambientações urbanas. Falar de situações vividas em assaltos ou no trânsito substitui os encontros com a caipora, a mula-sem-cabeça e fantasmas. Os interlocutores sabem que são construções do imaginário e jamais pensariam em transformar o contador do causo - ou quem estivesse a ele pagando para desempenhar tal papel - em um líder político. Bem, com o advento da internet isso passou a ser corrente e acreditar na versão passou a se...

Memórias maduras

Ouvi a voz de Felipe Neto pela primeira vez. Sabia de sua existência, de seus vídeos e de sua mudança de posicionamento político, mas nunca havia lido nada de forma profunda sobre ele, apenas escutado superficialmente o que adolescentes comentam. Confesso que um pouco descrente, assisti ao Roda Viva desta semana por ser um programa que ainda permite alguma atividade jornalística séria, apesar das limitações de alguns dos entrevistadores. Depois de excelentes programas com Atila Iamarino e Sebastião Salgado, seguido de uma participação chocha de Dias Toffoli, ver o Felipe Neto foi mais pela curiosidade do que pela vontade. Mas gostei de conhecê-lo e saber de seus arrependimentos e entendimento do que está acontecendo no país. Entendo a importância dos chamados comunicadores digitais e ele procurou fazer uma distinção entre essa atividade e a futilidade de muitos dos que se dizem influenciadores. O amadurecimento faz com que revisemos nossas posições, o que tenho constantemente feito pel...

Vivemos no passado

O início do século XX marcou a globalização de conflitos, como a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), e os impactos de uma pandemia, como foi a chamada gripe espanhola (1918-1920). Para o Brasil, o período foi ainda mais notório, pois coincidiu com os primórdios da República e as concomitantes frustrações com o novo regime e a política em curso. Além disso, alguns anos antes, passamos por uma Revolta da Vacina, uma situação muito semelhante à atual, apenas com sinal trocado: o governo federal querendo impor medidas sanitárias e a população não aceitando, devido, principalmente, ao desconhecimento e à forma autoritária da abordagem oficial. A leitura de jornais e revistas da época dá uma dimensão bem realista dos conflitos, dentro do que permitiu a censura, indo da discussão política à sátira da situação. Lima Barreto fez sua contribuição, especialmente em seu Diário Íntimo, contestando a ação repressora e punitiva do governo. Um exercício de cidadania, pois, mas que também cunhou parte...

Vida e morte em transformação

Dois anos utilizando este espaço com postagens quase semanais. Somente 10% das vezes não consegui cumprir a sazonalidade. Naquele 4 de maio de 2018 comemorei o Dia de Star Wars (May, the 4th) e lamentei os impostos a pagar ( https://adilson3paragrafos.blogspot.com/2018/05/forca-das-financas.html ). Agora, pouca comemoração houve, mesmo com infinitas possibilidades de filmes na tv. Parece que o infinito e a nulidade se encontraram... Um paradoxo interessante para explanação de meu amigo Acadêmico e Matemático Sérgio Cobianchi. A declaração do imposto de renda também perdeu momentaneamente a importância depois da prorrogação da entrega. Restaram a ininterrupta indignação com as questões políticas e os frequentes comentários do Paulo Viana e do José Lunazzi, dentre outros, que enriquecem as palavras aqui estampadas. Tento diminuir a melancolia, mas são novos tempos pandêmicos (ainda não pós-pandêmicos, devemos nos lembrar e ficar em casa!). Choram Marias e Clarices, e morrem Aldir Blanc...

