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Educação é alimento contra a ignorância

O dia foi emblemático, com atos políticos nas instâncias de decisão no país e também na maior instituição internacional que demonstraram o nível de ignorância, falsidade e despotismo a que chegamos. Mas a noite de terça-feira foi mais esclarecedora, a iniciar pelo título do colóquio promovido pelo Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas (IHGGC). "Luzes do Saber: Escolas em Campinas, séculos XIX e XX" foi o tema das profundas palavras de Arilda Ribeiro, Maria Eugênia Castanho e Sérgio Castanho, professores da Unicamp, com detalhados estudos e reflexões na história da educação. A mediação foi feita pelo presidente do IHGGC, Fernando Abrahão. As escolas são, por quase óbvio, lugares de saberes. Das agradáveis apresentações e rica discussão, destaco dois pontos importantes: as principais escolas campineiras se originaram como instituições privadas, mantidas com o dinheiro dos barões e, depois do advento da República, foram convertidas em escolas públicas, por de...

Leituras incorporadas

Em entrevista recente sobre pretensões de ocupar uma distinção cultural, fui perguntado sobre minha formação literária. Após uma insignificante e imperceptível pausa, pareceu-me que Machado de Assis, Monteiro Lobato e José Saramago já estavam presentes em mim desde sempre. É necessário refletir que tal incorporação se deu em algum momento, fruto do tempo dedicado à leitura de suas obras. Da mesma forma que todos os livros da coleção Vaga-Lume e os de ficção científica de Asimov, Arthur C. Clarke e a série do personagem Perry Rhodan. Ler e assistir a obras de mistério sempre remetem ao Sherlock Holmes de Conan Doyle e aos detetives de Agatha Christie. Na entrevista não revelei todos esses nomes, que me fugiram, como se quisessem me convencer de que nasci com eles. Refletindo um pouco mais, o quase meio século de letramento revela memórias doces e ímpares. Clarice Lispector para mim foi sempre mais cronista do que romancista na surpresa da composição das palavras. Li-a de todas as form...

Justiça e democracia

A revista eletrônica de divulgação científica ComCiência publicou um dossiê sobre Democracias e contribuí, junto com a estudante de jornalismo científico Laura Segovia Tercic, com uma reportagem sobre o papel do STF nessa questão, consultando especialistas da área jurídica ( http://comciencia.br/democracia-constitucional-e-sua-defesa-pelo-supremo-tribunal-federal/ ). Foi uma primeira experiência de texto construído à distância, sobre um tema pelo qual tenho interesse, pois envolve a distinção entre ficção e realidade. Ou seja, o quanto de julgamento e estabelecimento do direito é feito sob os auspícios do que realmente acontece e do que realmente somos. Já escrevi sobre o termo 'ilibado' que aparece como característica para a nomeação de juízes para a Suprema Corte. Houve quem propusesse uma legislação específica, baseada em antecedentes criminais, para definir o postulante, mas o projeto não prosperou e figura apenas nos arquivos no Congresso Nacional. Justiça e democracia p...

Mês de Carlos Gomes

No ambiente reformado da Academia Campinense de Letras, tivemos o privilégio de ouvir seu Presidente Jorge Alves de Lima, que, de forma muito enfática, emotiva e profunda, discorreu sobre o ser humano, o homem que constituiu Antônio Carlos Gomes. Compartilhou conosco algumas das angústias, opiniões e controvérsias do Maestro. A brilhante palestra foi ilustrada com músicas de Carlos Gomes em coral, canto lírico e ao piano. Um mês dedicado ao grande - e, por vezes, olvidado - compositor campineiro. A programação extensa segue e hoje, 5 de setembro, haverá um concerto no Centro de Ciências Letras e Artes às 20h. Cheguemos antes para apreciar também a exposição artística e lançamento de livro. Cobro-me em fazer alguns apontamentos sobre a presença de Carlos Gomes em jornais da quase onipresente hemeroteca da Biblioteca Nacional e deparo com imprecisões de datas sobre sua morte e nascimento. Uma delas registrou o nascimento no ano de 1839, ao invés do correto 1836. A explicação pode ter s...

