Pressões culturais
Ao nível do mar a pressão atmosférica é maior. A água demora mais para ferver, logo gasta-se mais gás ou eletricidade para preparar alimentos. Pelas contas diretas, uma diferença entre 4% e 6% na energia, a depender da temperatura inicial em que a água está. O custo da comida no litoral é mais alto, conclusão físico-química primeira, já que quase tudo passa pelo cozimento com água e a dupla matéria-energia é que move o mundo econômico. Outra conclusão é que os humores internos são apaziguados pelos externos, mesmo tudo sendo sal dissolvido na água, eis a vantagem de estar no litoral. A perfeição é atingida com a interlocução dos silicatos, conhecidos também por areia, finamente espalhados na orla por ondas, e o sol se pondo por trás de montanhas ou mesmo do mar, dependendo do ângulo geográfico em que se está. Matéria e energia na melhor simbiose. Sim, uma semana de férias na praia é condição revigorante, necessária, quase uma prescrição médica, sem precisar do atestado oficial para cabular aula ou trabalho, nem dias apenados, nem cair da cama para tanto.
Mesmo com viroses cercando os convivas em férias, há tempo de ler, escrever e, obviamente, torcer. Fomos duplamente premiados no Golden Globes, com "O Agente Secreto" faturando o prêmio de melhor filme estrangeiro e Wagner Moura se consagrando como melhor ator em filme de drama. O cinema nacional renasceu, após um período de trevas, já demonstrado pelos prêmios de Fernanda Torres e "Ainda Estou Aqui" no ano passado. As chances para o Oscar aumentam, mas isso é o menos importante. Fato é que as premiações recentes têm sido um divisor de águas, ainda mais com a dupla premiação no Golden Globes, pois quem realmente é patriota e defende a cultura nacional torceu muito a favor do filme de Kleber Mendonça Filho no domingo e comemorou em igual proporção. Houve os que torceram contra e, para mim, isso é marca indelével da cretinice. A pressão cultural se dá em diversos níveis: as elites querem manter o status quo da ignorância, os excluídos e marginalizados querem mostram que também fazem cultura - e muito boa cultura -, mas uns desconhecem os outros. Em fóruns ditos acadêmicos vociferam inverdades e sofismas que fazem os estudiosos da arte tremerem nas bases ou revirarem em seus túmulos, a depender da condição material em que estão. E não reconhecem quando a mentira foi a base da postagem.
Mesmo não sendo mentira, mas podendo conter imprecisões, continuemos com a discussão alimentícia sob os domínios da pressão. A professora de química festejou muito as vitórias cinematográficas brasileiras, mas, mesmo assim, vai me contestar dizendo que a energia total para cozer o alimento não é somente chegar à temperatura, mas o tempo em que ali fica. Sendo uma temperatura maior, o tempo será menor. Ou seja, o pressuposto curioso de início, torna-se um pouco mais complicado para calcular no conjunto. São férias, não vou aprofundar a discussão e as contas. Se o leitor quiser, basta fazer uma pergunta com essas informações para o ChatGPT e ele o entreterá por longos minutos com considerações sobre o tipo do alimento a ser cozido e outras diferenças barimétricas. Já bastam as contas de início de ano para acomodar os impostos todos. Janeiro é homenagem ao deus de duas faces, Janus, que se vira para o passado e para o futuro, indicando a transição do tempo. No popular e pouco culto ou científico o termo pode ser entendido como: já 'nus' últimos centavos para pagar as contas.
Parabéns pelos três parágrafos. Estou na praia e saboreei os parágrafos.Gostei de tudo, em especial o que se refere à água, alimentação e à etimologia do mês de janeiro em que nasci. Tudo muito elucidativo e de agradável leitura. Grata. Ana Maria Negrão.
ResponderExcluirFérias também são próprias para pensar. Pensar também diverte! (PSViana)
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