Na pele do outro

Mesmo em tempo de reclusão em casa, minha interação nas chamadas redes sociais é burocrática. Uso o Facebook ( https://www.facebook.com/adilson.goncalves.9847 ) e o Twitter (@adilsonrg) para republicar os artigos, poemas e outros escritos que saem em veículos impressos e sites. Além disso, faço um ou outro comentário e dou as 'curtidas' nas postagens que julgo interessantes do que aparece na minha linha do tempo (a timeline ou TL para os que preferem a língua de Shakespeare e suas adaptações). Creio que cumprimentar as pessoas pelo aniversário - o que procuro fazer todo dia - as faz buscar por quem eu sou e verificar minhas postagens e posições para, então, desfazer a tal da amizade. Fato é que o número de amigos está sempre no máximo de 5 mil que a plataforma permite, mas com um fluxo diário de entrada e saída de 2 a 4 perfis. Não deveria ser o objetivo tais contatos canalizarem para apenas para os que possuem visão de mundo próxima à sua, mas é o que de fato acontece. Pouco e...

Desenterrando

Dia da Terra, lembra o google no 22 de abril. A efeméride deste ano é mais significativa pela pandemia de vírus&verme que atravessamos. Continuar em casa para o devido isolamento social é a única medida saudável que se pode fazer nesse momento, além de intensificar a higiene pessoal, especialmente de mãos e rostos. É data que também marca o início da ocidentalização exploratória do espaço de terra que viria a se chamar Brasil. Um dia de descobertas, pois. Descobrimos que o desmatamento da Amazônia atingiu valores recordes, colocando a já devastada região em perigo ainda maior. Descobrimos que a crença predomina sobre a ciência e vidas valem menos do que a economia. Como extinguiu-se o Estado Brasileiro, pouco resta a fazer. A hipervalorização do dólar e a negativação do preço do petróleo são outras espantosas descobertas, nem tanto pelos acontecimentos - esperados, talvez -, mas pela falta de aprofundamento de seus significados frente à globalização e ao próprio capitalismo. Existi...

Algumas dúvidas e lamúrias

Foi chamada de Pretinha a cachorra adotada em Campinas e levada para ser companheira de meus sogros em São Paulo, décadas atrás. Condicionada pelo nome, ao tocar Moraes Moreira ela se reconhecia e abanava seu rabo de vira-lata. Pretinha morreu há muito tempo: depois da morte dos sogros, restou ser cuidada pelo cunhado. O músico faleceu esta semana e sinto o peso de minha geração que vai vendo e sentindo todas suas referências culturais morrer. Hoje perdemos Rubem Fonseca, escritor que trouxe inovações literárias ao conto e ao romance. Ao menos as obras desses artistas do som e da palavra ficam, mas em tempos de pandemia há forte dúvida sobre o que significará consumir cultura. Teremos novos Theodor Adorno e Max Horkheimer para definir o que será a indústria cultural pós-pandêmica? Um feriado passou e outro se aproxima. A vontade de atividades fora de casa aumenta, não há dúvida, mas impera a razão da informação científica de que estas são semanas cruciais para diminuir o espalhamento...

Ficção e realidade no isolamento

Encarei o desafio da literatura de ficção e retomei a leitura das Crônicas de Gelo e Fogo, de George Martin, que foram transformadas na série de sucesso Guerra dos Tronos. Não assisti a nenhum dos episódios desse longo programa de tv, mas soube de sua repercussão e até de desdobramentos por inevitáveis comentários ouvidos e lidos. Os livros eu havia comprado bem antes do início da série, impulsionado pela comparação favorável com Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien - outro sucesso literário convertido em vários filmes -, e os tinha começado a ler, mas parei devido a outro interesse ou compromisso. A trilogia de Tolkien também eu havia lido muito antes dos filmes, estes que conseguiram fazer um bom resumo do conteúdo dos livros, muito mais ricos em detalhes, conflitos e construção de personagens e histórias. Basicamente estou convertendo o tempo que usava para o transporte até o laboratório da Unesp em Rio Claro para essas leituras diárias de ficção e de fôlego. Ficar em casa não sign...