Sistemas

Ele se assina como biólogo e escreve regularmente para a Gazeta de Piracicaba. Afirmou que o aquecimento global causado pela atividade humana não existe. Misturou argumentos de constituição de ecossistemas com a necessidade das plantas de absorver o gás carbônico para viver. Sim, o ciclo do carbono é bem estabelecido e a queima de combustíveis fósseis - que já não mais estavam no ciclo - é que causa o desbalanço. O pior é que trabalhou na USP. A proximidade com o conhecimento de fronteira não foi suficiente para seu enriquecimento científico e cultural. Escreve mal com uma ortografia e sintaxe que exigem um pouco mais de paciência para se fazer entender. Mas possui seu espaço e deve haver os que o leem e o levem a sério. Antes tais despautérios eram sumariamente refutados por comentários de leitores - e eu sou um deles assíduos; hoje, no referido jornal, nem espaço para cartas existe mais. Os cuidados com uma boa revisão do material publicado são assunto de um passado do jornalismo que...

Amor pela ciência

O canhão foi combatido pela flor. E o amor venceu. Mas o amor, como a flor, não subsiste sem o cuidado diuturno. Cuidemos da flor e da ciência como cultivamos o amor: de forma constante e em estado de alerta. Defendendo-os, sobreviveremos. Os períodos sombrios que de forma real se abateram sobre nós podem parecer espessos, porém, não são eternos. A névoa negra registrada nesta semana em São Paulo no meio do dia é apenas a materialização da ignorância que impera no comando do país. As queimadas de florestas e outros matos levou resíduos e partículas a se misturarem com o ar já espesso da capital e, mesmo assim, insistem em dizer que é ilusão, que os fatos não podem se contrapor às crenças. O Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq - foi vilipendiado e está sendo defendido pela comunidade científica brasileira e internacional. Por trás do corte e contingenciamento de bolsas está uma operação de destruição em massa. Vemos e pouco agimos. Sim, escrevi um arti...

Gosto

Amanhã, 15 de agosto, completam-se os 110 anos da morte de Euclydes da Cunha. Objeto de minha palestra já detalhada aqui na semana passada, Euclydes é o patrono de nossa Academia de Letras de Lorena, que faz seu décimo aniversário. A festa será no sábado, muito bem preparada pela nossa presidente Neide Aparecida Arruda de Oliveira. Haverá posse de novos membros e um programa cultural para comemorar este e outros aniversários. Houve também perdas ao longo dos últimos meses, a mais recente foi a da Acadêmica Maria Luiza Reis Pereira Baptista, ocupante da cadeira cujo patrono é Péricles Eugênio da Silva Ramos, poeta maior de Lorena, que estaria completando 100 anos. Já fiz menção a essas efemérides e comento que há muito mais acontecimentos do que dias no ano e, por isso, coincidências são frequentes. E agosto segue cheio delas. Outro centenário deste ano é o de Primo Levi, comentado tempos atrás, mas com algum resguardo, pois havia frases sobre seu trabalho enviadas para a revista CULT...

Sermos, antes de tudo, fortes

Falei sobre Euclydes da Cunha na Academia Campinense de Letras, na segunda, dia 5 de agosto, mas o objetivo primeiro era discorrer sobre as buscas em arquivos para o estabelecimento de seu texto literário. Em noite agradável, com grande afluxo de estudantes da educação de jovens e adultos, faltou uma melhor explanação do que é a obra principal do escritor: Os Sertões. O tempo não era suficiente para uma aula sobre o livro vingador e, portanto, algo ficou falho. Mas espero que os professores lá presentes usem a situação para contemporizar a relevância da obra, seu contexto e por que hoje, mais do que nunca, é tão importante sua discussão e seu entendimento. Procurei, na apresentação, mostrar o inusitado, nas entrelinhas e nas digressões, sobre palavras faltantes e outras equivocadas daquilo que restou publicado da obra de Euclydes. O público alvo eram os Acadêmicos daquela nobre casa do saber e da cultura. Que fiquem aqui e nas redes sociais os comentários para avaliar o quanto falhei. ...

Químico leve, Primo Levi

Descubro um projeto de extensão universitária da UNESP, contendo uma exposição museográfica batizada de quimiscritor para se referir a Primo Levi. Adoto de imediato o neologismo, mesmo com a ressalva da escritora Ruth Guimarães (madrinha da Academia de Letras de Lorena), que se referia a mim como um poeta que usava a química para ganhar a vida. A essência é a poesia dirão os que se enaltecem e vivem a nobre arte. Se combinada com a mais bela das ciências, o deleite é supremo! O nascimento de Primo Levi - químico e escritor - é mais um dos centenários que se comemoram neste ano, insano ano de 2019. A matéria no site da UNESP fala sobre a obra dele, além de convites à leitura:  https://www2.unesp.br/portal#!/noticia/34866/convite-a-leitura-primo-levi  . Essa combinação de engenho e arte, após Camões, tem servido de nome a projetos e colunas em jornais. E me deparo com exemplos magníficos a todo instante, de Euclydes da Cunha a Anita Leocádia Prestes, de Primo Levi a Franz Kafk...

A carta e seu destino

Como missivista contumaz, meus destinatários principais são os jornais e revistas. Considero, para tanto, a carta moderna eletrônica, conhecida como e-mail, pois o objeto de papel manuscrito ou datilografado já não existe ou mais. Ou existe muito pouco, lembra-me aqui a seção de cartas de alguns jornais do interior paulista que solicita aos leitores não mais se utilizarem de tais instrumentos em sua correspondência. Mas também as cartas do passado subsistem e as que ainda nos chegam carregam surpresas. A revista de divulgação científica UnespCiência publicou uma matéria que elaborei sobre cartas de Euclydes da Cunha ( http://unespciencia.com.br/2019/05/01/literatura-107-1/ ). O texto é do ano passado e foi apresentado no curso de Especialização em Jornalismo Científico da Unicamp ( http://www.labjor.unicamp.br/ ), daí conter alguma desatualização. A edição da revista contém outras matérias sobre o autor de Os Sertões, uma vez que Euclydes da Cunha foi o homenageado na Flip deste ano e ...

Lunáticos

Não!  - Uma pequena palavra para uma pessoa, uma frase completa e profunda para a sociedade. Sim, estou parodiando Neil Armstrong ao colocar sua pegada na Lua. A negativa é de protesto pela forma ininterrupta e insana pela qual ciência, educação, tecnologia e meio-ambiente estão sendo atacados e destruídos em nosso país. O plano de privatização do ensino superior está em pleno curso, travestido de "investimentos", ignorando todo o desenvolvimento científico e tecnológico realizado até aqui, que é quase exclusivo das instituições públicas, ao contrário do que os ignorantes governamentais continuam propugnando. Que eu saiba, falsidade ideológica continua sendo crime grave e suficiente para cassação de mandatos. Por outro lado, está sendo uma semana de efemérides e os 50 anos do lançamento da missão Apolo 11 foram coroados com um eclipse lunar na terça-feira, 16/7, que pude ver, mas para o qual meu equipamento ótico de registro é muito rudimentar. Aliviou a cirurgia dentária p...

Vozes em silêncio

Paulo Henrique Amorim não tinha seus méritos pelo programa televisivo que comandava, do qual foi afastado por pressão do governo federal. O bom trabalho jornalístico e opinativo que fazia estava principalmente nos canais de vídeos e outros locais na internet. Pude assistir a palestra dele ano passado, com forte discussão e questionamento sobre o jornalismo que é praticado no Brasil, e possuo um livro autografado. Bem, a assinatura é apenas um quase círculo, rudimentar diria, mas foi de sua pena - como se isso ainda existisse. O silêncio paira sobre a aridez da forma como as notícias estão sendo propaladas na atualidade, quando até uma mentira mal contada é mais aceita do que um fato documentado, apurado e aprofundado. Aprendi a cantar Chega de Saudade no ônibus fretado que me trazia da escola técnica à noite, quase já virando o dia, isso no primeiro ano de estudos. O bairro dos Amarais em Campinas era muito longe da casa de meus pais e não havia transporte público direto. O nome de ...