Compartimentos

O conhecimento sempre foi único e fazemos divisões por matérias, disciplinas, níveis e grupos como forma de nos organizarmos, crendo que assim facilita a percepção e aquisição de tantos dados e informações. O conceito de universidade pressupõe a universalidade do saber, mas é pouco provável que um notável epidemiologista será também um sábio filósofo. Por mais erudição que seja apregoada nos meios acadêmicos, o conceito universal se traduz em propiciar às várias facetas do saber seu convívio no mesmo espaço, esperando que tais esferas se interpolem de alguma maneira. Trabalhar em grupo, de forma conjunta, cada vez mais inter- e multidisciplinar é a característica da pesquisa científica moderna. Resultados publicados contendo mais de uma centena de autores já não são incomuns. Mas, furar tais compartimentos é saudável e por isso faço minhas fortuitas inserções na literatura. #IniCiencias Nos grupos de WhatsApp literários leio apenas as postagens referentes a essa atividade. Lamento, c...

Socorro!

Tento me acalmar e pensar que a insanidade presente não seja perene e faça parte de algum aprendizado social necessário. Um grito que se traduza em escrita, espero. Quanto ao que acabamos de vivenciar, elaborei um texto sobre essas mentiras propaladas nos grupos virtuais, texto esse que foi publicado no site Brasil 247: https://www.brasil247.com/blog/isolamento-de-verdade-espalhamento-de-mentiras . O título "Isolamento de verdade, espalhamento de mentiras" reflete a necessidade de se manter em casa, saindo apenas quando estritamente necessário, mas com o contraponto da mentira oficial dita aos quatro ventos, estarrecendo o mundo todo, porém, sem qualquer traço de punição a vista. Polêmico? Sim, mas ao menos vou depurando o perfil dos leitores, já que muitos extremistas me excluem de suas redes sociais e retiram o e-mail de assinatura deste blog. A maior presença em casa exige um novo aprendizado de divisão e utilização do tempo, ainda que adotada em caráter voluntário. As ...

Quarentena

O período de quarenta dias era suficiente para garantir que os marujos e passageiros de navios que chegavam de longe aportassem sem maiores riscos de também desembarcar doenças. Era praticado quando havia notícia de qualquer doença a bordo ou no local de origem do navio, que ficaria ao largo, perto da costa, mas sem contato físico com a população local. A origem da palavra manteve sua acepção de isolamento, segregação, deixar de praticar alguma ação, mas o tempo se alterou. Assim, nos casos recentes de coronavírus, a quarentena individual pode ser de duas semanas para saber se a pessoa que apresenta sintomas realmente está com a doença, mas pode chegar a alguns meses, pensando na população como um todo. Como não há mais fronteiras físicas relevantes, a entrada por um porto deixou de ser eficiente para a contenção de doenças. O que estamos fazendo é retardar o contágio e diluir sua proliferação ao longo do tempo para possibilitar que centros de saúde e hospitais deem conta do atendiment...

Cultura com samba

Entidades culturais se reúnem, fazem seu nobre trabalho, ainda que muitos de seus membros defendam idiossincraticamente o fascismo instalado no poder. Sim, mesmo sendo notória a destruição cultural do país, participantes dessas agremiações insistem em usar os espaços de comunicação e apresentação (em tese apartidário) para seus raivosos manifestos e convocações esdrúxulas. Não há ação humana que não seja política, isso sabemos. Ela pode não estar vinculada a partidos, correntes ou linhas ideológicas estabelecidas. Porém, entendo que viver é tomar partido, usando o título do livro de Anita Leocádia Prestes. Aproveitando mais uma pandemia que vivemos, tais indivíduos se comportam como vírus, pois querem triunfar sobre a destruição do hospedeiro. O combate à ignorância é ininterrupto e não penso apenas na falta de conhecimento. A ignorância é a base da ciência, pois há sempre o que não se sabe e o que se quer saber. A questão é ignorar o diferente, o outro, as necessidades e histórias q...