De ludo et litterae

Só mesmo as meninas para me fazerem parar para ver um jogo de futebol. E que determinação e técnica em uma partida, levando-me a crer que ainda pode ser um esporte interessante. Basta haver gente que jogue bem em campo, deixando o teatro para outros palcos. Nas quadras e nas arenas, o Brasil segue sua trajetória de destaque no vôlei, com ligas e campeonatos mundiais, com boas equipes masculinas e femininas. Pouco desse prazeroso esporte é noticiado nos jornais, mas é rico no conteúdo estético e plástico, bem como na física do movimento e da força, além do envolvimento da psicologia e da poesia. Boa oportunidade de combinar um bom saque com equilíbrio mental e rimar bloqueio na rede com 'da bola, a sede' e ponto no chão com dedicação. O tênis, jogado agora nas seculares gramas de Wimbledon, já foi assunto de discussão em outra ocasião sobre o movimento rotacional de um bólido. Sim, poemas esportivos que levam a outros lugares. A Semana Guilherme de Almeida está sendo comemorad...

Secas juninas

O tempo é seco por natureza da época e a tudo põem fogo. O ar que deveria ser mais límpido pela ausência de gotículas de água torna-se uma cinzenta ou amarronzada nuvem pairando no horizonte. Questiono se a prática das queimadas onipresentes é somente questão cultural, de purificação. Idosos e crianças são os mais susceptíveis às doenças respiratórias e o que vemos - e acompanhamos - nos pronto-socorros. Ainda que a colheita da cana-de-açúcar já não seja mais feita no estado de São Paulo com a queimada concomitante que se fazia da palhada, os fogos em áreas de pasto e no pouco que resta de bosques e grama são visíveis e sensíveis diuturnamente. Se ainda fosse chover no seco, estas lamúrias serviriam para algo. Mas resta apenas a angústia da espera pela passagem deste tempo, seco tempo. Seca também a vontade, secam os sentimentos. Alguma poesia se manifesta, insuficiente. O fim de semana será de minutos de Euclydes da Cunha para a Academia Campineira de Letras e Artes, após a palestra...

Cultura da transformação escrita

Junho retardou a reunião cultural mensal da Academia Campinense de Letras, e na segunda-feira pudemos nos deliciar com três olhares femininos sobre Monteiro Lobato e sua obra. Eliane Morelli Abrahão discorreu sobre a figura de Maria Pureza da Natividade de Souza e Castro, esposa de Monteiro Lobato (a Purezinha), que o auxiliou na correção e revisão de muitos textos e se dedicava à culinária. Legou-nos um livro de receitas, colhidas alhures sempre com a indicação da fonte quando conhecida, e examinado à amiúde pela Eliane, como sói ser para essa pesquisadora da história da alimentação. Já Cecília Prada focou na figura enérgica do escritor, levado da breca, segundo ela, ou seja, uma figura forte, contundente, que o levou a encarar desafios e enfrentar governos, especialmente no estabelecimento de políticas públicas, como a exploração do petróleo. Por fim, a também acadêmica Regina Márcia Tavares resgatou a importância do lúdico, da literatura infantil que é a marca maior do criador do Sí...

Procedimentos

Os métodos científicos, por mais estabelecidos que sejam, são susceptíveis a reavaliações e contestações. #IniCiencias . Mas busca-se sempre a maior proximidade com a isenção, mesmo sabendo que ela não existe. O jornalista já parte do pressuposto que a boa notícia é a totalmente isenta, quando sabe muito bem que, em sua área de atuação, isso é mais próximo da ficção. A própria decisão sobre o que é notícia e o que se deve e o que não se deve publicar é o primeiro elemento da 'tomada de lado' que o jornalismo possui. O conteúdo da matéria dirá bastante sobre o jornalista, às vezes mais até do que o objeto da notícia. A diplomacia diz que devemos esconder as questões e continuar crendo que jornalistas e cientistas são isentos social e politicamente. Sou cientista e tenho me enveredado pelo jornalismo científico e fico à mercê do julgamento, aproveitando para divulgar a matéria mais recente publicada na revista eletrônica ComCiência ( http://www.comciencia.br/investimento-em-cienc...

Divulgação de ciência e cultura

Aconteceu nesta semana a sexta edição do Encontro de Divulgação de Ciência e Cultura (EDICC), na Unicamp, organizado por alunos de pós-graduação. Assim, o Dia Mundial do Meio Ambiente e, por consequência, meu aniversário foram comemorados com ricas apresentações e profundas discussões. Dois dias para pensar o que é o fazer ciência e cultura e como elas devem ser divulgadas além dos muros universitários e acadêmicos. O tema deste ano foram os afetos políticos em seus múltiplos entendimentos e várias abordagens. Em tempos de ódio declarado e política oficial de extermínio do conhecimento, foi um respiro revigorante deixar o laboratório um pouco de lado e participar das sessões e assistir às palestras. Um resumo sobre o evento não será feito aqui, não é o objetivo. Apenas algumas afetações serão compartilhadas. De imediato, ficaram as palavras e expressões que foram utilizadas e que carregam o sentido dos afetos, que para muitos podem ter sido facilmente aprendidas, mas que, para mim, a...

Cultura no fim de maio

A história de Campinas por meio de cartões postais. Esse foi o tema da palestra do Prof. Luís Eduardo Salvucci Rodrigues, promovida pelo Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas, realizada no CIS Guanabara (Centro Cultural da Unicamp), no último sábado. Uma manhã muito agradável que, além da cultura, nos trouxe um paradoxo físico, pois não percebemos o tempo passar. O professor Luís apresentou a coleção que possui e suas motivações profissionais e pessoais para explorar essa forma de documentação histórica, arquitetônica, urbanística e cultural. Uma foto marcante foi a tirada da atual Praça Carlos Gomes em direção à Catedral da Conceição, mostrando, de um lado, a região de - digamos - serviços sexuais da época, e, do outro, o marco católico principal da cidade. Cometi o impropério de afirmar que o contraste das finalidades de uso é superado pelo público que os frequenta, que é basicamente o mesmo! É de 1893 o primeiro postal brasileiro feito com fotografia e no acervo ...

Culto às forças incultas

A extração de dois dentes com os antibióticos tomados me deixaram um pouco zonzo. Talvez seja uma explicação para ver o mundo tão embaçado nestes dias. Eu não estava no Brasil quando Collor chamou a população às ruas para se manifestar em sua defesa, usando as cores verde e amarela. O povo foi, mas vestido de preto e gritando pela saída do presidente comprovadamente corrupto. Na Alemanha, chamaram de guerra das cores; não sei se escutaram o que se dizia aqui. Hoje a situação é muito semelhante e a previsão é que o chamamento oficial para apoiar a retirada de direitos do trabalhador seja um fiasco. Ou talvez não, evidenciando o lado mais sórdido das "pessoas de bens", defendendo um regime que beira o da exceção. Bem escreveu Ranier Bragon na Folha de S. Paulo: forças incultas estão agindo. Emprestei, sem pedir, o título do colunista para compor o daqui. Um jogo de palavras pode ser traçado, usando o culto que possui cultura, com o culto da adoração, o oculto das forças apreg...

Educação para o Brasil

Esta quarta-feira, dia 15 de maio, foi um dia histórico de mobilizações e manifestações por todo o país em defesa da educação. Participei da passeata em Hortolândia, que congregou o Instituto Federal e a Escola Técnica Estadual daquela cidade, além de outras escolas públicas da região. Vesti-me de preto, com adesivo dizendo sim para livros e não para armas. O movimento foi significativo, o que levou o presidente - a partir de evento nos EUA para o qual há dúvidas se se convidou ou se foi convidado - dizer que os alunos são idiotas, inúteis e imbecis. É o reflexo do que pensa um governante que deveria estar defendendo o futuro dos habitantes de seus país, e não extinguindo suas aspirações. A inépcia é orquestrada, pois não demonstrou articulação política nos dias anteriores, permitindo a convocação do ministro da educação para passar vergonha na Câmara dos Deputados no momento em que ocorriam as manifestações, que levaram de 2 milhões a 3 milhões de pessoas às ruas em mais de 200 cidade...