Rimas rumos

A trova exige rimas perfeitas, aprendi com a Myrthes Masiero da Academia de Letras de Lorena. Louca e boca não rimam de forma harmônica, porém seu uso em canções é frequente, desde "quando tão louca, me beija na boca...", na voz do cantor Wando, até "não faça papel de louca pra não haver bate-boca...", de Chico Buarque. A poesia está presente, pois. O popular que admira a redução e a abreviação também levou a substituição do c pelo k, contaminado talvez pela simplificação que ocorre quando do uso do dígrafo qu, k esse que foi readmitido em nosso alfabeto, mas introduziu um desnecessário acento para resultar em "lôka" e seu congênere "lôko", comum em dizeres eletrônicos modernos. Um pouco de submissão aos ditames da língua de Shakespeare se revela, o mesmo que induz a grafar "disk-pizza" para economizar aquele qu sonoro, mas com palavra inglesa inexistente, pois seria dial-pizza a tradução correta para acessar - pelo abandonado telefone ...

Escola dez, nota dez!

A CartaCapital, edição especial de carnaval, dedicou o menor número de páginas de uma edição morna a cronistas de outrora. Pudemos nos deliciar com textos de Lima Barreto e Machado de Assis, retratando a atualidade daquelas reflexões. Machado cruza com Lima quando fala na crônica escolhida pela revista que ainda acreditava nos tesouros jesuítas escondidos sob o Morro do Castelo, objeto de uma reportagem que projetou Lima Barreto nas esferas jornalísticas. Vale a pena ler e reler esses clássicos. Foram exaustivas as comparações de nossa vida política com a euforia efêmera carnavalesca, tanto nas ruas como nas páginas impressas, cujo término da festa se dá nesta quarta-feira cinzenta e chuvosa. Hoje, portanto, recomeça o insano Brasil, com as já esperadas patacoadas governamentais e a confirmação do coronavírus em nosso país. Pouco acompanhei os desfiles nas avenidas, mas fiquei atento aos enredos politizados e à recepção do público e dos críticos a tais concepções artísticas engajadas...

Tamanho da palavra

Aprendi que anticonstitucionalissimamente era a maior palavra existente, com 29 letras e registrada como uma comprida cobra no 'Emília no país da gramática', de Monteiro Lobato. Minha filha me ensina que é pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico, com 46 letras e se refere ao "indivíduo que possui doença pulmonar causada pela inspiração de cinzas vulcânicas", segundo o dicionário Houaiss. Mas esses exemplos são grandes no número e não no conteúdo. Amor e vida, com as singelas quatro letras, valem muito mais. Certo que haverá os que professam uma palavrinha de duas letras, acentuada até, que carrega forte significado. Mas sabem que eu não discuto religião. A existência humana se resume no ser, mas o capitalismo a transforma no ter. Três singelas letras em cada uma, de significados e posturas que se opõem entre si. Minhas colunas nos jornais impressos são limitadas pela contagem de caracteres que, até com a mais antiga versão do Word, é feita facilmente com um c...

Perdas na ciência

A pseudociência voltou com tudo nesses últimos dias. Após a nomeação do criacionista Benedito Guimarães para a presidência da CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior -, os defensores do design inteligente (DI) orquestraram uma série de artigos para defender aquilo que é exclusivamente o domínio da fé, não da ciência. Marcos Eberlin fez um libelo na Folha de S. Paulo (8/2) e Roque Ehrhardt de Campos exarou algo semelhante no Correio Popular de Campinas (13/2). Ainda que o ex-professor Eberlin, da Unicamp, tenha uma história importante na química orgânica, sua crença dogmática arranha a ciência que produziu. No artigo faltou o que realmente não existe: argumentos científicos que suportariam o DI, limitando-se a citar outros criacionistas. Dizer que mil outros cientistas 'acreditam' no DI é um número insignificante perto da comunidade científica internacional. Fé e ciência não compartilham os mesmos pressupostos. Além disso, a principal informação não é...

Não apenas lágrimas

Torcer o pano até que lágrimas brotem dos interstícios do algodão entrelaçado. Parece que o ato mecânico sobre as fibras do material também originou o desejo de vitória de um time, agremiação ou qualquer outra coisa que desperte a paixão e a necessidade de sofrer conjuntamente. A torcida para que o filme ganhe é, portanto, ato físico praticado com as mãos. Não há manual ou receita para ser o primeiro, o vencedor, na entrega do Oscar que acontece neste fim de semana, mas a torcida pelo documentário "Democracia em Vertigem" é grande, pelo menos dentro do grupo das pessoas sensatas. Como já mencionei na postagem Vertigo ( https://adilson3paragrafos.blogspot.com/2020/01/vertigo.html ), outros concorrentes estão em posição de maior destaque e o prêmio não deve ir para Petra Costa. O "Dois Papas", de Fernando Meirelles, também está na disputa, com os dois atores concorrendo (Anthony Hopkins e Jonathan Pryce), além do roteiro adaptado, lembrando se tratar de uma obra de fi...

Escritos de liberdade

Paulo Viana me inquiriu sobre o recente livro de Chico Buarque de Hollanda, "Essa gente". Terminei a leitura semana passada, que foi rápida, mas não indolor. Sem ler resenhas ou outras análises, a primeira impressão são muitas pontas deixadas soltas como estilo da escrita. Senti algo semelhante na leitura de "A glória e seu cortejo de horrores", da Fernanda Torres, ainda que falta uma parte para concluir. "Essa gente" é um protesto evidente ao momento político pelo qual o país está passando na forma de relatos diários, alguns oníricos, outros desconexos. Mas não sou adepto profundo da obra literária do Chico Buarque, preferindo sua música, impecável, por sinal. Li "Fazenda modelo", muito tempo atrás, com a decepção de ser apenas uma adaptação evidente de "A revolução dos bichos", quase que trocando porcos por bois. Mas "Budapeste" é muito melhor, pois é focado em um tema inusitado, muito bem desenvolvido. O ghost-writer, vira ...

Substâncias da química

A mais bela das ciências. Já fui criticado pelo epíteto, mas dele não abro mão. A essência do universo é a matéria, mas é na interligação dos átomos que se formam as substâncias e, daí, a possibilidade de transformações. A vida é baseada nessa matéria e em suas transformações, ou seja, na química. Algumas substâncias são comuns e de conhecimento e uso constante, como a água, por exemplo, considerada a base da vida, pois é um excelente solvente e com propriedades físico-químicas sem igual dentre outras substâncias abundantes. Quantidade não é qualidade, mas a água consegue juntar as duas, considerando, é claro, o que temos na superfície de nosso planeta. A maior parte das substâncias conhecidas, por outro lado, não é de uso rotineiro e elas causam estranhamento quando são apresentadas relacionadas a fatos do cotidiano. Recentemente veio à tona o envenenamento de pessoas que beberam cerveja e se constatou ser provavelmente resultado da ingestão de dietilenoglicol. A nomenclatura químic...

Vertigo

Muito contente com a indicação de "Democracia em Vertigem" para o Oscar de melhor documentário. O filme não é ficção, nem um possível prêmio para o PT ou para Eduardo Cunha, como opinaram articulistas e governistas ao longo da semana em redes sociais e na mídia impressa. É, sim, um alívio para o Brasil poder mostrar ao mundo e aos próprios brasileiros parte de sua história recente. Um documentário se propõe a fazer um recorte, baseando-se em documentos, imagens e depoimentos. O interesse para a obra lançada na metade do ano passado aumentou com a indicação, como também o discurso de ódio dos contrários às verdades ali contidas. Será muito difícil que ganhe o Oscar em função do peso e propaganda dos demais concorrentes - o documentário "American Factory", por exemplo, está sendo patrocinado por Michelle e Barack Obama -,  mas somente a indicação já é grande mérito. Aqui nos acostumamos a valorizar apenas o campeão, mas estar entre os finalistas coloca Petra Costa omb...